<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028</id><updated>2011-10-10T10:19:32.744-07:00</updated><title type='text'>A Telha</title><subtitle type='html'>Um espaço para auto-psicanálise, devaneios, reflexões, ensaios, contos, crônicas e o que mais der na telha</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>44</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-2557278941653464088</id><published>2011-02-06T11:58:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T17:51:55.037-08:00</updated><title type='text'>O diário das madrugadas de Doidivano II (ou As artes do acaso)</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TU7_2QqpivI/AAAAAAAAAVM/L0O4alSFt4E/s1600/P2060067.JPG"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5570671096755751666" border="0" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TU7_2QqpivI/AAAAAAAAAVM/L0O4alSFt4E/s320/P2060067.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Link para O diário das madrugadas de Doidivano I:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://atelhafb.blogspot.com/2009/02/o-diario-das-madrugadas-de-doidivano-ou.html"&gt;http://atelhafb.blogspot.com/2009/02/o-diario-das-madrugadas-de-doidivano-ou.html&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;13 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;É... já faz um mês. Eu não paro de ficar pensando nisso. Ela realmente ficou chateada naquela noite. Ficou mais do que chateada: ficou puta mesmo. Queria arrancar meus cabelos! Mas não a culpo, fui impulsivo de uma maneira insana, reconheço (...). O difícil será não tê-la como idéia fixa a partir de agora. E acredito que tomar álcool para esquecer uma mulher é que nem passar bicarbonato de sódio na afta: a dor passa, mas a ferida fica.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;14 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ouço o estalo da minha coluna como um carrilhão de ossos ao me erguer da calçada. Cansei! Esta foi a última vez que esperei aquela música daquele prédio. Há dias não a escuto. O que será que aconteceu? Deve ter mudado de casa, provavelmente, nosso pianista. Ou nossa, né? Excito-me com essa possibilidade. Mas eu acho que minha relação maior era com a música mesmo. Com a pianista seria só sexo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;15 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Sabem, andei pensando, enquanto caminhava hoje pela rua: tomar cerveja, ou qualquer outra bebida alcoólica, faz você se aproximar mais de você mesmo, de quem você é na verdade. Mas existe certo ponto limite. Se tomar mais do que deveria, você vai se aproximar tanto de ti mesmo que seu corpo e sua mente vão te rejeitar. Eles não vão tolerar tanto você. Aí vem o enjôo, o vômito, etc. É uma explicação. É uma boa explicação. Sei que é mentira, mas ficou realmente uma boa explicação. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;16 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Nada por aqui de novo. E ali, e ali e ali. Andar por aí está começando a ficar chato. Nem medo mais eu tenho. Isso me permite dar mais gás a certos pensamentos vagabundos. Por exemplo: tempo. Não se pára o tempo. É impossível. Mesmo que ele pare por 3 segundos, ele não permaneceu 3 segundos parado, e sim estendido por mais 3 segundos. Nós contamos 3 segundos para medir essa interrupção. Ou seja: usamos o próprio tempo para comensurar uma imaginável situação de congelamento do tempo. Uma perfeita contradição. Motivo pelo qual ele, o tempo, não estaciona jamais (...). Estou bêbado, não liguem.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;17 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hoje algo aconteceu, e algo interessante: de repente, ouço uns gritinhos atrás de um morro. Subo-o e o que vejo? Justamente um casal fazendo sexo num matagal! Sim, achei estranho. Seria muito cômodo até mesmo dentro do carro, mas no mato? Vai entender... Graças à iluminação forte de um dos postes, estava tudo nítido, deu para ver tudo. O timbre da voz da mulher era perfeito para interjeições sacanas. E aquela pele! Deu pra ver o busto dela avermelhado quando ela ficou cavalgando por cima do cara. Sim, uma maravilha! (...) Depois de consumado o gozo de ambos, tratei logo de me retirar. No caminho fiquei pensando sobre voyeurismo e personagens tarados da literatura. Sabem, não tenho muito apreço por personagens tarados. Tenho uma grande implicância com eles e seus relatos. A literatura tem muito deles. Não que eu não goste de sexo ou falar de sexo, óbvio. Acredito que todos gostem de sexo. Ou não, como diria Caetano. Tem cada coisa nesse planeta que a gente nem imagina. Se há gente que tem até alergia de água, não é? Não duvido de nada nesse mundo. Mas existe gente que desconfia mais do que devia da subjetividade. Problema deles. O que mais há em entrevista é pessoal com essas frases de efeito: “nunca confie em quem nunca tomou porre”, “não acredito em quem me diz que não se masturba”. Não sei se dizem para parecerem interessantes ou porque sentem isso mesmo! Sei lá! Mas sim, personagens tarados! Odeio. Ponto. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;18 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;‘Tô me lembrando agora de uma frase de Henry Miller: “se você não conseguir fazer com que as palavras trepem, não as masturbe”. Arrogante! Quantas vezes não masturbamos as palavras traçando esboço de textos visivelmente medianos e que no final não dariam em nada? Isso é necessário em qualquer criação! Dane-se esse tal de Henry Miller. Quem nessa vida parte logo para o sexo? Geralmente a masturbação acompanha o início da nossa sexualidade, não é? Há uma graduação, pois. Uma coisa de cada vez. E todas as palavras voltam a ser virgens, meu caro, sempre que tentamos usá-las de novo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;19 de março&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Hoje aconteceu algo novo: encontrei um transeunte vindo da esquina de uma rua. Veja só: ele veio caminhando em minha direção, aparentemente despreocupado. Dava para ver que ele estava fumando. Ao passar, perguntei se ele poderia me dar um cigarro. Puxei uma conversa. Perguntei o que ele fazia ali. O cara riu e disse-me ser um artista ou algo parecido, e que estava agora relaxando, após ter concluído uma grande obra. Quando o interpelei sobre que obra tinha sido essa, ele me veio com um papo muito estranho, perguntando-me que tipo(s) de expressão me fascinava (m), e qual ou quais eu gostaria de emoldurar dentro da minha mente. “Ué, não sei”, respondi. “Qualé!”, ele protestou. “Tente se lembrar, você deve ter!” Arrisquei, então, um fetiche que tenho: “gosto quando a pele de uma mulher fica avermelhada. Não chega a ser uma expressão, mas é o que eu tenho”. “Em qual ocasião você gosta de ver a pele vermelha?”, ele perguntou “Não sei, todas, eu acho.” “Estaria interessado de ver isso sob um ponto de vista bem intenso?”, indagou-me. “Humm, não sei, talvez”, respondi. “Encontre-me então aqui às 3h da manhã daqui a três dias. Acho que você poderá gostar do que vai ver”, prometeu ele, apertando minha mão, para logo depois ir embora.&lt;br /&gt;Fiquei curioso... &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ps: gostaria de oferecer os créditos a Arian Carvalho por ter criado a sentença que fecha o discurso do dia 13 de março. Ele não se lembra que a fez, como já me revelou recentemente, mas eu a anotei rapidamente. Achei ela boa demais para ser esquecida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-2557278941653464088?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/2557278941653464088/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=2557278941653464088' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/2557278941653464088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/2557278941653464088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2011/02/o-diario-das-madrugadas-de-doidivano-ii.html' title='O diário das madrugadas de Doidivano II (ou As artes do acaso)'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TU7_2QqpivI/AAAAAAAAAVM/L0O4alSFt4E/s72-c/P2060067.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-6519339691789077068</id><published>2011-01-19T15:16:00.000-08:00</published><updated>2011-01-19T16:22:44.632-08:00</updated><title type='text'>Expressão II (ou A dança louca das chagas)</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TTdyMvF1vSI/AAAAAAAAAVA/GS0twWjidXU/s1600/gritar.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 221px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5564041427764493602" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TTdyMvF1vSI/AAAAAAAAAVA/GS0twWjidXU/s320/gritar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Observação prévia: este post e mais os dois que virão nas próximas semanas estão interligados.Para poder acompanhar a trama dessa história, aconselho vocês a lerem - se não tiverem lido ainda ou se vocês não se lembram dos detalhes - os contos Expressão &lt;a href="http://atelhafb.blogspot.com/2009/03/expressao.html"&gt;(http://atelhafb.blogspot.com/2009/03/expressao.html&lt;/a&gt;) e O diário das madrugadas de Doidivano (&lt;a href="http://atelhafb.blogspot.com/2009/02/o-diario-das-madrugadas-de-doidivano-ou.html"&gt;http://atelhafb.blogspot.com/2009/02/o-diario-das-madrugadas-de-doidivano-ou.html&lt;/a&gt;), que são o início, digamos assim, de tudo isso que vai ser interligado aos poucos. Espero que gostem do desenrolar dos fatos. Grande abraço! PS: peguei essa foto dessa página aqui: &lt;a href="http://100brakes.blogspot.com/2010/09/vende-se-um-grito-usado-em-outras.html"&gt;http://100brakes.blogspot.com/2010/09/vende-se-um-grito-usado-em-outras.html&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;- Não se mexa tanto, doutor, espere... Pronto! Ótimo! Vamos agora para o pescoço, fiquei curioso agora para ver como você se comportará se eu estimular essa área...&lt;br /&gt;O artista continuou olhando fixo para os olhos ávidos por ajuda do doutor, enquanto descia a faca para a garganta deste. Deu uma série de quatro cortes rápidos, partindo de baixo para cima, como se estivesse rubricando a pele. O sangue de cada pequena chaga, de cada risco em forma de ferida, aos poucos, se juntava.&lt;br /&gt;- Será que tentamos mais forte? Humm... Acho melhor não. Não agora. Vamos tentar um corte vertical, começando no nível das clavículas e indo até a região do púbis, ok? Só para demarcar a área que mais irei trabalhar em você. É, acredito que não usarei os braços nem pernas... Pronto? Vou aplicar um pouquinho mais de força agora.&lt;br /&gt;O urro do doutor ecoou feio pelo quarto mal iluminado.&lt;br /&gt;- Consegue ouvir de longe esse barulhinho de sax? Bem baixinho mesmo? É meu amigo praticando ao lado. Na verdade ele treina aqui, mas sempre quando tenho que trabalhar em alguma obra minha uso este quarto. Ele tem um bom isolamento acústico. Eu que o projetei.&lt;br /&gt;Os olhos fechados e tensos do doutor revelavam que aquela dor ele ainda não esquecera – e que ainda não se fora.&lt;br /&gt;- É, reconheço que está difícil ouvir o barulhinho... – disse o artista, enquanto ficava passando bem de leve a faca sobre o peito de seu modelo, sem ferir.&lt;br /&gt;– Pois bem, esqueçamos o sax, concentremo-nos aqui. Está se lembrando dos passos do meu processo, doutor? Eu lhe disse tudinho lá no Hospital Psiquiátrico, lembra? Ah, o Hospital... Foi relativamente fácil escapar de lá. Era só ter os contatos certos e a quantidade certa de propina... – comentou, dando um sorriso de canto de boca. E completa:&lt;br /&gt;- Daí pra achar onde você morava foi um pulo...&lt;br /&gt;Silêncio. O doutor voltou a olhá-lo. Longe daquela imagem respeitosa de médico que o jaleco branco impunha, ele parecia um rato de laboratório sujeito a uma experiência, com os braços, pernas e boca amarrados. Inútil tentar se soltar. O que o prendiam eram grossas correntes. E ele não estava deitado, mas em pé, com todo o corpo nu encostado na parede.&lt;br /&gt;- Não posso perder tempo. Vamos ao trabalho?&lt;br /&gt;Dirigiu-se, então, ao seu estojo de facas. Comparou-as longamente e finalmente decidiu qual usar. Rapidamente, com uma precisão virtuosa, traçou vários riscos partindo daquela grande ferida vertical. Esses riscos afluentes eram todos ondulados e sem um padrão fixo. Pareciam ondas de amplitude e comprimento absolutamente variáveis. Ondas que acabavam nas laterais do tórax e que se revelavam mais profundas no final. Ao se aproximarem do abdômen, as feridas em formato de ondas passaram a ser linhas curvadas e a terem como um único final um ponto determinado no início do púbis. O sangue brotava continuamente dessas chagas delgadas e o artista começou a espalhá-lo com o braço de forma cada vez mais rápida e aplicando uma pressão cada vez mais forte. Como se não fosse suficiente, passou a fazer riscos paralelos à primeira chaga meridional, para logo depois pegar um ralador de queijo e passar a esfregar veementemente no peito do doutor em pontos estratégicos. Com gosto, derrama limão e álcool na sua obra. Em seguida, espalha tinta branca para dar uma leve clareada no vermelho-escuro característico do sangue, ao mesmo tempo em que joga tinta verde pra dar um contraste maior. O artista bufava de cansaço, mas não parava. Incessantemente seguia com uma obediência militar toda sua inspiração. Novas idéias iam lhe surgindo, e em conseqüência outros instrumentos de seu repertório eram usados. Depois de um tempo - contrariando o que tinha dito - começa a se dedicar aos braços. Passa a aplicar golpes certeiros em cima deles usando a lâmina de uma faca realmente monstruosa, ocasionando novamente novas chagas paralelas, só que cinco vezes mais profundas!&lt;br /&gt;O som que saía da boca do doutor, seu choro, sua expressão... Eram de fazer o diabo tremer nas bases só de agonia.&lt;br /&gt;- SIM! SIM! MAIS! – e tratou de se dedicar mais ao pescoço, como tinha prometido. Troca de faca. Pega outra, só que dessa vez pequena, e inicia uma série de riscos horizontais ao longo da garganta. O sangue se faz presente num horrendo irrompimento.&lt;br /&gt;-ISSO! – e joga longe sua faca, enquanto tira uma arma calibre 32 da calça. Observa ainda por uns segundos todo o resultado que brotou de seu agoniado modelo por meio de suas mãos e não se contenta: chora!&lt;br /&gt;- Lindo! – e dá um tiro na glabela do doutor. Precisamente na glabela. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-6519339691789077068?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/6519339691789077068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=6519339691789077068' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/6519339691789077068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/6519339691789077068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2011/01/expressao-ii-ou-danca-louca-das-chagas_4337.html' title='Expressão II (ou A dança louca das chagas)'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TTdyMvF1vSI/AAAAAAAAAVA/GS0twWjidXU/s72-c/gritar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-805451122156523663</id><published>2011-01-06T08:28:00.000-08:00</published><updated>2011-01-06T08:39:26.757-08:00</updated><title type='text'>Contrição</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TSXvheuFNhI/AAAAAAAAAL0/K8b64gLKbiU/s1600/perdao1.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 219px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TSXvheuFNhI/AAAAAAAAAL0/K8b64gLKbiU/s320/perdao1.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5559112673519810066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Meu amor, fui um idiota. Eu deveria saber que um dia não suportarias mais minhas ausências. Minhas faltas. Meu amor, te peço perdão por tanta frieza. Por acreditar demais que o que tínhamos era eterno, não me preocupei em cuidar para que assim permanecesse. Não cultivei, apenas mantive. Amor, perdoe por não ter te levado para ver as estrelas. Por não ter te dado um buquê de rosas vermelhas. Pelo perfume que tu gostas e eu não usei. Por não ter elogiado teu vestido novo. Por nem saber que teu vestido, ou teu corte de cabelo, eram novos e pior, achar que isso não fazia diferença. Perdoe por te levar para jantar fora na terceira quinta-feira de todo mês. Perdoe por buscar sexo em ti, quando querias amor. Perdoe quando nem isso busquei. Não, amor, não é nenhuma brincadeira. Nunca falei tão sério. Preciso pedir perdão, preciso que saibas, amada, oh, como eu chorei quando foste embora. Quando deixaste nosso lar e eu vi cada mínima coisa, e senti teu toque em cada coisa e só então entendi aquela música que tanto gostavas e que toquei para ti ao piano quando namorávamos, lembra? Meu Deus, será que ainda sei tocar piano? Aquela música, meu amor, eu vi do jeito que tudo ficou, eu senti a tristeza tão grande nas coisas mais simples que você tocou e percebi que até nossa casa já estava acostumada esperando você. Eu só quis morrer esses dias, amor. Só morrer. Talvez não signifique muito para ti agora, mas limpei os azulejos do banheiro e pintei as portas da casa todas com aquele azul claro que tu querias. Aparei a grama, tudo está tão do jeito que você queria, amor, e muito mais eu posso fazer para que me perdoes. Tudo que quiseres. Não chora, amor. Não chora, por favor. Também está sendo difícil pra mim, mas saibas que se há algo para perdoar de minha parte já foi feito. Sei que nem se compara ao perdão que precisas me dar, mas eu queria que você ficasse ciente disso também. Sabe, amor, me peguei pensando depois que tu foste embora (e esqueceste tanta coisa, amor, tanta coisa tua que ficou lá na nossa casa que eu sabia que no fundo não poderia estar fazendo aquilo a sério) em tudo que fizemos no começo do nosso namoro, de quando consensuamos morar juntos, de nossa felicidade pintando juntos o apartamento, de como morremos de rir ao ver o resultado depois e acabamos tendo que gastar mais que o dobro, comprando mais tintas e contratando um pintor profissional. Que besteira, amor! Mas foram tantas risadas, tantas risadas que, ah, meu amor, só me fizeram chorar esses dias, só chorar mas rindo um tanto também, amor. Só quis morrer, só morrer. Mas morrer não adiantaria, amada, pois eu tenho certeza que minha alma não descansaria com tão grande amor envenenado no peito. Não, amor, não chore e não tente fazer isso, vai se machucar. Por isso que eu tinha que ir lhe procurar, amor, eu decidi que lutaria por ti, por nós. Eu sabia que restava fogo, que ainda havia amor e eu pude comprovar nos teus olhos, vi teus olhos brilharem quando cheguei, mesmo que negasses, mesmo que tu dissesses para eu me retirar, eu só vi amor nos teus olhos e ouvi amor das entrelinhas do que me dizias. Por isso te trouxe de volta à nossa casa, pra tu veres como está tudo aqui, nesse dó que só vendo, só vendo mesmo. Vês? Sim, sei que vês, pergunta boba, ah, meu amor, estou tão feliz que nem sei o que estou dizendo. Deves estar cansada de me ouvir já. Vou te deixar um pouco aqui, amor. Deite um pouco e descanse. Sei que ainda não me perdoaste por inteiro, sei que ainda há rancor, mas sei que logo tudo voltará a ser como antes. Logo, logo, haverá não apenas um pequeno brilho nos teus olhos, mas aquela chama imensa, maior que nós, capaz de incendiar tudo em nós e deitar fogo ao mundo. Quando eu voltar, aposto que muito dessa chave já estará reavivada. Não, amor! Já lhe disse, não chore e não tente tirar essas cordas, isso vai machucar os seus pulsos! Sei que parece desconfortável de início, e esse pano na boca também, mas isso não vai te machucar se você ficar quietinha um pouco. Só um pouco, amor, só o átimo de voltares a amar. Não, não seja boba, sei que ainda não é tempo. Mas o tempo virá. Tenho que ir agora, amor. Mas saiba disso, o tempo virá. E tudo voltará a ser como antes. Não. Agora será ainda melhor do que nunca foi. Eu te amo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-805451122156523663?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/805451122156523663/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=805451122156523663' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/805451122156523663'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/805451122156523663'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2011/01/contricao.html' title='Contrição'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TSXvheuFNhI/AAAAAAAAAL0/K8b64gLKbiU/s72-c/perdao1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-3827021463683850344</id><published>2010-12-18T06:17:00.000-08:00</published><updated>2010-12-19T21:20:38.591-08:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a merda</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TQzEIr8xPQI/AAAAAAAAAUM/nO0MLdxOZvE/s1600/imagem.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 234px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TQzEIr8xPQI/AAAAAAAAAUM/nO0MLdxOZvE/s320/imagem.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5552028094156586242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;                                         &lt;br /&gt;Têm duas coisas que me fazem ficar agoniado só de imaginar para onde estão indo: merda e lixo. Mas, sem dúvidas, a que me dá mais inquietação é a merda, pois não há nada mais nojento do que fezes!(Ok, talvez as baratas rivalizem com elas nessa categoria). E o destino dessas fezes me preocupa. Toda vez que vou defecar me sinto meio que culpado por ‘tá colocando mais bosta no mundo. E multiplique minha bosta por 1 milhão – mais ou menos a quantidade de pessoas que mora em São Luís! Sendo que geralmente cada pessoa elimina cerca de 100 a 150 gramas de fezes por dia, teremos mais ou menos 100.000.000 a 150.000.000 gramas de merda por dia na cidade do reggae! E isso só em São Luís! Agora pense em Fortaleza, em São Paulo, no Brasil, na América do Sul, em todo o mundo! É muita matéria fecal! E eu me pergunto: em todo o lugar elas são devidamente tratadas? Não. Pegando de novo São Luís como exemplo: o que mais temos são prédios perto da Avenida Litorânea jogando toda a bosta do cu da elite no mar! Meu amigo, isso era feito na época medieval! Quando fui à Suíça, estive dentro de um destes castelos dessa época. Essa imagem que acompanha esta crônica mostra como era o esquema para os moradores desse local se verem livres desse material inconveniente: tudo caía no mar. E como é inconveniente! O horror de se estar com vontade de cagar quando se está a quilômetros de distancia de casa é insuperável! Aí o jeito é colocar papel higiênico em volta do assento de um vaso sanitário público (ou se agachar, sem necessariamente se sentar no trono), sentar e deixar o negócio descer, enquanto você fica quietinho no seu canto. Algo bem individual, não é? Pois saiba que no Império Romano, fazer cocô era, pasmem, um meio de sociabilidade! Os banheiros públicos eram perfeitos banheiros coletivos, as latrinas, na qual não existiam cabines privadas. Os cidadãos, de diferentes níveis sociais, evacuavam um do lado do outro, puxando de vez em quando uma conversinha. Mas não, abomino a prática de obrar conjuntamente. A única coisa boa de fazer cocô é justamente ter um tempo bem privado, na qual se tem a chance de poder ler algo interessante (uma revista, um jornal) ou simplesmente ficar pensando na vida. Mas mesmo assim isso tudo eu posso fazer sem ter vontade de descomer (rá! Adorei essa expressão!). O bom mesmo seria se a gente não tivesse mesmo essa vontade. Teríamos economizado papel e não teríamos desperdiçado nosso tempo limpando a bunda. E ‘taí uma coisa que eu reclamaria pra Deus: ele não podia ter dado um jeito das fezes saírem sem precisar se encostar no recôncavo nadegal? Qualquer jeito! Era só ter usado a cabeça só mais um pouquinho! Mas nãããão! Apressado, não pôde esperar mais de sete dias! Deu nisso, nesses pequenos detalhezinhos esquecidos! Mas tudo bem, a gente se vira com o papel higiênico. O complicado era quando não tínhamos nosso tradicional rolo de cada dia. O pessoal usava qualquer coisa que a imaginação podia conceber: tecido de lã, pedaço de pano, sabugo de milho, folhas de árvore, ou a tradicional água – que é, em minha opinião, é a melhor forma de se limpar. Todos esses objetos acabavam virando lixo, como hoje vira o papel higiênico. Aí piorou: até merda vai junto com o lixo. Para piorar ainda mais minha agonia...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem nojento o post de hoje, né? E olha que eu nem falei sobre os coprófilos e coprófagos... Mas fica para uma outra ocasião. Fico por aqui.&lt;br /&gt;Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-3827021463683850344?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/3827021463683850344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=3827021463683850344' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3827021463683850344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3827021463683850344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/12/ensaio-sobre-merda.html' title='Ensaio sobre a merda'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TQzEIr8xPQI/AAAAAAAAAUM/nO0MLdxOZvE/s72-c/imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-7863250783389782141</id><published>2010-12-11T14:12:00.000-08:00</published><updated>2010-12-11T14:16:08.019-08:00</updated><title type='text'>“Is there a reason for today?” (1)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TQP4Fh9wqnI/AAAAAAAAAT0/9yKHaKMex-I/s1600/Bola.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 258px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TQP4Fh9wqnI/AAAAAAAAAT0/9yKHaKMex-I/s320/Bola.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5549551939751029362" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Big-Bang. Tempo, e – ao mesmo tempo – elementos. Matéria, recombinação, estruturas. Médias estruturas. Grandes estruturas. Meio apropriado, afinidade, células. Logo mais, organismos, organismos, organismos. Evolução. Gente. Pré-História. História. Gente. História. O resto (pra poupar tempo). Nove de dezembro. Eu ouvindo Cream na universidade, perto da porta do meu período, esperando o professor entrar para começar a aula. Tempo (pra poupar o resto).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(1)Um dos versos da música “World of Pain”, do Cream, presente no álbum “Disraeli Gears”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-7863250783389782141?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/7863250783389782141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=7863250783389782141' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/7863250783389782141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/7863250783389782141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/12/is-there-reason-for-today-1.html' title='“Is there a reason for today?” (1)'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TQP4Fh9wqnI/AAAAAAAAAT0/9yKHaKMex-I/s72-c/Bola.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-9203045279272440603</id><published>2010-10-19T07:45:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T16:02:36.861-07:00</updated><title type='text'>Quando aparece uma flor - conclusão</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TL2ycPOVEeI/AAAAAAAAALE/8quTy71Dd-Y/s1600/paranoia_by_h_magoria.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 229px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TL2ycPOVEeI/AAAAAAAAALE/8quTy71Dd-Y/s320/paranoia_by_h_magoria.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529772115673551330" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Perdera Ruth de vista, mas sabia exatamente onde ela ia. &lt;br /&gt; Avistou a mulher agachada em frente à porta da casa do amante. Vadia desavergonhada! Era cedo ainda, ele tinha certeza de que as pessoas podiam vê-la. De repente, a porta se abriu e João saiu. Ruth pareceu assustada e no momento que se voltou para sair, Pedro abriu o portão com um chute, já empunhando o revólver:&lt;br /&gt; - Que porra é essa aqui, seus filhos da puta?&lt;br /&gt; Ruth gritou e João empalideceu. Os dois entraram na casa, e Pedro os seguiu, abrindo a porta com violência.&lt;br /&gt; - Calma, mano Pedro!&lt;br /&gt; - Mano é o teu cu, seu traidor sem-vergonha – disse Pedro, atirando em João que caiu no chão da sua sala, berrando de dor.&lt;br /&gt; - E tu, sua vadia? E tu, sua puta? Eu te amei, eu achei que tu me amava!&lt;br /&gt; - Pedro, espera, a gente precisa conversar...&lt;br /&gt; - Conversar é o caralho! – gritou Pedro. Três tiros na mulher que mais amou na vida. Três balas no coração, onde ela o feriu também.&lt;br /&gt; João jazia para um lado e Ruth para outro. Pedro viu o bilhete que Ruth escrevera ainda na soleira da porta. Abaixou-se e o apanhou. Que porra, não saber ler! Mas ele podia ver a palavra lá, aquela palavra que ele aprendera a soletrar por ela&lt;br /&gt; “Pois é, professora, é que a minha mulher que tá me incentivando a estudar, eu queria fazer uma surpresa...”&lt;br /&gt; Amor.&lt;br /&gt; A-M-O-R.&lt;br /&gt; DESGRAÇADA!&lt;br /&gt; Alarmados pelo barulho e pela confusão, muitos homens acudiram à porta. Tomás entrou na frente e viu a cena primeiro:&lt;br /&gt; - Pedro, pelo amor de Deus, o que tu fez?&lt;br /&gt; - Foram eles que pediram, Tomás! Olha o que essa vagabunda escreveu aqui pra esse filho da puta!&lt;br /&gt; Tomás tomou o bilhete das mãos dele e leu. O rosto dele foi perdendo a cor. O papel tremia em sua mão apertada e os dentes dele serravam.&lt;br /&gt; - Tu quer saber o que tem aqui, filho da puta?&lt;br /&gt; Pedro, confuso, olhou interrogativamente para Tomás, que leu:&lt;br /&gt; “João,&lt;br /&gt; Já sei dos seus sentimentos por mim. Já sei o quanto te acostumou a ter todas as mulheres pra ti. Mas não eu. Sou mulher forte. O meu homem é só um e eu seu bem quem ele é: o Pedro. Por favor, não me procura mais. Não vem mais em nossa casa. Não vamos mais pra roda de samba também. Sei que tu não tem culpa do que sente, nosso coração não escolhe. Mas entenda que se o teu coração escolheu me amar, eu nunca vou poder te amar de volta. Todo o meu amor é pro Pedro, meu único e grande amor”.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Vinte anos depois, o homem está sentado na cadeira de balanço. Os anos na prisão e a surra que levou naquele dia fatídico, da qual nem tentou se defender, o deixaram envelhecido e debilitado. Estava doente do corpo, mas acima de tudo estava doente da alma. Todo dia amaldiçoava a polícia por ter tirado a multidão de cima dele e a sua covardia em não conseguir ele próprio dar um fim na sua vida. Virara um escarro do que já era, ali naquela cadeira de balanço, com seu cobertor e seus fantasmas.&lt;br /&gt; Naquele fim de tarde, ele veio. Manco, apoiado numa bengala, tão velho quanto ele, mas o pandeiro traía sua identidade. Chegou e se sentou ao seu lado, em silêncio. E assim ficaram muito tempo, até que Pedro disse, com a voz cansada:&lt;br /&gt; - Puxe pra mim o “Samba do grande amor”, mano João?&lt;br /&gt; O outro puxou o pandeiro e cantou bem baixinho:&lt;br /&gt; - “Tinha cá pra mim que agora sim eu vivia enfim um grande amor... mentira.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Desculpem a demora e obrigado pela paciência!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: Esse texto tem livre inspiração em um excelente cordel do Zé da Luz, que pode ser encontrado aqui: http://www.fernandodannemann.recantodasletras.com.br/visualizar.php?idt=1211493 Obrigado por me passar o endereço e atentar para isso, Arnaldo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-9203045279272440603?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/9203045279272440603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=9203045279272440603' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/9203045279272440603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/9203045279272440603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/10/quando-aparece-uma-flor-conclusao.html' title='Quando aparece uma flor - conclusão'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TL2ycPOVEeI/AAAAAAAAALE/8quTy71Dd-Y/s72-c/paranoia_by_h_magoria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-1832538258869335226</id><published>2010-10-13T11:40:00.001-07:00</published><updated>2010-10-13T13:01:23.753-07:00</updated><title type='text'>Quando aparece uma flor</title><content type='html'>João?&lt;br /&gt; - João?&lt;br /&gt; Os dois ficaram lívidos quando viram Pedro irromper pela porta da sala de estar.&lt;br /&gt; - João veio jantar conosco, meu bem – disse Ruth, rápida.&lt;br /&gt; - Aah... que bom... tudo bom, mano João?&lt;br /&gt; - Beleza, mano Pedro! E tu, tudo beleza?&lt;br /&gt; - Tudo. Bora jantar então?&lt;br /&gt; - Espera, ainda não terminei! Sentem aí um pouco que não demora!&lt;br /&gt; - Ainda não? Poxa, meu bem...&lt;br /&gt; - Só um pouco de paciência, não vai demorar...&lt;br /&gt; Ela correu para a cozinha. Pedro foi também desenterrar uma cerveja do congelador para ele e João molharem a garganta antes do jantar. Disputou espaço com Ruth, que tirava umas batatas da geladeira para lavar e descascar.&lt;br /&gt; - Ainda nem começou a preparar?&lt;br /&gt; - É que eu saí tarde do hotel...&lt;br /&gt; - Não é melhor comermos em algum lugar?&lt;br /&gt; - Imagina, isso é rápido!&lt;br /&gt; Pedro foi para a sala beber com João. Uma hora depois, os três jantaram mas, por alguma razão, as risadas e conversas estavam sem gosto. Naquele dia, João não ficou para assistir TV depois de comer.&lt;br /&gt; No domingo, a roda de samba era especial. Estavam comemorando o aniversário de Tomás, amigo querido de todos, e que ainda por cima estava bancando a cerveja, enquanto todos contribuíram para o churrasco. A carne, é claro, tinha acabado há muito tempo, mas cerveja não parava de descer. Pedro e Ruth pararam de beber cedo, porque tinham que trabalhar no outro dia e não queriam amanhecer de ressaca. João, contudo, não tinha essas restrições:&lt;br /&gt; - Desce mais pro tocador não parar!&lt;br /&gt; E continuava a animar a todos na roda. De repente, sem que ninguém esperasse, ele virou para Ruth:&lt;br /&gt; - Essa aqui tu gosta, Rutinha! &lt;br /&gt; A moça ficou um tanto desconcertada.&lt;br /&gt; - Como?&lt;br /&gt; - É, essa é pra ti! Canta aí, galera! “Água da minha sede”!&lt;br /&gt; E começou a fazer dançar o pandeiro cantando a plenos pulmões. Pedro, que estava conversando com Tomás, parou para observar como João dançava e pedia que Ruth cantasse com ele.&lt;br /&gt; “Quando você sambou na roda, fiquei a fim de te namorar...”&lt;br /&gt; Ruth estava cada vez mais vermelha e fingia conversar com as amigas mais próximas sem conseguir disfarçar o mal estar.&lt;br /&gt; “O meu amor é passarinheiro, ele só quer passarinhar...”&lt;br /&gt; Pedro puxou mais um copo de cerveja, diante da surpresa de Tomás e Alváro, que se juntara aos dois. “Não tinha parado, companheiro?”&lt;br /&gt; “Seu beijo é um alçapão, seu abraço é uma gaiola...”&lt;br /&gt; Talvez pelo impulso do álcool misturado com a raiva, Pedro disse, sem tirar os olhos de João: &lt;br /&gt; - Acho que Ruth tá me botando chifre.&lt;br /&gt;  - Deixe disso, rapaz! – cortou Tomás – Todo mundo sabe que Ruth te ama. Boa moça como essa tu não encontra em lugar nenhum.&lt;br /&gt; - É boa moça, mas isso não garante que seja fiel – tornou Álvaro – Minha ex-mulher era muito prestativa, cuidava da casa, dos filhos... mas me traiu também. Dei uma coça que a miserável nunca esqueceu. Só não matei por causa das crianças. Mas tu, cumpadi! Tu não tem filho! E eu também to achando estranha essa amizade de João e Ruth...&lt;br /&gt; - Como você sabe que eu to desconfiado é do João? &lt;br /&gt; - Rapaz, tá muito na cara... tu tem é que resolver isso como macho... se tu quiser, te empresto meu revólver...&lt;br /&gt; - Álvaro, para com isso! – interrompeu Tomás, assustado – Olha, Pedro, não vai pela cabeça dele. Nada se resolve assim e depois, tenho certeza que isso é coisa da tua cabeça.&lt;br /&gt; - É sim. E é chifre! – debochou Álvaro.&lt;br /&gt; Pedro nada disse a mais. Apenas terminou o copo de cerveja e foi pra casa, deixando que Ruth o seguisse depois.&lt;br /&gt; Uns dias depois, Pedro chegou cedo do serviço e encontrou Ruth escrevendo algo. Não sabendo exatamente porque fazia isso, ele se escondeu atrás da parede do lado da casa. Ruth saiu com o papel dobrado na mão. Com o diabo lhe soprando aos ouvidos, Pedro correu para a segunda casa vizinha, a de Álvaro.&lt;br /&gt; - Cumpadi, me empreste aquele teu revólver.&lt;br /&gt; Perdera Ruth de vista, mas sabia exatamente aonde ela ia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Concluo no próximo post. Juro que não tô fazendo isso de propósito!)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-1832538258869335226?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/1832538258869335226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=1832538258869335226' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1832538258869335226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1832538258869335226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/10/quando-aparece-uma-flor_13.html' title='Quando aparece uma flor'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-4452866696023714096</id><published>2010-10-07T14:53:00.001-07:00</published><updated>2010-10-07T14:55:18.177-07:00</updated><title type='text'>Quando aparece uma flor</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TK5BvPh__tI/AAAAAAAAAK8/IgMt4ZrGUV8/s1600/samba_01.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TK5BvPh__tI/AAAAAAAAAK8/IgMt4ZrGUV8/s320/samba_01.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5525426072708972242" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; - Canta comigo, mano Pedro?&lt;br /&gt; O ânimo da roda arrefeceu. Pedro era um cantor terrível. Voz medonha, nenhuma idéia do que fosse ritmo – era daqueles que não servia nem para bater palmas. E ele sabia disso.&lt;br /&gt; - Acho melhor não, João...&lt;br /&gt; - Deixe de frescura, homi! Cante!&lt;br /&gt; João, por outro lado, era um exímio tocador de pandeiro e cantava como ninguém ali. Chegava na roda e fazia miséria. Não havia canção que o diabo do homem não acompanhasse. E tocava e cantava com uma voz bela e poderosa, deixando a todos maravilhados.&lt;br /&gt; O problema era Pedro, que nunca saía de perto de João, que por sua vez fazia questão que ele acompanhasse as músicas. Pedro provavelmente sabia todas as letras de música do mundo. Certo, isso é um tanto exagerado... mas, para a infelicidade de todos, também parecia não haver música que Pedro não soubesse cantar junto – ele se esforçava para que isso parecesse natural, quando na verdade ele passava horas a fio ouvindo as músicas incansavelmente para não fazer feio na roda. Claro que, no caso dele, isso estava longe de bastar. E ele ficava puto de ver que João, sem esforço, se saía melhor que ele. E olha que fora Pedro que apresentara João a todos, quando este chegou ao bairro.&lt;br /&gt; “Ei pessoal! Esse aqui é o João, acaba de se mudar pra cá. Falei pra ele da roda, ele tá a fim de entrar também. Parece que ele arranha legal um pandeiro”.&lt;br /&gt; Inferno!&lt;br /&gt; João estava longe de desconfiar dos ciúmes de Pedro. Considerava o amigo um homem honesto, trabalhador e inteligente. Ele era só um “boa vida”, sem jeito pra nada, não parava em emprego algum. Pedro tinha o respeito e admiração de todos na comunidade; João só os tinha na roda de samba. Pedro tinha tudo o que João não tinha: Pedro tinha Ruth.&lt;br /&gt; Desde que a vira a primeira vez na roda, João ficou maravilhado. Ruth era incrivelmente linda e, como ele e Pedro, sabia todas as músicas na ponta da língua. Pouco sambava, preferia ficar sentada conversando com os mais próximos, bebericando um copo de caipirinha e acompanhando as suas músicas prediletas – as quais João não tardou a memorizar, para puxar sempre:&lt;br /&gt; - “Flor-de-lis”, Ruthinha!&lt;br /&gt; A moça cantava contente:&lt;br /&gt; - “Valei-me Deus, é o fim do nosso amor...”&lt;br /&gt; Mas por maiores que fossem os seus esforços, por mais que todas as outras mulheres vivessem caindo aos seus pés, foi justamente o tímido Pedro que despertou o afeto de Ruth. Ele não sabia o que tinha feito de bom, mas quando Ruth pediu que ele fosse à sua casa buscar um pedaço de bolo de fubá que ela havia feito e confessou o que sentia por ele, Pedro pela primeira vez experimentou aquelas sensações das músicas que ouvia.&lt;br /&gt; Dois anos depois, Pedro e Ruth já moravam juntos, para escândalo da família dela, que não aceitava aquela união sem casamento. Mas eram os únicos que pensavam dessa maneira; todos sorriam ao ver os dois passando de manhã, juntos, para a parada de ônibus – ela para o hotel em que trabalhava como recepcionista, ele para o canteiro de obras. Graças a Deus, não estava faltando emprego pra nenhum dos dois ultimamente. Pedro, por incentivo de Ruth, começara a freqüentar a escola à noite e, devagarinho, aprendia a ler e escrever, com ela tomando a lição assim que ele chegava em casa. Falavam em ter filhos, mas não pra agora. Falavam em reformar a casa, em parte com o dinheiro do aluguel da casa de Ruth, em parte com uns bicos que Pedro fazia no final de semana pela vizinhança e que estavam rendendo um bom dinheiro. E no fim do domingo, iam os dois para a roda de samba.&lt;br /&gt; João continuava o mesmo. Tinha impressão de que todos à sua volta cresciam e mudavam, e ele ainda ali, enquanto o mundo girava mais veloz que seu pandeiro. Via a felicidade de Pedro e Ruth e lhe repugnava perceber o quanto ela o incomodava. Tentou sufocar o sentimento de todas as formas. Tentou samba, poesia, orgia e bebida. Tentou até igreja uma vez, mas logo viu que aquilo não era para ele. Mas o que ele queria não era para ele. A não ser que ele roubasse. E foi quando João começou a perder seus escrúpulos.&lt;br /&gt; Voltou a jogar charmes para Ruth na roda. Frequentava a casa com a desculpa de ver Pedro, ficava para o jantar, para assistir TV até mais tarde. E se insinuava compulsivamente para a mulher. Pedro nada percebia, mas Ruth sim. No começo, ela pensou que fosse loucura: aquele era o melhor amigo do seu homem! Mas sim, as investidas de João eram cada vez mais claras e ela não tinha mais dúvidas das suas intenções.&lt;br /&gt; Depois de um dia particularmente cansativo na construção, Pedro voltava. Ruth tinha prometido fazer escondidinho de carne naquele dia e ele andava quase correndo para comer a excelente comida da mulher. O que ele não esperava era ouvir duas vozes lá dentro:&lt;br /&gt; - ... ele já está quase chegando, por favor, vá se embora!&lt;br /&gt; - Espera, deixa eu ficar mais um pouco...&lt;br /&gt; João?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Continua no próximo post)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-4452866696023714096?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/4452866696023714096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=4452866696023714096' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4452866696023714096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4452866696023714096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/10/quando-aparece-uma-flor.html' title='Quando aparece uma flor'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/TK5BvPh__tI/AAAAAAAAAK8/IgMt4ZrGUV8/s72-c/samba_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5911536632573712670</id><published>2010-09-21T16:56:00.000-07:00</published><updated>2010-10-06T09:03:38.682-07:00</updated><title type='text'>A gramática, a física e a filosofia da bateria</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TJlG4ghjViI/AAAAAAAAATk/rsO6Xlr2Cqw/s1600/Bateria_gram%C3%A1tica.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TJlG4ghjViI/AAAAAAAAATk/rsO6Xlr2Cqw/s320/Bateria_gram%C3%A1tica.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5519520754936534562" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Neil Peart, lendário baterista do Rush, disse certa vez que há uma relação, talvez não reconhecida, entre bateria e as palavras, devido à estrutura do ritmo e da frase. Concordo. Ritmo tem a ver com a disposição dos sons, mais precisamente com as divisões do fluir destes dentro de uma ordem específica. "Quando falamos em ritmo, supomos sempre uma ordenação que implica uma certa regularidade (periodicidade) de elementos se não iguais, pelo menos comparáveis” (KIEFER, 1987: 23). Ou, como disse Aristóxeno, discípulo de Aristóteles , o ritmo é “uma ordem na repartição das durações”. O arranjo das palavras ao longo das frases obedece ao mesmo esquema. Todo texto funciona como uma grande partitura. Cada frase representa cada compasso. E cada um desses compassos tem unidades de tempos próprias, particulares, que vão formar unidades integradas que terão que obedecer a certa estética rítmica para que o conjunto soe bem. A lógica de um (bom) texto é essa. E isso José Saramago confirmou: “quando estou a escrever, não estou a pensar obsessivamente nisso. Simplesmente acontece. É eu sentir, por exemplo, que uma determinada frase em que já disse tudo quanto tinha para dizer, do ponto de vista musical, no sentido do compasso que tem que desenvolver, tem de terminar. Um, dois, três, quatro: quer dizer, tem que acontecer isso. Também tem de acontecer isso na própria frase que está a ser escrita. E pode acontecer que do ponto de vista do sentido já esteja tudo completo, mas que a frase necessite de três ou quatro palavras mais que não acrescentam nada, que não vão acrescentar rigorosamente nada, mas que são necessárias para que o último tempo do compasso caia e repouse”. Convenhamos: Saramago seria um bom baterista. Tudo o que ele precisaria era transpor sua maneira de escrever para o ato de tocar bateria. Distribuiria notas como ninguém, sem pecar no excesso nem na falta. É lógico (e é bom frisar isso) que, ok, normalmente, bateristas lidam mais com compassos que possuem a mesma quantidade de tempos, admito, mas acredito que a analogia ficou bem aplicada: as frases de um texto não possuem a mesma extensão, necessariamente.    &lt;br /&gt;Além de nutrir relações com a gramática, a bateria também possui um pequeno flerte com a física. Explico: quando um baterista executa um groove, uma levada, ele, além de impor certo andamento ao restante dos músicos que o estão acompanhando, promove um “corpo material” ao som que está sendo tocado. Gosto de imaginar a bateria como se fosse o Bóson de Higgs da música: ela dá “materialidade” à musica que a banda toca, da mesma forma que o baixo dá densidade, se formos pegar outro exemplo. Não que o som da bateria ou do baixo sejam estritamente necessários para se fazer música. A bateria, por exemplo, só foi inventada no séc. XX e nem por isso deixaram de compor, obviamente! Mas entendam: eles serão necessários quando a música em si pedir que sejam necessários. Sem bateria a música “Burn”, do Deep Purple, por exemplo, não teria a força que tem. Ou seja: a música demonstrou ser preciso ter uma bateria para que a composição ganhasse vida de fato! Mas pelo amor de Deus, não pensem que estou dignificando a bateria em detrimento dos outros instrumentos. Só estou mostrando que no meio musical é preciso ter sensibilidade pra saber o que pode dar certo ou não, no que diz respeito à sonoridade. Música com “corpo” não é melhor que música “sem corpo” e vice-versa. Esta minha analogia foi uma mera elucubração a serviço de minha diversão intelectual. &lt;br /&gt;E a filosofia? Sim, sim, já ia me esquecendo: a bateria também tem uma boa relação com a filosofia. Sempre me lembrarei do que Schopenhauer disse, na sua obra “O mundo como vontade e representação”, sobre os tons graves, coisa que pode ser facilmente estendida à bateria também. Diz ele que “o baixo contínuo é na harmonia o que no mundo é a natureza inorgânica, a massa mais bruta, sobre a qual tudo se assenta e a partir da qual tudo se eleva e desenvolve” (2005: 339). Em outras palavras: sem a terra não há o céu! Isso tem muito a ver com o que eu tinha dito anteriormente: baixo e bateria se comportam como matéria e densidade.&lt;br /&gt;Tudo bem, acredito que depois dessa não vão acreditar que eu não esteja dignificando a bateria ou o baixo. Mas repito, não estou! Vejam bem. Estou apenas fornecendo a devida atenção a dois instrumentos interessantíssimos. Mas, querendo (agora sim) puxar a brasa pra sardinha da bateria (me perdoem pela expressão clichê), coloco aqui, para finalizar, uma bela citação do grande baterista de jazz, Art Blackey: “o instrumento mais próximo da alma humana é a bateria, porque se o seu coração não bate mais você está morto. Se você não andar no ritmo, não consegue andar. Você precisa mastigar sua comida no ritmo. Todas as coisas têm um ritmo próprio”. Belas palavras, &lt;em&gt;mister &lt;/em&gt; Blackey, belas palavras!&lt;br /&gt;REFERÊNCIAS:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;KIEFER, Bruno. &lt;strong&gt;Elementos da linguagem musical.&lt;/strong&gt; 5. Ed. Porto Alegre, Movimento/Brasília/Instituto nacional do Livro – MEC/1987.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SCHOPENHAUER, Arthur. &lt;strong&gt;O mundo como vontade e como representação.&lt;/strong&gt; Tradução, apresentação, notas e índices de Jair Barboza. – São Paulo: Editora UNESP, 2005. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revista Bravo!, ano 2, nº 21, junho 1999. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coleção Folha: clássicos do jazz, v. 5.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DVD "Rush: Exit... Stage Left".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5911536632573712670?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5911536632573712670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5911536632573712670' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5911536632573712670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5911536632573712670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/09/gramatica-fisica-e-filosofia-da-bateria.html' title='A gramática, a física e a filosofia da bateria'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TJlG4ghjViI/AAAAAAAAATk/rsO6Xlr2Cqw/s72-c/Bateria_gram%C3%A1tica.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-1235770915237698597</id><published>2010-09-05T23:58:00.000-07:00</published><updated>2010-09-06T00:06:48.616-07:00</updated><title type='text'>Marcas</title><content type='html'>Meu sangue é vermelho&lt;br /&gt;Meu sangue é preto&lt;br /&gt;Meu sangue é azul&lt;br /&gt;Cinza. Amarelo. Verde. Laranja.&lt;br /&gt;Meu sangue é da cor que a pena resolve jorrar.&lt;br /&gt;Às vezes ele falha, anêmico.&lt;br /&gt;Às vezes não se vê mais que suas marcas no papel&lt;br /&gt;mas ele marca.&lt;br /&gt;O sangue sempre marca, por gotas que sejam.&lt;br /&gt;E eu continuo a jorrar meu sangue multicolor&lt;br /&gt;na esperança de marcar.&lt;br /&gt;E não é essa a esperança de todos nós?&lt;br /&gt;Meu papel eu faço&lt;br /&gt;Meu sangue é tinta&lt;br /&gt;Minha luta é minha&lt;br /&gt;Meu sonho é unir&lt;br /&gt;papel, sangue, luta&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu sonho é marcar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-1235770915237698597?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/1235770915237698597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=1235770915237698597' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1235770915237698597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1235770915237698597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/09/marcas.html' title='Marcas'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-8552582197110156560</id><published>2010-07-22T07:45:00.000-07:00</published><updated>2010-09-21T17:04:33.937-07:00</updated><title type='text'>Descartes Soul Band</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TEha0sdH1gI/AAAAAAAAASE/zw70_HuRoVA/s1600/Alma.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 312px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TEha0sdH1gI/AAAAAAAAASE/zw70_HuRoVA/s320/Alma.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5496743206538696194" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Descartes teve mais certeza que a alma existia quando ouviu James Brown pela primeira vez. Rendeu-se, pois, de imediato, ao caminho subjetivo da análise da existência do espírito, como ele mesmo disse. Não que ele tenha renegado todo seu empreendimento racionalista, característico de sua filosofia, mas que o reforçou com mais um elemento: o funk. Sim! É impossível alguém que tenha alma não se deixar levar por esse estilo. “Posso dizer que um não vive sem o outro. Se penso, sou, antes de tudo, um ser que pensa. Se sou um ser pensante, sou algo, sim, sem dúvidas; Um algo que possui uma essência, a alma - a substância pensante -, a qual é necessária para se criar o funk, que retroalimenta, por sua vez, a própria alma com um frisson incomparável e energético”, comenta, brilhantemente, Descartes.  E emenda: “Sendo assim: penso, logo soul!” , fazendo referencia a soul music, nome que se dá ao conjunto da música afro-americana, na qual o funk está incluso. E foi a partir daí que o filósofo francês teve a inspiração para criar o nome de sua banda de funk, a Descartes Soul Band, que conta com a participação do filósofo e matemático holandês Isaac Beekman no contrabaixo e do teólogo e erudito Marin Mersenne na guitarra. Descartes, para completar, é o vocalista e o baterista. “E por que bateria?, você me perguntaria”, afirma René. “Porque não há instrumento que melhor represente minha filosofia do que a bateria. Ela é a base, a espinha dorsal! É ela quem sustenta a música feita por minha banda, assim como meu ‘cogito, ergo sum’, que sustenta todo o meu raciocínio da busca pelos princípios fundamentais que se pode conhecer como sendo verdade sem qualquer sombra de dúvida. Ele é o meu ponto de partida indubitável, em cima do qual estruturei minhas conclusões, como a certeza da existência da alma – por isso uma ‘soul band’! –,da existência de Deus e da veracidade do mundo externo”. &lt;br /&gt;O processo de composição se baseia em jam’s – ou nos improvisos, para os leigos. “Descartes sempre nos vem com uma levada de bateria pronta”, afirma Beekman. “Ele tem um método próprio para ver se suas levadas são boas ou não: ele nega todas as que faz, dizendo de antemão que são ruins, encarnando um extremo perfeccionismo. Depois, toca-as de novo num estúdio fechado, uma por uma, durante uns 3 minutos, e, por meio de sua intuição, escolhe as que mais tocaram sua alma. Logo em seguida, então, ele nos mostra as levadas selecionadas e improvisamos horas a fio em cima delas. Raramente eu ou o Mersenne vimos com uma idéia de baixo ou de guitarra já pronta. Até porque ele, Descartes, raramente aceita. Tudo, segundo ele, tem que partir da bateria. Não discordamos, até porque René nos deixa à vontade para improvisar o que quisermos – mas dentro das levadas dele. E ele, quando gosta muito de uma levada, a repete em mais de cinco músicas, por exemplo”.&lt;br /&gt;O primeiro álbum da banda será lançado dentro de alguns meses. Será intitulado de “Penso, logo soul” e terá a participação especial do naipe de metais da banda “Kool &amp; the Gang”. “Uma banda de funk sem metais fica um tanto manca”, explica Mersenne. E continua: “Sendo assim, convidamos o pessoal da ‘Kool &amp; the Gang’ para nos dar uma força. As músicas estão ótimas, com um suingue irresistível. Aconselho qualquer um a nos ouvir, o som é de primeira”.&lt;br /&gt;Três singles da banda já estão sendo vendidos pela internet: “Das coisas que se pode colocar em dúvida” (que por sinal é o nome do primeiro capítulo do livro ‘Meditações Metafísicas’ de Descartes), “Aqueça minha alma, honey” e “Wake Up (I feel like being a thinking machine)”. A segunda já está em sexto lugar nas paradas européias e em sétimo nas norte-americanas, provando que “Penso, logo soul” tem certo potencial para conquistar o público. “Sabemos que a indústria fonográfica está passando por momentos difíceis. Por isso mesmo estamos nos adaptando a essa nova era do mercado musical, lançando e vendendo músicas pela internet, produzindo clipes e jogando-os no youtube, etc”, enfatiza Descartes. “Construir um público fiel é nosso objetivo. Não é tarefa fácil, eu sei disso. Já me chamaram até de doido por tentar entrar no meanstrean com a música funk. Mas estamos razoavelmente bem posicionados nos EUA e na Europa. Vamos ver até onde isso vai dar”, pontua, com a grande coragem dos artistas que não têm medo de arriscar. &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;. &lt;br /&gt;Fontes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://oficinadefilosofia.wordpress.com/2007/01/23/a-importancia-das-meditacoes-de-descartes/&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;http://filosoque.blogspot.com/2010/03/descartes-meditacoes-metafisicas.html&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;STRATHERN, Paul. &lt;strong&gt;Descartes em 90 minutos.&lt;/strong&gt; Tradução: Maria Helena Geordane. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1997.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse foi um dos jeitos que encontrei pra demosntrar meu amor ao funk (o americano, o original!) e à bateria. Aproveito pra agradecer ao Fóssil, que criou o trocadilho "penso, logo soul" e me mostrou, inspirando-me. Valeu, bicho! E espero, mais uma vez, que vocês, leitores, gostem desse texto (ele virou um dos meus favoritos). Até o próximo post, grande abraço!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-8552582197110156560?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/8552582197110156560/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=8552582197110156560' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/8552582197110156560'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/8552582197110156560'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/07/descartes-soul-band.html' title='Descartes Soul Band'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TEha0sdH1gI/AAAAAAAAASE/zw70_HuRoVA/s72-c/Alma.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-8494520541133586048</id><published>2010-07-15T09:05:00.000-07:00</published><updated>2010-07-15T09:33:23.735-07:00</updated><title type='text'>Audição de monólogos: a experiência</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TD84R8nlTEI/AAAAAAAAAR8/nuibzbjwKE8/s1600/Penso.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 234px; height: 320px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TD84R8nlTEI/AAAAAAAAAR8/nuibzbjwKE8/s320/Penso.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5494171951396375618" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Outro dia descobri uma coisa bastante ululante. Ou melhor, redescobri. O que significa que comecei a elaborar teorias, no lugar de apenas contemplar tal coisa. Declaro: simplesmente, sou um exímio especialista em monólogos. Simplesmente. Não em fazê-los, sublinho, mas em sustentá-los, o que é uma condição bastante ingrata. Não me orgulho em nenhum momento disso, mas a verdade precisa ser desabafada: muitas vezes, do outro lado da conversa, apenas dei suporte para locução de segundos e terceiros. Não que eu goste disso, e nem me apetece que você, leitor, comigo, possua exclusivamente o poder da fala; Mas funciono intelectualmente só em determinados meios, em determinadas circunstâncias, com determinadas pessoas. E qual é meu repertório, nessas horas em que pareço não ligar em dar minha contribuição?&lt;br /&gt;- Sei, sei...&lt;br /&gt;- Sim, entendo.&lt;br /&gt;- Pode crer...&lt;br /&gt;- Porra, é foda mesmo.&lt;br /&gt;- Compreendo.&lt;br /&gt;- Eu avalio.&lt;br /&gt;- Aham.&lt;br /&gt;- Mas e isso?...&lt;br /&gt;- Hum (...).&lt;br /&gt;- Eu saco, bicho. &lt;br /&gt;- Certo.&lt;br /&gt;- Sim, esse é o grande lance.&lt;br /&gt;É difícil, caro leitor. E convenhamos: é uma arte. Uma arte ingloriosa, se me permite dizer. Uma arte estranha. Uma arte solidária (ou falsamente solidária, para muitos, ou todos, quem sabe). Uma arte preguiçosa, mas necessariamente ativa, pois é necessário indicar novos caminhos para onde vai a “conversa” (caso seu interlocutor não tenha o dom para puxar assuntos). Uma arte paciente. Uma arte incompreensível e, por fim, uma arte arriscada: se você se atrever voluntariamente ou involuntariamente, vitima da situação e/ou refém de sua própria subjetividade, a querer experimentar essa prática, saiba dosá-la, pois se não, você será tomado como sem criatividade, chato e sem conteúdo, o qual, sem dúvida, não é nosso objetivo. O objetivo é claro: falar o mínimo, mas com elegância, naquelas horas em que você simplesmente quer apenas falar o mínimo, e ainda, ao mesmo tempo, apreender, como bônus, alguma informação ou comentário interessante. Isto é: se você também tiver a sorte de ter uma pessoa que não se importe em falar 90% das vezes. Pronto, eis minha contribuição de hoje. Mas se você achou que esta crônica é uma das mais esquisitas e de mau gosto que você já leu em sua vida, marque uma conversa comigo. Quero ouvi-lo. &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, eu disse que o próximo texto seria sobre Descartes. Mas fiz logo esse e pronto. Descartes fica pro próximo post. Até lá. Grande abraço!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-8494520541133586048?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/8494520541133586048/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=8494520541133586048' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/8494520541133586048'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/8494520541133586048'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/07/audicao-de-monologos-experiencia.html' title='Audição de monólogos: a experiência'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TD84R8nlTEI/AAAAAAAAAR8/nuibzbjwKE8/s72-c/Penso.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-4641367498052686319</id><published>2010-07-06T13:18:00.000-07:00</published><updated>2010-07-09T07:30:17.547-07:00</updated><title type='text'>Kierkegaard na Porta dos Desesperados</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TDOS_DXXGFI/AAAAAAAAARU/o4-CtQdmia0/s1600/kierkegaard-2.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 229px; height: 229px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TDOS_DXXGFI/AAAAAAAAARU/o4-CtQdmia0/s320/kierkegaard-2.gif" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490893982627469394" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Kierkegaard na Porta dos Desesperados do Sérgio Malandro. Trilha de fundo: “O Fortuna”, parte da cantata “Carmina Burana”, de Carl Orff. &lt;br /&gt;- Vamos lá, Kiki! Qual das três portas que você quer abrir? &lt;br /&gt;- Humm... Estou pensando...&lt;br /&gt;- Vamos com calma, vamos com calma, Kiki! Se lembre que atrás de um dessas portas está a “certeza de tudo”, meu chapa! A “certeza de tudo”, Kiki! &lt;br /&gt;- Hum... &lt;br /&gt;- Você não gostaria de ter a “certeza de tudo”, Kiki?&lt;br /&gt;-Hum... &lt;br /&gt;- Ele está desesperado, ele está desesperado, pessoal! Close nele, close nesse rapaz! Olhem só a agonia dele!&lt;br /&gt;- Hum...&lt;br /&gt;- Ele está desesperado! Você está desesperado, Kiki? ‘Tá desesperado? Então grita!&lt;br /&gt;-Hum...&lt;br /&gt;- Grita, Kiki!&lt;br /&gt;-Hum...&lt;br /&gt;- Mata mosquito! Mata mosquito!&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- Vamos abrir a Porta dos Desesperados! Maestro, que rufem os tambores! &lt;br /&gt;“Qual porta? O sucesso da minha escolha está além do alcance da minha volição. Não há critérios seguros pelos quais eu poderia seguir. Estou totalmente à mercê do acaso, do que é externo a mim...”&lt;br /&gt;- Kiki, qual porta você vai abrir?&lt;br /&gt;“Vejo-me sufocado pela alternativa de me entregar, nem que seja por três segundos, aos caprichos de uma escolha encravada na maneira estética de viver a vida...”&lt;br /&gt;-Kiki?!&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Lort!”* &lt;/em&gt;  &lt;br /&gt;- Qual será...&lt;br /&gt;“Esta é a opção: entregar-me ao ato subjetivo último, a fé!”&lt;br /&gt;-... a porta...&lt;br /&gt;“Mas qual porta?”&lt;br /&gt;-... que você vai escolher?&lt;br /&gt;- A terceira!&lt;br /&gt;- Então vai! Vai! Abre que o prêmio é teu! &lt;br /&gt;Kierkegaard fechou os olhos. Deu uma expirada digna e farta e lançou-se a abrir a porta número 3. &lt;br /&gt;Abriu. Ganhou um videogame.&lt;br /&gt;- Um videogame! Muito bom, Kiki! Próximo da platéia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Lort: bosta, em dinamarquês.&lt;br /&gt;___________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FINAL ALTERNATIVO&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Kierkegaard fechou os olhos. Deu uma expirada digna e farta e lançou-se a abrir a porta número 3. &lt;br /&gt;Abriu. Ganhou um videogame.&lt;br /&gt;- Um videogame! Muito bom, Kiki! Próximo da platéia?&lt;br /&gt;“Lort! Torpe escolha!”&lt;br /&gt;- Outro da platéia! Você, menino! Sim, você, venha cá! Qual seu nome?&lt;br /&gt;- Jean.&lt;br /&gt;- ‘Tá nervoso, menino?&lt;br /&gt;- Aham! &lt;br /&gt;- ‘Tá nervoso? Então grita!&lt;br /&gt;- AAAAAHHHH!&lt;br /&gt;-Grita!&lt;br /&gt;-AAAAAHHHHHH!&lt;br /&gt;- Jean, você já sabe qual é o prêmio máximo. Já escolheu a porta que você vai abrir?&lt;br /&gt;-Aham! É a primeira!&lt;br /&gt;- Então vai, abre que o prêmio é teu!&lt;br /&gt;E abriu. Reluzindo inocentemente dentro do compartimento, e acomodado em uma almofada dourada de ceda, estava a “certeza de tudo”. E reluzindo ao prêmio máximo, estavam os olhos e os dentes de Jean, os quais tiveram sua importante participação na elaboração de um sorriso assaz ardiloso.  O menino foi rápido: suas mãos já estavam no travesseiro do cobiçado galardão enquanto o próprio Sérgio Malandro gritava:&lt;br /&gt;- Ganhou! Jean ganhou a “certeza de tudo”!ELE GANHOU!&lt;br /&gt;“Não! Bastardo! Patife! Tratante!”&lt;br /&gt;E enquanto Kierkegaard xingava Jean mentalmente, o menino erguia orgulhosamente a almofada com o  prêmio para uma platéia animada e invejosa. Curtia, e curtia bem seus 16 minutos de fama, sabendo que logo mais, na privacidade de sua casa, desfrutaria aquele presente. Temos que conveniar com tal fato: para uma criança, já era bem consciente das coisas. Bem consciente (...). Kierkegaard, fulo da vida, deixou-se levar por sua inveja colérica e se jogou em cima do menino a fim de tirar à força o “cobiçado de todos”. Na confusão, Jean acaba por deixar cair o prêmio, o qual se quebra em dois pedaços iguais, os quais ficam bem distantes um do outro no chão. O filósofo dinamarquês desespera-se. Apressa-se a capturar ambas as partes, enquanto o menino tenta atrapalhá-lo, puxando as pernas assimétricas dele. Com a posse de uma das partes, trata logo de procurar a outra, que poderia estar em qualquer canto. Avista-a, depois de alguns segundos, logo em baixo de uma das câmeras do programa. Corre, afoito, para pegá-la. Jean, no entanto, mostra-se mais ágil e derruba-o. Kierkegaard cai feio e deixa cair a parte que já estava em suas mãos, fazendo-a quebrar-se em centenas de pedaços. O menino, puto com tudo o que aconteceu, vai para um canto e começa a chorar. Sérgio Malandro não sabe o que falar. E as câmeras apenas se limitam a filmar aquele pobre filósofo, enquanto ele, pateticamente, tenta ajuntar pequenas meias-verdades (...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei em dúvida entre os finais. Como esse é um dos poucos casos em que eu posso realmente escolher as duas coisas, por que não colocar os dois, né? Espero que vocês gostem. O próximo post será sobre Descartes. Até lá. Abraço!&lt;br /&gt;PS: desculpe, Kayla, eu tinha que colocar os dois finais ;)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-4641367498052686319?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/4641367498052686319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=4641367498052686319' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4641367498052686319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4641367498052686319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/07/kierkegaard-na-porta-dos-desesperados.html' title='Kierkegaard na Porta dos Desesperados'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TDOS_DXXGFI/AAAAAAAAARU/o4-CtQdmia0/s72-c/kierkegaard-2.gif' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-9037830895814765421</id><published>2010-06-23T07:21:00.000-07:00</published><updated>2010-06-24T07:59:09.660-07:00</updated><title type='text'>O extremista</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TCIbyfAJPgI/AAAAAAAAARM/5b2-XAP6SY0/s1600/O+extremista.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 257px; height: 258px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TCIbyfAJPgI/AAAAAAAAARM/5b2-XAP6SY0/s320/O+extremista.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5485977850220199426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Coitado, não era bom falando em público. Para piorar, inventa de ser professor.&lt;br /&gt;- Então... É... Dando continuidade a explicação das relações... É... Entreeee... A economia e o tipo puro de dominação tradicional... Ééé vimos que a própria gestão econômica deste tipo-ideal é feita... Éééé... Como é?... É feita por meio de certo fortalecimento das idéias tradicionais. Sim. Dessa forma, o patrimonialismo... Não! O... A dominação patriarcal... Puramente patriarcal... E o... A dominação gerontocrática...&lt;br /&gt; Chove.  Um texto cai logo ali, perto da mesa de um aluno que segura seu rosto com a mão direita. Monotonia. Monotonia. Monotonia. Um pneu grita na rua. Monotonia.&lt;br /&gt;-... Atuam de forma mais forte... É, como é?... Atuam de forma mais forte, pois, devido ao fato deeeeeee... Ambos não usufruírem de um quadro administrativo , dependem, éééé, em alto grau, né?, para manter a legitimidade, como diz Weber, da... – pausa para ver suas anotações – daaaa... Prática, do cumprimento da tradição. Até aqui, alguma pergunta?&lt;br /&gt;“Porra, por que tu não te matas?”&lt;br /&gt;Nenhuma pergunta. Nenhuma pergunta pronunciada.&lt;br /&gt;- Continuando... – com os olhos fixos ao chão, como sempre.&lt;br /&gt;- Professor, tenho uma dúvida!&lt;br /&gt;- Diga.&lt;br /&gt;- Bem, sobre aquele conceito de ação social que o senhor explicou... Eu não entendi bem. O que vem a ser mesmo uma ação social?&lt;br /&gt;- Ação social? Eu dei isso faz tempo...&lt;br /&gt;-Sim, mas você poderia explicar de novo, por favor?&lt;br /&gt;- Bem, a ação social de Weber vem a ser um... Um, é... Uma ação, né?,  que tanto pode... Pode ser um fazer externo ou interno, de omitir ou permitir,né? Dotada deeeee... Como é? Certo sentido subjetivo que sempre leva em consideração... Éééé, a figura do outro, né?,  o comportamento do outro. &lt;br /&gt;- Entendo. Professor, então quer dizer que isso que eu vou fazer pode ser considerado uma ação social?&lt;br /&gt;- Isso o qu...?&lt;br /&gt;Antes mesmo de terminar a frase, o aluno atira na cabeça do professor. O sangue espirra no quadro branco e em algumas carteiras da frente. O professor cai, morto. Não houve barulho – a arma estava com um silenciador. Uma mulher que estava bem na frente dá um grito.&lt;br /&gt;- Calada. – ordena o atirador,com uma voz bem mansa, suave,apontando a arma – Calada. Aliás, todos calados. Ninguém fala até eu mandar. &lt;br /&gt;O atirador se levanta calmamente, com a arma em punho, e locomove-se até a frente da sala. Passa por cima do cadáver e dá uma boa encarada em todos. Deviam ter o que? Uns 30, 35 alunos? Sim, por aí. 30, 35 alunos de olhos arregalados. &lt;br /&gt;- Muito bem, isso foi uma ação social? – pergunta o atirador. Ninguém responde.&lt;br /&gt;- Vou perguntar mais uma vez: alguém sabe se isso foi ou não foi uma ação social? – calmamente, pronunciando cada sílaba, como se estivesse falando com crianças. &lt;br /&gt;- Você! Responda! – e aponta para um jovem da segunda fileira – Foi ou não foi? &lt;br /&gt;- A-a-acho que não... – responde timidamente. &lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Na verdade, não sei – e reunindo um pouco mais de coragem: - Isso quem tem que me dizer é você. &lt;br /&gt;- Humm, Bom, bom. Então não faz idéia por que fiz isso?&lt;br /&gt;- Não sei. Não consigo ver seu ato como compreensível.&lt;br /&gt;- Hum, tente pensar um pouco mais...&lt;br /&gt;- Bem, não sei, você pode ter um ódio secreto pelo professor, sabe-se lá a razão; você pode... Não sei, acredito até que o possível ato de decidir não atirar no professor configura-se mais até como ação social do que atirar nele.&lt;br /&gt;- Por que?  &lt;br /&gt;- Porque ao decidir não atirar nele, você leva em consideração os outros, o que farão com você, o que pensarão de você...&lt;br /&gt;- Continue.&lt;br /&gt;- E ao atirar você estabelece um contra-senso. Não sei, não é compreensível...&lt;br /&gt;- Como não? Você nunca teve vontade de matar ninguém?&lt;br /&gt;- Bem, sei lá... Acho que sim. Mas acho que eu que devia lhe fazer as perguntas, não? – um tanto corajoso esse jovem, não?&lt;br /&gt;-Hum, bom. Pergunte então.  &lt;br /&gt;- Bem – agora o jovem ficou tranqüilo. Parece que o atirador quer estabelecer um diálogo estável –, você gostava do professor?&lt;br /&gt;- Não. &lt;br /&gt;- Hum. Ao ponto de matá-lo? É, que pergunta! Pelo visto sim. &lt;br /&gt;-Hum.&lt;br /&gt;-Você sabe que cometeu um crime, não?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Sabe que há várias testemunhas, né?&lt;br /&gt;- Sim, só quem viu.&lt;br /&gt;- Pois é, você teve o cuidado de usar um silencioso. Por que você só queria que nós, da sala, víssemos? &lt;br /&gt;- Para termos uma maior dinâmica na sala, não? As aulas dele eram péssimas.&lt;br /&gt;-Mas... A lógica indicaria que todos ficariam surpresos e assustados com seu ato, não agradecidos.&lt;br /&gt;- Hum, bom. &lt;br /&gt;- Logo não foi uma ação social. Foi uma anti-ação social. &lt;br /&gt;- Bom, vejo que você aprendeu bem o conceito. Vamos embora, então? Tivemos uma boa conclusão aqui.&lt;br /&gt;E todos saíram em fila indiana. O jovem e o atirador por último. Este apagou as luzes da sala.&lt;br /&gt; É, não foi uma ação social. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Refências:&lt;br /&gt;WEBER, Max.&lt;strong&gt;Economia e sociedade.&lt;/strong&gt;Brasília, DF: editora Universidade de Brasília: São Paulo: Imprensa Oficial do estado de São Paulo, volume I,4. ed, 1999&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RODRIGUES, Alberto Tosi.&lt;strong&gt;Sociologia da Educação&lt;/strong&gt;.Rio de Janeiro: DP&amp;A, 2. ed, 2001.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, ficou um pouco igual àquele texto "Expressão"... Mas tudo bem. Fico feliz em ter escrito um texto. Fazia tempo que eu não fazia um. Espero que gostem. Abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-9037830895814765421?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/9037830895814765421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=9037830895814765421' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/9037830895814765421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/9037830895814765421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/06/o-extremista.html' title='O extremista'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TCIbyfAJPgI/AAAAAAAAARM/5b2-XAP6SY0/s72-c/O+extremista.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-3929386446501533531</id><published>2010-05-30T20:17:00.000-07:00</published><updated>2010-05-30T20:33:19.248-07:00</updated><title type='text'>Nefelibata</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TAMscYFL6_I/AAAAAAAAAQw/oWGNPneCvqc/s1600/nuvens-antes-da-tempestade-b4154.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; DISPLAY: block; HEIGHT: 240px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5477270437824818162" border="0" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TAMscYFL6_I/AAAAAAAAAQw/oWGNPneCvqc/s320/nuvens-antes-da-tempestade-b4154.jpg" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;em&gt;À alguém que vive na América&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt; &lt;/p&gt;&lt;br /&gt;Tu que colocaste espinhos e cacos de vidro em meu caminho, não sabe que sou feito nuvem.&lt;br /&gt;Teus espinhos mal arranham meus pés.&lt;br /&gt;Me faço e desfaço para atravessar teus obstáculos&lt;br /&gt;E tomo a forma que quiser para afugentar teus cães.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se me achas quieto, inofensivo,&lt;br /&gt;Se me olhas buscando tranqüilidade&lt;br /&gt;Se achas que sou calma e placidez&lt;br /&gt;É porque ainda não me viste cumulonimbus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me viste acinzentar de fúria,&lt;br /&gt;Não ouviste as minhas trovoadas&lt;br /&gt;Capazes de ensurdecer teu ego&lt;br /&gt;Não conhece os meus relâmpagos,&lt;br /&gt;Capazes de queimar até a tua soberba.&lt;br /&gt;Não sentiste o fustigar da minha chuva,&lt;br /&gt;Capaz de estilhaçar teu telhado de vidro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não me conheces em nada.&lt;br /&gt;Mas um dia, em meio à tempestade,&lt;br /&gt;Quando as águas carregarem tudo o que consideras tão caro,&lt;br /&gt;Talvez venhas a reconsiderar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles que te cercam&lt;br /&gt;Aquilo que falas,&lt;br /&gt;Aquilo que fazes,&lt;br /&gt;E aonde pisas.&lt;br /&gt;Vais olhar aquele rosto que um dia fingiu se curvar,&lt;br /&gt;(e não é que é ele que te olhará de cima dessa vez?)&lt;br /&gt;aquele que tu achavas inofensivo,&lt;br /&gt;E aí tu talvez aprendas quão perigoso pode ser um homem feito de nuvem.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este texto é de autoria do Fóssil. Ele não conseguiu postar e pediu para eu fazer isso. Que bom. Eu tava com saudade de um texto novinho n'A Telha. Este veio em boa hora. Valeu, Fóssil \o/&lt;br /&gt;PS: Brigado, Caio! xD Essa dedicatória poderia ir pra muita gente. Por isso mesmo, oculto-a. Abraços!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-3929386446501533531?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/3929386446501533531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=3929386446501533531' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3929386446501533531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3929386446501533531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/05/nefelibata_30.html' title='Nefelibata'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/TAMscYFL6_I/AAAAAAAAAQw/oWGNPneCvqc/s72-c/nuvens-antes-da-tempestade-b4154.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-3457996796444388463</id><published>2010-02-26T04:01:00.000-08:00</published><updated>2010-02-26T04:02:55.686-08:00</updated><title type='text'>A vós</title><content type='html'>&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Você diz que não podia ter feito nada, mas é mentira. Você disse que não me ouviu, mas é mentira. Você disse que nunca lhe disseram, mas é mentira.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Eu estava lá, do lado de fora da janela do seu carro, mas ela estava fechada e havia fumê demais. Eu estava lá, na escadaria daquele prédio de mármore, mas você estava vendo as horas quando passou por mim. Eu estava lá, olhando pela sua vitrine, mas você baixou as persianas. Eu estava lá e tentei lhe falar, mas eu estava rouco e cansado e você não parava de dar ordens no seu celular... esperei outro dia para lhe falar e lhe falei, mas nesse dia então, você não queria ser incomodado. Eu estava lá, estava lá morrendo naquele leito de hospital, estava lá naquele beco fétido e frio, estava lá naquelas esquinas tendo que sorrir, mesmo chorando, estava lá nos ônibus que você ou seus filhos ou sua mulher artificial não precisam pegar, estava lá caminhando sobre espinhos e sentindo meu corpo afundar e percebi que era você que pisava em mim, você que usava o meu corpo como tapete e nem se dava conta da minha presença. Sou eu que estou aí em você, é o meu suor que faz o seu pão, a sua roupa, o seu carro, a sua piscina sou eu. São as minhas lágrimas que lavam o seu corpo. É o meu sangue que faz a sua taça transbordar e com que delícia você bebe, com que delícia você se deleita e sacia sua sede como um animal e se diz o mais civilizado dos homens. Ninguém duvida da sua civilidade enquanto bebem meu sangue junto com você, todos em seus ternos italianos, suas camisas de linho, seus sapatos de couro. Seus sorrisos de plástico. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;E como fica bem a um homem civilizado se apiedar de mim imolado, um cadáver que realmente não merece sua piedade, não é mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;Mas você não se importa realmente, não é mesmo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Times New Roman;"&gt;É a minha cabeça que está naquela bandeja de prata.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-3457996796444388463?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/3457996796444388463/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=3457996796444388463' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3457996796444388463'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3457996796444388463'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/02/vos.html' title='A vós'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-3352834605640328376</id><published>2010-01-07T09:06:00.000-08:00</published><updated>2010-01-09T14:32:12.258-08:00</updated><title type='text'>O rei está mais nu. Reportagem de Dário Novas</title><content type='html'>&lt;em&gt;“Até que ponto se pode excitar alguém por meio de palavras? Qual é esse máximo? Vejo que aticei sua cobiça por este poder, meu caro leitor. Claramente. E tenho plena certeza que atiçarei também outra coisa sua ao longo deste livro. Tenho certeza.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;                                                    Vander Alexander&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Intimidador. Imodesto. Perigoso.  Este fragmento acima resume muito bem o caráter do mundialmente conhecido escritor erótico Vander Alexander, o qual conseguiu elevar sozinho a literatura erótica a outro patamar (e por que não a própria idéia sobre sexo?), quase desbancando a indústria de filmes pornográficos, ocasionando um fenômeno nunca antes visto no mundo. Sua prosa é objeto de estudo de vários literários e até mesmo de psicólogos e sexólogos, que se dizem fascinados com o poder de excitação que seus contos particularmente produzem nas pessoas. Não são textos como quaisquer outros, e não se usam de fórmulas conhecidas e manjadas. Suas estórias viraram temas de motéis em todo globo e fizeram multidões aderirem a fantasias e práticas consideradas até então estranhas demais, tamanho foi o incrível modo como ele as retratou em suas obras. Católicos, protestantes, judeus, mulçumanos, budistas, etc., viraram fãs de seus livros, cujos conteúdos conseguiram dar fogo ao relacionamento de milhões de pessoas.Vander Alexander foi eleito o homem do ano pela revista Time e entrou definitivamente para o hall das personalidades mais famosas e comentadas. Sua biografia, intitulada 'O avatar do sexo – a história do rei dos contos eróticos', lançada este ano pela editora Zeppelin e escrita por Caio Carvalho, promete ser um grande sucesso de vendas. Leia alguns trechos dessa biografia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Ao ler (quase) sem querer um conto erótico, um garoto apaixona-se de imediato por essa literatura, criando instantaneamente um estilo próprio, único, altamente excitante e interessantemente elegante para elaborar contos desse calibre. Sua genialidade intrínseca apenas foi despertada. Criou um pseudônimo: Vander Alexander. Masturbava-se com um caderninho ao seu lado, para anotar tudo que ocorria em sua mente – e no seu corpo! Sua primeira transa, aos 17 anos, rendeu, de imediato, sua obra prima: 'Suor'". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vander Alexander teve que experimentar muitas coisas para poder escrever com maior organicidade e paixão. E garante: gostou de todas as suas práticas. Ele já participou de sexo grupal, ménage à trois, experimentou auto-asfixia erótica, teve relações sexuais com mulheres masoquistas, sadistas, sadomasoquistas, adeptas de fist fucking, do rainbow kissing, da coprofilia, urofilia, etc., e que possuíam um leque variadíssimo de fetiches e fantasias.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Os títulos de suas obras são geralmente secos e curtos, porém seu conteúdo é sempre singular. Dentre as mais conhecidas destacamos 'Orgias metafóricas' (texto belíssimo, o qual Alexander relaciona outras fontes de prazer, como musica, comida, bebida, sono, etc., ao sexo), seus contos 'Oliva' (no qual um pizzaiolo faz sexo com uma funcionária na pizzaria onde ambos trabalham, tudo regado a bastante azeite de oliva), 'Tântrico' (cujo personagem se esforça pra passar duas semanas com tesão incessante, lançando mão de várias técnicas,  e mais três meses transando sem parar), 'Trava-línguas' (um conto erótico de humor, cujo protagonista se depara com uma mulher que quando entra em orgasmo, fala trava-línguas sem parar), 'Axilas'(no qual um homem descreve toda sua extrema atração por axilas femininas) e seu livro 'Suor', de trama rocambolesca e de narração intensa, na qual o protagonista possui um alucinante fervor erótico pelo cheiro do suor das virilhas femininas.” &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O lançamento da biografia está previsto para fevereiro de 2010.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já que eu não sou bom em fazer literatura erótica (já tentei, fica um lixo. Mas um dia eu consigo), criei seu rei. Hehehe, foi divertido fazer este texto. No meu próximo post, muito provavelmente, vou trabalhar de novo com a figura do Vander Alexander, mas de uma forma um tanto diferente. Aguardem, até lá e espero que tenham gostado =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-3352834605640328376?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/3352834605640328376/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=3352834605640328376' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3352834605640328376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3352834605640328376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2010/01/o-rei-esta-mais-nu-reportagem-de-dario.html' title='O rei está mais nu. Reportagem de Dário Novas'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-4323084851974368543</id><published>2009-12-03T19:14:00.000-08:00</published><updated>2009-12-03T19:47:34.777-08:00</updated><title type='text'>Ela</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SxiGQGzSpnI/AAAAAAAAAJI/7_Uz3Ul5Kvk/s1600-h/28191795_2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SxiGQGzSpnI/AAAAAAAAAJI/7_Uz3Ul5Kvk/s320/28191795_2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5411222563547424370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;          Chico Buarque tocando no celular. "Aprendi a desconfiar do teu silêncio...". Ele olhou para ela, que olhava o nada. Ele desconfiava do silêncio dela. Não da voz, que nem era de falar tanto assim. Desconfiava do silêncio daquelas mãos, daquele sorriso e sobretudo desconfiava do sentimento daqueles negros olhos, brilhantes olhos, tão baços naquele dia - emitiam um brilho distante, uma vela acesa no fundo de um túnel, que nada tinha a ver com o clarão e o calor de chama alta que eles sempre irradiavam. Ele desconfiava daquela faceta que, mesmo surgindo ora ou outra, lhe era sempre estranha. Ela virou-se para ele, uma sobrancelha erguida. Ele sorriu.&lt;br /&gt;           Ela era linda, e que paz, que alegria era aquela que ela lhe dava. Como ele era pequeno perto dela. Pequeno e imaturo. Que era ela afinal, o que ele queria? Um sorriso falso ostentado sempre por um rosto plástico? Não. Queria o rosto dela, feliz ou triste. Mas era imaturo e não conseguia não desesperar ante à visão da tristeza dela. Pensou pela milésima vez que não era o homem para aquela mulher e que era incapaz de fazê-la feliz. Pensou pela milésima vez que se ele não podia retribuir toda a felicidade que ela lhe dava, melhor seria que ela acordasse e o deixasse.&lt;br /&gt;           Não, não podia deixá-lo! Não agora que ele sabia como era doce ser feliz, não agora que ele sabia que existia felicidade, como viver sem ela? Ela não podia deixá-lo... podia mas não devia... devia mas ele não queria... e não queria que ela quisesse.&lt;br /&gt;           A sobrancelha dela desceu e ela sorriu para a cara de bobo que ele devia estar fazendo.&lt;br /&gt;           Bobo, sim. Idiota. Queria pedir desculpas a ela. Por duvidar, por ser tão imaturo. Quis prometer nunca mais fazer isso, mas sabia que tornaria a fazê-lo milhões de vezes. Quis agradecer a ela por ela. Quis tanto e desejou que aquele abraço que lhe dava encerrasse todo esse seu querer e que o peito dela encostado no seu fosse próximo o suficiente pro coração dela escutar o que o dele lhe dizia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           E que importavam alguns momentos de silêncio, se nada era mais forte que a sinfonia das almas deles em coro?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-4323084851974368543?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/4323084851974368543/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=4323084851974368543' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4323084851974368543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4323084851974368543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/12/ela.html' title='Ela'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SxiGQGzSpnI/AAAAAAAAAJI/7_Uz3Ul5Kvk/s72-c/28191795_2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-3247279570535653887</id><published>2009-10-06T18:44:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T20:36:00.565-07:00</updated><title type='text'>O homem que sentia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SswHst2quRI/AAAAAAAAAI4/4cISl_q2xPk/s1600-h/goya-o-sono-da-razao-produz-monstros-1797-8.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5389691318860167442" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 212px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SswHst2quRI/AAAAAAAAAI4/4cISl_q2xPk/s320/goya-o-sono-da-razao-produz-monstros-1797-8.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;Para Thaís Gomes Araujo Cutrim&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            O Sr. José escrevia por necessidade, para calar as vozes em sua mente. Desde que aprendera a escutá-las, tornara-se uma obsessão aprender a sentir. Não sabia fazê-lo antes. A voz da sua poesia interior lhe ensinara a transformar seu sorriso em gargalhada e sua lágrima em pranto copioso. O Sr. José transformava o mínimo sentimento em bebida e se embriagava dele, sentia até a última gota, com toda verdade e intensidade. Depois escrevia.&lt;br /&gt;            Além de sentir, o Sr. José aprendera a beber os sentimentos. A enxergá-los, aspirá-los, devorá-los. Até a última vista, até a última essência, até o último farelo. Não só os seus, mas os dos outros também. Tornava seu o que o outro sentia. Ele próprio pensava já conhecer seus sentimentos bem demais, precisava de mais. Tornou-se voyeur do sentir alheio. Tinha obsessão pelo âmago dos sentimentos. Queria conhecer o fundo do poço e o Jardim do Éden. Dos outros.&lt;br /&gt;            Era freqüentador assíduo de funerais e batizados. Queria convites para aniversários, reuniões de família, posses políticas, encontros íntimos, visitas á prisão. O Sr. José precisava conhecer todas as faces dos homens, precisava de todas as tintas para sua aquarela; tristeza, amor, ódio, felicidade, apatia, doença, morte, vida. E ele pintava com palavras suas poesias, madrugadas adentro.&lt;br /&gt;            Um dia, o Sr. José chegou em casa feito um ciclone. Várias vozes berravam nos seus ouvidos. Fora um dia incrível e seus pulmões estufavam de poesia. Sua garganta fechava e sua boca estava seca. Sentou-se como sempre em frente ao caderno, sacou uma caneta do porta-lápis e escreveu. Como se a caneta fosse um florete, esgrimou o papel sem trégua e a luta vã durou toda a madrugada e rompeu a manhã como sempre.&lt;br /&gt;            Três manhãs depois, a diarista gritou ao perceber que o patrão estava morto. Várias folhas amassadas guarneciam o cadáver. A cabeça pálida e o olhar vidrado repousavam ao lado do caderno. Dominando a repulsa, ela se aproximou e tentou olhar o que estava escrito, mas a espiral já não continha folha alguma.&lt;br /&gt;            Em uma daquelas três madrugadas, morrera o Sr. José. Overdose de humanidade.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O texto está dedicado à Thaís, grande amiga, que me emprestou a caneta. Prometi a mim mesmo que assim o faria na próxima vez que ela fizesse essa grande gentileza por mim ^^ Obrigado, Tatá!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Já escrevi sobre um Sr. José &lt;a href="http://casulofef.blogspot.com/2008/05/o-homem-que-ouvia.html"&gt;antes&lt;/a&gt;, no Casulo. Estive pensando se são a mesma pessoa. Prefiro deixar a cargo de vocês - quem quiser decidir, é claro.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;That's all, folks!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-3247279570535653887?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/3247279570535653887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=3247279570535653887' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3247279570535653887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3247279570535653887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/10/o-homem-que-sentia.html' title='O homem que sentia'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SswHst2quRI/AAAAAAAAAI4/4cISl_q2xPk/s72-c/goya-o-sono-da-razao-produz-monstros-1797-8.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-1395829097593457330</id><published>2009-08-24T10:57:00.001-07:00</published><updated>2009-08-25T06:32:08.101-07:00</updated><title type='text'>O edifício</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SpLXYczB2EI/AAAAAAAAAOA/KSwMADCCQh8/s1600-h/esse.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SpLXYczB2EI/AAAAAAAAAOA/KSwMADCCQh8/s320/esse.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5373594120453478466" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Família reunida. Mãe, tia, pai, filho. Este último, uma criança. Uma criança de 5 anos. &lt;br /&gt;- Lourdes, estava pensando em fazer uma recepção para a Glória. Um café, quem sabe?&lt;br /&gt;- Hum... Almoço não seria melhor?&lt;br /&gt;- Quem sabe uma orgia? – sugeriu a criança.&lt;br /&gt;                                      &lt;br /&gt;                                      * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois homens estão conversando.&lt;br /&gt;-Estamos em uma cena clássica. Repare. Eu apontando um revólver para você. Você apontando um revólver para mim. Classissíssimo. O que podemos fazer? Um pode sair vivo, os dois podem sair mortos, os dois podem sair vivos. &lt;br /&gt;- É...&lt;br /&gt;- Basicamente. Há as variantes interessantes. Veja também: eu posso me suicidar após matar você, eu posso me suicidar sem matar você, você pode se matar também...&lt;br /&gt;- Bicho... Isso está parecendo diálogo de escritor sem assunto...&lt;br /&gt;- Não, não, cara, se vamos potencialmente morrer, reflitamos um pouco sobre as coisas da vida... &lt;br /&gt;- Honestamente, está chato. E eu só quero o dinheiro que você me deve, porra. &lt;br /&gt;- O motivo! Outro clássico!&lt;br /&gt;                                      &lt;br /&gt;                                     * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Um casal de jovens está jogando cartas. O rapaz, por deslize, peida. Risos; por parte da moça. O rapaz ri também, claro. Por que não ri?&lt;br /&gt;- Desculpe, foi sem querer. Fiquei menos sexy por causa disso? – brinca ele.&lt;br /&gt;- Hum... Com certeza te evidenciastes mais humano agora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     * * * &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Uma pessoa olha uma mãe brincar com sua filha de quatro meses. Está relativamente perto, no canto da porta. A guria sorri lindamente por um instante. Durante 5 segundos e 67 centésimos, esta pessoa esquece suas idéias fixas. 67 centésimos. 66, 65, por aí. &lt;br /&gt;- Foi menos tempo, creio.&lt;br /&gt;- Mas esqueceu! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Alguém, mais tarde, deitado na cama, irá se remexer loucamente de ciúmes. Eu o entendo.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     * * * &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Os dois que estavam com as armas estão dançando. Juntos. E juntos, se beijam. E beijando-se, começam a transar. E no gozo, no gozo final, ambos, cada um com sua arma, se suicidam. Ambos iam morrer mesmo e quiseram morrer gozando. &lt;br /&gt;                                    &lt;br /&gt;                                     * * *&lt;br /&gt;- Esse menino disse orgia?!?!&lt;br /&gt;                               &lt;br /&gt;                                     * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas cartaz misturam-se agora com o suor dos corpos de ambos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A guria de quatro meses agora dorme tranquilamente. Sua mãe a embala lendo “O Anticristo”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     * * *&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que barulho foi esse?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                     * * *&lt;br /&gt;                                 &lt;br /&gt;- Sim, eu disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Mais uma vez um texto demora para sair aqui n'A Telha. Mas fazer o que.. Às vezes aparecem idéias boas, e muitas vezes idéias de merda. Isso sem contar no tempo para escrever. No meu caso, essas idéias colocadas neste pequeno texto vieram aos poucos. E eu fui anotando - ou deixando na memória. Umas duas delas devem ter vindo hoje. Deu nisso. Espero que gostem. Eu, estranhamente, - ou nem tanto - criei um carinho por esse texto em especial.&lt;br /&gt;Até logo =)&lt;br /&gt;Obs: Uma das idéias veio totalmente de uma fala de Kayla. Tenho que dar os devidos créditos =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-1395829097593457330?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/1395829097593457330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=1395829097593457330' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1395829097593457330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1395829097593457330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/08/o-edificio.html' title='O edifício'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SpLXYczB2EI/AAAAAAAAAOA/KSwMADCCQh8/s72-c/esse.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5670936117639219176</id><published>2009-07-08T17:53:00.000-07:00</published><updated>2009-07-08T18:11:37.040-07:00</updated><title type='text'>Tela</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SlVDotvXrJI/AAAAAAAAAII/Ve8vkDfVd3Q/s1600-h/pablo-picasso-mulher-ao-espelho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5356261698579180690" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 248px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SlVDotvXrJI/AAAAAAAAAII/Ve8vkDfVd3Q/s320/pablo-picasso-mulher-ao-espelho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Acordou naquele dia se sentindo meio estrela. Olhou-se no espelho e arrumou os cabelos soltos com esmero. Passou maquiagem no rosto e nos olhos, que depois ocultou sob óculos escuros, e passou um batom forte nos lábios. Escolheu uma bela roupa preta, mas o calor não estava para casacos. Pegou uma bolsa de couro vermelha e saiu, orgulhosa.&lt;br /&gt;Acordou naquele dia se sentindo meio intelectual. Olhou-se no espelho e fez um penteado sóbrio e simples, em coque. Passou pouca maquiagem no rosto e nos olhos, que cobriu com óculos de grau de armação grossa, que nunca lembrava de usar, e um leve batom rosado. Escolheu uma roupa séria, calça preta e camisa listrada de botões. Pões uma bolsa de lado, aninhou uns livros nas mãos e saiu, orgulhosa.&lt;br /&gt;Acordou naquele dia se sentindo meio hippie. Olhou-se no espelho e desarrumou cuidadosamente os cabelos, fazendo-os embaraçar. Desprezou maquiagem e óculos, mas pôs uma faixa laranja na testa. Escolheu um vestido longo, solto e colorido, de saia rodada. Pegou uma bolsa de pano, alças finas, sem documentos e saiu, orgulhosa.&lt;br /&gt;Acordou naquele dia se sentindo meio criança. Olhou-se no espelho e arrumou os cabelos dividindo-os em duas marias-chiquinhas. Maquiou-se como uma menina que descobre a penteadeira da mãe; maçãs rosadas, pálpebras azuis e batom vermelho. Calçou meias coloridas, um short jeans e uma blusa cor-de-rosa. Pegou uma mochila e saiu, orgulhosa.&lt;br /&gt;Acordou naquele dia sem saber como se sentia. Tomou banho e se enrolou no roupão de banho e se encarou no espelho. Só via interrogações. Olhou-se, olhou-se e olhou-se longamente. E o espelho perguntou, tristemente:&lt;br /&gt;"Quando vais acordar sentindo-se você mesma?"&lt;br /&gt;Sacando da escova de cabelo, ela rachou o insolente. Sorriu ao ver a teia brilhante que se formara, e seus vários reflexos. Foi se arrumar. Ao terminar, apanhou uma bolsa e ao abrir a porta, olhou novamente o espelho. Por que se preocupar em ser uma só? Bateu a porta. E saiu, orgulhosa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Esse texto não tem dedicatória, mas se tivesse, seria para minha professora, Valéria. O embrião dele surgiu numa aula dela. Enviei-o pra ela e digo o mesmo que disse à ela para vocês: espero que lhes passe alguma coisa. Abraços!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5670936117639219176?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5670936117639219176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5670936117639219176' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5670936117639219176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5670936117639219176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/07/tela.html' title='Tela'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SlVDotvXrJI/AAAAAAAAAII/Ve8vkDfVd3Q/s72-c/pablo-picasso-mulher-ao-espelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-4428796269140730101</id><published>2009-06-26T06:56:00.000-07:00</published><updated>2009-07-15T07:06:31.767-07:00</updated><title type='text'>Ensaio sobre a simbologia rítmica do amor (ou a quebra de paradigmas musicais)</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SkTXVDefD7I/AAAAAAAAALg/ZixOcjaXMYY/s1600-h/Colored+drums.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 213px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SkTXVDefD7I/AAAAAAAAALg/ZixOcjaXMYY/s320/Colored+drums.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5351639013933387698" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Esse caso fictício – ou piada, como preferirem – não é meu, vou logo dizendo, um amigo imaginou (nem me lembro mais quem), mas os enfeites são de minha autoria: um homem, após a cerimônia de seu casamento, revela que preparou uma apresentação musical no intuito de homenagear sua recém-esposa e dirige-se rapidamente ao espaço onde estão os instrumentos dos músicos contratados. “Legal, legal, que romântico!”, clamam aqueles mais sentimentais. “É um solo de piano, com certeza, eu me lembro que ele tocava muito bem!”, se orgulha aquela tia pomposa. “Oh, se for Bach no violão, eu morro!”, se esperança a esposa. Nada. Passou direto pelo violão, pelo piano. Sentou-se na bateria. “Esse solo é para você, meu amor”: trrrrrrrrRRRRRÁ, CRASH, tum, tum, tum, plá, plá, splash, tum-tum-tum-TÁ, trrrrrrrrá, trrrrrrá, trrrá, tratratra, plum – bish e por aí vai. E todos parados, com cara de espanto, vendo aquele romântico de terno e gravata sentado na bateria, aplicando toda sua técnica e criatividade. Ponto, o caso acaba aqui. Engraçado, estranho, constrangedor? Bem... Já consigo imaginar uns tapando as orelhas, outros consolando a noiva, outros comendo logo os salgadinhos, outros sentindo vergonha pelo baterista recém-casado, outros dando risinhos. Imagino-me também lá, sentado no canto esquerdo da igreja. É vero, é vero, confesso que também lançaria o habitual “que porra é essa?”. Convenhamos: geralmente essas coisas não acontecem em cerimônias pós-casamento. Mas continuemos: depois de cinco, seis minutos, o solo se encerra (friso: a técnica dele era impecável!). Silencio do pior tipo. O baterista levanta e olha para sua esposa. Não, ele não está debochando. Ela dá indícios, porém, de que vai chorar. “Não, não foi essa minha intenção, você sabe”, explica ele pelos olhos. “Que coisa horrível... Um solo de bateria, para essa ocasião?”, ela pergunta usando o mesmo recurso do marido. “Sandra, não duvide de minhas intenções, deixe-me explicar, parece até que você não me conhece...”. “O que tem para explicar?”, e sai andando, enfurecida, para fora da igreja. O diálogo silencioso está encerrado. O constrangimento coletivo impregna ainda mais o local. Ninguém sabe o que fazer. Sabem o que falar. “Que papelão, ein?”, comenta baixinho a mesma tia pomposa. “Menina, e não é?”, responde sua companheira de assento. Irritado com o burburinho que se iniciou, o baterista pega o microfone e diz: “entenderam tudo errado! Amor só se expressa com instrumentos melódicos? Pensei que minha esposa, que eu pensei que me conhecesse, entenderia; que quem me conhecesse entenderia. O rufo inicial em crescendo significou o quanto meu afeto por Sandra foi se intensificando desde o primeiro dia que a conheci. Logo depois, ataquei dois pratos de 19”: foi quando me explodi de paixão por ela. Aplico um samba em andamento rápido pra simbolizar a efervescência de minha vida após isso. Em seguida, uma virada forte e um silêncio de quatro compassos: nessa hora nos beijamos pela primeira vez. Minha mente se silenciou nesse instante. E depois... Ah, porra, pra quê dizer isso tudo? Ela nem está aqui para me explicar...”E sai pelos fundos. Que pena, queria ouvi mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É... Espero que ela consiga entendê-lo. &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Texto simples, sim. Não é grande coisa, mas como fazia tempo que eu não escrevia nada, e como A Telha estava parada, fiz esse e pronto.É isso, até! =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-4428796269140730101?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/4428796269140730101/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=4428796269140730101' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4428796269140730101'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4428796269140730101'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/06/simbologia-ritmica-ou-quebra-de.html' title='Ensaio sobre a simbologia rítmica do amor (ou a quebra de paradigmas musicais)'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SkTXVDefD7I/AAAAAAAAALg/ZixOcjaXMYY/s72-c/Colored+drums.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5918691478167927506</id><published>2009-05-08T16:25:00.000-07:00</published><updated>2009-05-08T17:15:33.521-07:00</updated><title type='text'>Poesia cotidiana</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SgTK8n_NpdI/AAAAAAAAAHY/1gNa6uR3cw0/s1600-h/1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333611001588590034" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 286px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SgTK8n_NpdI/AAAAAAAAAHY/1gNa6uR3cw0/s320/1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O poeta inspirou fundo. Queria sorver de uma vez todo o ar daquela praça. Sentia a poesia palpitando em todos os recantos banhados pelo luar. Alguém se enchia de gordura de batatas fritas, outros compravam jornais, outros vendiam bugigangas, uma hesitante procurava um ombro ao lado enquanto outras mãos muito mais voluntariosas agarravam um corpo inteiro sob o olhar de censura de senhoras muito distintas que esperavam o ônibus que, santo Deus, não vinha, não viria mais! Ele se sentiu embriagado pela poesia das árvores que lutavam para ocupar seu espaço no conturbado espaço urbano, a poesia das pedras de cantaria, dos carros barulhentos e esfumaçados, das nuvens negras da noite banhadas pelo luar prateado. Ah, o luar prateado. Não cansava de falar dele porque era ele que deixava tudo ali mais belo. Belo luar, bela noite, bela lua cheia. Que lua! Mas as pessoas... todas tão apressadas! Ninguém ousava parar e contemplar sequer uma daquelas nascentes de poesia que tão solícitas jorravam por toda a praça. Um verdadeiro despropósito! O poeta estava irritado. Ele também tinha compromissos, é certo - não poetava pra viver, afinal - mas podia se permitir parar e admirar um pouco os arredores, porque eles não podiam? Sentiu vontade de gritar, de parar cada um e dizer "Pelo amor de Deus, olhe à sau volta! Esse mundo é lindo! Esse mundo é seu de bandeja, o mínimo que você pode fazer é admirá-lo!". E olha que ele era ateu, pedir "pelo amor de Deus" não era do seu feitio. Mas a poesia...! Talvez se Deus existisse, ele estava na poesia. Porque ele via poesia em tudo. Ele tinha recebido um dom e uma missão e precisava iluminar de poesia o mundo, como o luar fazia com a praça. Fechou os olhos e inspirou novamente, o mais fundo que pôde. Precisava ir, mas antes precisava sugar toda aquela poesia uma última vez. E enquanto absorvia o ar, pensava de novo como era possível que as pessoas não se sentissem da mesma forma, por que era tão difícil existirem poetas naquele mundo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sentiu uma pancada no pulso, acordando-o do acalanto das musas. Olhou o braço nu a não ser pela marca do relógio e um rapazinho correndo em disparada e se enfiando na multidão. O homem saiu irritado. A contragosto, obtivera sua resposta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Felizmente, a poesia semrpe se acha. Arteira! ;)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5918691478167927506?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5918691478167927506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5918691478167927506' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5918691478167927506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5918691478167927506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/05/poesia-cotidiana.html' title='Poesia cotidiana'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SgTK8n_NpdI/AAAAAAAAAHY/1gNa6uR3cw0/s72-c/1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-1812544273342306885</id><published>2009-04-15T08:11:00.000-07:00</published><updated>2009-06-06T07:36:40.643-07:00</updated><title type='text'>Bom senso</title><content type='html'>&lt;a href="http://tintaspermanentes.blogs.sapo.pt/arquivo/garganta.gif"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 246px; height: 334px;" src="http://tintaspermanentes.blogs.sapo.pt/arquivo/garganta.gif" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;“Seria bom se faltasse bom senso às vezes na gente”, pensei nisso enquanto esperava por minha vez no consultório médico. Explico: cheguei cedo, cedo mesmo, e logo me vi sendo o primeiro da fila para ver o otorrinolaringologista em questão. Ótimo. Encontro a mãe de um amigo meu e começo a conversar. Tudo isso regado a bastante incomodo na garganta. Um puta incomodo. No começo pensei que isso era a somatização de uma infeliz tensão pela qual venho enfrentando nessas últimas semanas. Nisso não vou entrar em detalhes, é pessoal demais. Nem sei se deveria chamar isso de “tensão”, mas fazer o que, essa é a única palavra que encontrei. Continuando: lá estou eu, me sentindo um desgraçado. E o médico? Ah, o médico. Ele sai para resolver umas coisas e só vai voltar uma hora depois. “Já, já estou chegando”, ele disse. Imagine se ele tivesse dito que ia demorar. Eu ia passar o dia no consultório. Nessa hora pensei aquela frase que está no começo desta crônica. Perder o bom senso. Já pensou? Pensei em dizer pro médico quando ele voltasse: “porra, doutor, vá tomar no olho do seu cu!”; ou então: “caralho, doutor, até que enfim chegaste!”. Nota do autor: engraçado, nessas horas sempre dá uma vontade de meter uma “porra” ou um “caralho” no meio. Ei, isso ficou ambíguo. Ninguém viu... Pena que se isso fosse para um jornal ou uma revista eu teria que modificar. Bom, depende também da revista, mas isso é outro papo. Prosseguindo: o médico chega uma hora e uns minutos depois. Quem disse que fui logo atendido? Uns homens que vendem remédios ainda foram bater um papo com ele. Ok, espero. O curioso é que talvez você possa pensar que eu esteja pintando essa descrição da minha espera com certo rancor. Nem tanto, nem tanto, acredite, ainda mais agora, que já estou em casa. Na hora aproveitei para pensar em coisas da minha vida relacionada a esta “tensão”. Consigo aliviar um tanto. O suficiente para gostar de sentir o gosto do alívio. No meu caso isso faz sentido, acredite. A luta mais árdua é sempre contra si mesmo. Isso todo mundo sabe, mas quero deixar registrado isso. Eu preciso. Avante: “Caio Carvalho, pode subir”, a secretária diz. “Só uma coisa. Quando subir espere no sofá em frente à porta do consultório. Há uma senhora lá. Aguarde. Quando ela sair, entre”. Ok, subi. Sento e aguardo. Logo me assusto com o doutor falando alto lá de dentro. Motivo? A senhora tem deficiência auditiva. Ouvi tudinho. Ela precisa de aparelho auditivo. E custa em torno de três mil reais! Palavras do doutor. Ela diz que o salário é uma merda, que este não aumenta e que não tem condição de pagar (tudo isso em &lt;strong&gt;alto e bom som mesmo!&lt;/strong&gt;). Tradução: ela disse que o Brasil é uma merda. Onde foi que já ouvi isso? Onde? É tão familiar, não? Acho que ouvi isso, humm... Ontem! E antes de ontem, e antes, e antes. É, Charles de Gaulle, eu sei, o Brasil não é um país sério, todos sabem e falam. E onde foi parar o meu desejo de perder o bom senso? Lá na hora ele sumiu. O sentimento empático o diluiu, mas ele vem às vezes, esse desejo. Por que a gente não surta de uma vez?, nos perguntamos. Pra quê?, eu me confronto. Talvez eu já tenha perdido o bom senso nestas últimas semanas e nem me dei conta. Resolveu? Não. Chego à conclusão que isso explica também muita coisa no Brasil, só pode... Mas continuemos, continuemos. A mulher sai minutos depois. Entro. Cumprimemtos formais. Tudo ok. Começo a falar. Toco no assunto da somatização, minha “tensão” e de que faço terapia. Falo que nem gripe tive, nem febre, só essa desgraça na minha garganta. Hora do exame. “É, Caio, isso não é somatização coisa nenhuma, isso é inflamação mesmo. Com pus e tudo”. Nota do autor: sempre quando tem pus a coisa não está legal. Pus! Hora da medicação. Hora das minhas perguntas sobre amidalite. Ouço a explicação. Entendo que não é preciso fazer essa cirurgia por isso, por isso e por isso, que hoje em dia não é mais bem assim. Pergunto o que pode ter causado essa inflamação. “Principalmente no seu caso, Caio, queda da imunidade”. Motivos? Fatores emocionais. E junta isso com esse período de chuva, dá nisso. Pego a receita com o nome dos medicamentos, agradeço e me mando. “Boa sorte, Caio, te cuida”. Já reparei que minha psique tem uma atração por envolvimentos com minha estrutura otorrinolaringológica (quem leu meu texto &lt;strong&gt;“&lt;strong&gt;a cabeça feita de dor e a raiva roubada”&lt;/strong&gt;&lt;/strong&gt; sabe do que estou falando). Ou, claro, isso pode apenas ser uma coincidência.É, é coincidência. Passo na drogaria, compro os remédios. Agora estou em casa, tentando curar minha garganta e sarar meu bom senso.Boa tarde, boa noite, bom dia. Nesta ordem.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: foto retirada deste endereço:   http://tintaspermanentes.blogs.sapo.pt/arquivo/garganta.gif&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-1812544273342306885?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/1812544273342306885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=1812544273342306885' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1812544273342306885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1812544273342306885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/04/bom-senso.html' title='Bom senso'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-8250131087095642887</id><published>2009-03-29T19:40:00.000-07:00</published><updated>2009-03-29T19:44:06.061-07:00</updated><title type='text'>Testamento de um Cadáver de Sangue Quente</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SdAx5P5jTNI/AAAAAAAAAGg/5Wi-erNPTHM/s1600-h/desespero_197.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5318806019514780882" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 240px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SdAx5P5jTNI/AAAAAAAAAGg/5Wi-erNPTHM/s320/desespero_197.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando minha mãe me pariu, eu morri&lt;br /&gt;Se você tem por mim algum apreço&lt;br /&gt;Eu só lhe peço um último gesto&lt;br /&gt;Um prato de farinha&lt;br /&gt;Um punhado de afeição&lt;br /&gt;Um jornal pra me cobrir&lt;br /&gt;Ou quem sabe um pouco de esperança&lt;br /&gt;Um fio de linha, um fio de voz&lt;br /&gt;Um fio de fé&lt;br /&gt;Uma colher pra eu revirar a minha fome&lt;br /&gt;Garra pra eu revirar meu lixo&lt;br /&gt;Uma lanterna pra eu iluminar&lt;br /&gt;Meu fim de túnel&lt;br /&gt;Se você tem por mim algum apreço&lt;br /&gt;Eu gostaria de uma moeda,&lt;br /&gt;Uma mão tocando minha pele&lt;br /&gt;Se você puder, eu estou aqui morto,&lt;br /&gt;Pode me procurar&lt;br /&gt;Estou em toda parte&lt;br /&gt;Na sua condução&lt;br /&gt;Na sua janela&lt;br /&gt;Na ponte que vai pra sua casa&lt;br /&gt;Na carroceria do caminhão&lt;br /&gt;Estou aí nos teus olhos,&lt;br /&gt;Mas não estou no teu peito.&lt;br /&gt;Quando minha mãe me pariu, eu morri&lt;br /&gt;Se você tem por mim algum desprezo&lt;br /&gt;Eu só lhe peço um último gesto&lt;br /&gt;Mais um trago de cachaça&lt;br /&gt;E meu último cálice de veneno&lt;br /&gt;Pro meu cadáver poder enfim descansar em paz&lt;br /&gt;Obrigado.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-8250131087095642887?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/8250131087095642887/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=8250131087095642887' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/8250131087095642887'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/8250131087095642887'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/03/testamento-de-um-cadaver-de-sangue.html' title='Testamento de um Cadáver de Sangue Quente'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SdAx5P5jTNI/AAAAAAAAAGg/5Wi-erNPTHM/s72-c/desespero_197.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-6333731256339032241</id><published>2009-03-10T21:17:00.000-07:00</published><updated>2009-03-12T06:14:32.535-07:00</updated><title type='text'>300 gramas</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/Sbc8dcsWhpI/AAAAAAAAAGA/HTcpXzNzyG8/s1600-h/1101226_body1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5311780762122880658" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 300px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/Sbc8dcsWhpI/AAAAAAAAAGA/HTcpXzNzyG8/s320/1101226_body1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu morresse agora? Não que eu queira, mas eu não preciso de uma vida longa, se ela for feliz. Eu tenho vivido feliz até aqui, então se aquele carro me pegar quando eu atravessar a rua, eu vou em paz. Ou iria. Se não soubesse que estariam sofrendo todos que eu amo e eu não os quero tristes. E se eu puder vê-los do outro lado? E se estiverem tristes? Não, eu não iria em paz.&lt;br /&gt;É ela, a paz; é ele, o amor. Dois irmãos que vivem brigando. Talvez sejam adolescentes. A paz é tranqüila, mas o amor a provoca. Quer ser o centro das atenções.&lt;br /&gt;Não é engraçado? O amor. Ele é responsável por todas as nossas tragédias e sofrimentos. Ainda que seja um amor corrompido. É o amor que nos faz ter ciúmes, é ele que nos faz ter dores de cabeça. O amor começa guerras. Ele nos faz ter medo. De perder, principalmente. O amor nos liga aos outros, nos liga ao corpo e à vida. O Amor nos faz temer a morte porque tememos que esses laços se rompam. Tememos que se rompam até os laços que ainda nem se formaram. Os laços são partes de nós, sabem, e sempre dói quando arrancamos uma parte do corpo, seja um fio de cabelo ou um braço.&lt;br /&gt;Existem laços que são como fios de cabelo. Frágeis, facilmente arrancados, tornam a crescer ou são substituídos (mas serão iguais?). Dói arrancá-los, mas é um dorzinha aguda e leve, passa rápido. Arrancar um braço é mais difícil. Dói de verdade e nunca volta a crescer. Você pode conseguir um braço falso, mas só lamentará a perda do verdadeiro. E passará anos sentindo comichões naquele membro perdido.&lt;br /&gt;Muito mais fácil seria viver sem essas ligações. Muito mais fácil seria dormir sem se preocupar com o problema do melhor amigo, com o filho que ainda não chegou ou com a melhor forma de conquistar aquela menina. Mas, ah! E se achássemos a chave do amor? E se pudéssemos desligá-la, como a Emília fez com o tamanho?&lt;br /&gt;Um laço é um fardo, mas é o único fardo que te ajuda a suportar todos os outros. São mais ombros além dos seus para te ajudar a carregar o mundo. São os laços que tornam a vida menos amarga, ainda que por vezes a salguem de lágrimas. Um laço é uma promessa. Como mãos de ferro numa corrente. Não devem ser quebrados facilmente. Não soltem seus laços. Não soltem as mãos. Os laços pesam mas podem amarrar o mundo. O amor pesa mas pode alcançar a paz.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Bom, é nisso que eu acredito =]&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-6333731256339032241?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/6333731256339032241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=6333731256339032241' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/6333731256339032241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/6333731256339032241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/03/300-gramas.html' title='300 gramas'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/Sbc8dcsWhpI/AAAAAAAAAGA/HTcpXzNzyG8/s72-c/1101226_body1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-390003624274263950</id><published>2009-03-01T16:25:00.000-08:00</published><updated>2011-01-19T14:19:41.633-08:00</updated><title type='text'>Expressão</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/Sas572YLIFI/AAAAAAAAALY/BMj1bGhOb5Q/s1600-h/Grito+II+(I).bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 151px; height: 188px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/Sas572YLIFI/AAAAAAAAALY/BMj1bGhOb5Q/s320/Grito+II+(I).bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5308400286158233682" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;- Prazer em matar?&lt;br /&gt;- Um gozo estético, para ser mais preciso.&lt;br /&gt;- Fale-me mais a respeito.&lt;br /&gt;- A reação é o atributo que me atrai. A reação dos outros, quero dizer. Procuro a mais límpida espontaneidade e o completo casamento desta com minha finalização. A arte final é primordial. E todo o processo, desde o começo até o final, necessita de minhas armas. Entenda, elas são meus pinceis, digamos assim. Gosto das mais distintas composições que elas proporcionam, ainda mais se combinadas entre si. Saber usá-las e em qual ocasião usá-las me fascina. Facas são interessantíssimas opções se queres uma preliminar mais demorada. Agrada-me particularmente aquelas cuja superfície do gume é côncava, perfeita para cortes superficiais. Passá-las delicadamente pelo rosto, pelo corpo do outro, instigar... Gosto de começar assim. O resultado da composição final se delimita justamente neste ponto.Está me acompanhando, tomando notas?&lt;br /&gt;- Sim, sim. Prossiga.&lt;br /&gt;- Bem, trabalho na obra com cautela. O olhar do outro me acompanhando realmente é uma inspiração a mais. Gosto de saborear o momento da criação e busco muitas vezes aquele olhar. Mas isso não chega a ser uma regra, até porque o olhar é apenas uma das facetas da espontaneidade que tanto procuro, há outras. Geralmente depois de brincar com a textura da pele, deslizo com um pouquinho mais de força, promovendo cortes aleatórios e breves. Trabalhei esta técnica durante muito tempo. Ela serve para primeiro convidar o sangue a sair e banhar aos poucos o rosto ou a parte do corpo onde aplico. Depois passo para o para o tórax ou para os braços, raramente para as pernas. Às vezes para o pescoço também. Eu tenho que sentir. Mas às vezes vou para outros lugares. Lembro-me que tive resultados belíssimos quando apliquei esta técnica na vulva de uma mulher. Sua coloração do sangue vivificou ainda mais aqueles grandes lábios. E as reações foram maravilhosas, realmente muito boas! Estas renderam uma das mais belas finalizações que eu já fiz!&lt;br /&gt;- Como você prende suas vítimas?&lt;br /&gt;- Vítimas? Não os considero vítimas.&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;- Não. São modelos. E não as prendo, proporciono a movimentação estritamente necessária. &lt;br /&gt;“Dissimulação?”, pensei.&lt;br /&gt;- Explique-me mais sobre estas finalizações.&lt;br /&gt;- Chegarei lá, não acabei de explanar o processo. Rosto, pescoço, braços, tórax... Repito: tenho que sentir qual produzirá o efeito que almejo. Já apliquei a técnica em genitálias, como eu disse – as contorções geradas pelo uso dessa área realmente são únicas – mas prefiro mesmo o rosto e o tórax, eles são os mais tradicionais.&lt;br /&gt;- Desculpe interromper, mas só uma pergunta: tens preferência por... “Modelos” homens ou mulheres?&lt;br /&gt;- O que eu sentir.&lt;br /&gt;- Detalhe isso, por favor.&lt;br /&gt;- Significa que sigo minha intuição. Homens, mulheres, jovens, adultos, crianças... Eu tenho que sentir quais destes serão apropriados para aquilo que eu estou procurando no momento. A graça de minha arte é que ela não é 100% autoral. Necessito do outro, de sua manifestação, para eu próprio me expressar. Sou um fotógrafo da espontaneidade.  Esta é a essência da minha arte. &lt;br /&gt;- Humm... Parece-me que se interessa apenas por certos tipos de reações espontâneas. O desespero e a dor, não? &lt;br /&gt;- Gosto da reação intensa. Se queres nomeá-la assim, fica a seu critério. &lt;br /&gt;- Ok. Finalize sua explicação. &lt;br /&gt;- Sim, a finalização. Tenho paixão pela finalização proporcionada pelo revólver calibre 32 ou 38. Testei-o em várias partes do rosto de meus modelos ao longo do tempo. Pode não parecer, mas cada uma dessas partes influencia na expressão preservada que irá se suceder após o tiro. Isto é, se o modelo morrer na hora. Mas isso é o que geralmente acontece. Quando não, aplico outros tiros, delimitando um caminho muitas vezes ímpar ainda não explorado. O resultado de cada tiro, o som que ele injeta nos ouvidos, tem que se fundir justamente com a intenção promovida nas preliminares. Tem que haver o casamento, entende? E só eu sei fazer esse casamento. Cada preliminar merece um ponto estratégico final. É bem sutil as distinções dos efeitos desses pontos, mas há, e isso me empolga muito! Preocupo-me em sempre preservar o rosto do modelo. Sinto-me péssimo quando no final vejo que estraguei a expressão final. Por isso parei um pouco de usar algumas armas. Eu preciso preservar a expressão, essa é minha preocupação.   &lt;br /&gt;Notei que ele começou a passear os olhos pela extensão de minha face. Segui o que o delegado me disse, ter a cara “fria”, tentar não expressar nada. Será que escapei algo durante esta última declaração dele? &lt;br /&gt;- Bem, acho que por hoje está bom. Continuaremos semana que vem esta sessão. &lt;br /&gt;- Acabou, doutor? Que pena...&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Tenho curiosidade em me enveredar por outros campos. Essa curiosidade me rendeu este texto. Espero que gostem... Ou não. Minha intenção é causar certo asco em quem ler isso. Se bem que aquela fala bem... Técnica (?) do entrevistado dribla a possível ojeriza que o leitor possa eventualmente sentir. Talvez. Bem, é isso! Até =)&lt;br /&gt;Obs: tive que pesquisar um pouquinho sobre armas para fazer este texto. Valeu, Kayla, por me ajudar a saber qual arma não prejudica o rosto do "modelo".&lt;br /&gt;Obs 2: a música "Romance", do Apocalyptica, me ajudou na composição do texto.Uma cena do entrevistado fazendo sua arte tendo essa música como trilha sonora ficaria bem interessante.  &lt;br /&gt;Obs 3: não consegui achar a imagem que eu queria. Vai essa.Cortada, achei melhor assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-390003624274263950?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/390003624274263950/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=390003624274263950' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/390003624274263950'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/390003624274263950'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/03/expressao.html' title='Expressão'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/Sas572YLIFI/AAAAAAAAALY/BMj1bGhOb5Q/s72-c/Grito+II+(I).bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-1184018179797963678</id><published>2009-02-17T20:29:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T20:43:58.243-08:00</updated><title type='text'>Fim de tarde na praça</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SZuP4eoRpKI/AAAAAAAAAF4/cGPhP1X_4Bg/s1600-h/dente+de+le%C3%A3o.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5303991186616329378" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 237px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SZuP4eoRpKI/AAAAAAAAAF4/cGPhP1X_4Bg/s320/dente+de+le%C3%A3o.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;“Eu não carrego gadanha nem foice. Só uso manto preto com capuz quando faz frio. E não tenho aquelas feições de caveira que vocês parecem gostar de me atribuir à distância. Quer saber a minha verdadeira aparência? Eu ajudo. Procure um espelho enquanto continuo”.&lt;br /&gt;Markus Zusak&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;De quem era aquela mão enrugada, aquela voz roufenha? E essa vista embaçada, de quem era? De quem era o cheiro pútrido de coisa velha, que ninguém mais sentia por causa do talco e da colônia? Esse não era eu, meu Deus, não podia ser. Não podia ser eu que precisava ser segurado aonde quer que fosse, nem que fosse por uma bengala. Não podia ser eu que tanto li, estudei, aprendi e trabalhei pra me tornar um ser decrépito e decadente. Decrépito e decadente como esta praça, como este fim de tarde. O fim de tarde do meu decrépito e decadente fim de vida.&lt;br /&gt;Esta praça era apenas um arremedo daquela outra em que me sentei pra ver o pôr-do-sol e por acaso encontrei minha morte. Eu era tão novo e achava que era sábio. Não muito sábio, mas já me achava sábio. Ô Deus! Eu era tão idiota! Ainda mais do que sou hoje, que pelo menos entendo a minha própria estupidez. E sou anda mais estúpido por aceitá-la, ou por achar que poderia remediá-la nos livros, nos museus ou nos filmes para os quais a crítica dava cinco estrelas. Sou estúpido porque me esqueci da vida. Esqueci da morte.&lt;br /&gt;Mas a morte vem! Sinto em cada fibra, em cada osso meu que ela vem. Célere e constante. Tenho medo da morte. Tenho medo porque sou estúpido, e tenho medo da minha própria estupidez. E eu sempre vi os velhos nos meus filmes esperarem a morte tranqüilos, sobre uma cama iluminada pelo sol. Mas o sol já não é mais o mesmo, não há cama alguma aqui e muito menos tranqüilidade. Duvido que eu conseguisse simplesmente me deitar e esperar placidamente minha algoz.&lt;br /&gt;Estou com medo, estou com medo! Meu Deus! Por que não consigo deixar toda essa besteira de lado? Há anos eu encarei a morte sem medo algum, estava pronto para abraçá-la se fosse preciso. Minha ignorância era tão grande que tudo que senti foi curiosidade. A morte não me mostrou seu rosto, mas eu sei que da próxima vez que eu a vir, ela mostrará. E agora que sei que vou encontrá-la, toda curiosidade me abandonou. Eu vou morrer.&lt;br /&gt;Meus amores não sabem o quanto os amo. Minhas dividas não estão pagas. Meus trabalhos estão inacabados. Eu menti, eu burlei, eu traí, eu enganei, eu furtei, eu trapaceei, eu pequei. Não tenho curiosidade mais, só medo. Porque sei que a minha morte será terrível. Sei que o meu jeito de viver determina meu jeito de morrer.&lt;br /&gt;Nada fiz de bom, nada deixei.&lt;br /&gt;Não há nada...&lt;br /&gt;E se não há nada...&lt;br /&gt;Ela chegou como um calafrio dessa vez. Não me virei, mas pude senti-la atrás de mim.&lt;br /&gt;- Veio me buscar?&lt;br /&gt;- Só vou aonde me convidam.&lt;br /&gt;- Eu não te chamei. Não quero ir.&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;- Estou com medo.&lt;br /&gt;- Por que você quer ficar?&lt;br /&gt;- Tenho assuntos inacabados.&lt;br /&gt;- E você acha que alguém um dia acaba seus assuntos?&lt;br /&gt;- Acho que não. Só estou lhe atrasando. Estou com medo.&lt;br /&gt;- Você está mudado.&lt;br /&gt;- Isso é bom?&lt;br /&gt;- Eu não sei.&lt;br /&gt;- Você não me ajuda.&lt;br /&gt;- Eu não ajudo. Você se ajuda. Eu no máximo faço companhia, como já lhe fiz.&lt;br /&gt;- Você está mentindo.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Daquela vez você tentou me ajudar. Você me avisou. Mas eu era muito estúpido. Eu ainda sou. Eu podia ter feito tudo diferente. Mas desperdicei minha vida e vou pagar na hora da morte.&lt;br /&gt;- Você está mudado.&lt;br /&gt;Suspirei. Acho que o medo começava a dar lugar a um conformismo que podia não ser a serenidade dos velhinhos dos filmes, mas já me era mais aprazível. No lugar da cama, um banco quebrado de praça. E um pôr-do-sol cinza. E ainda era um lindo pôr-do-sol.&lt;br /&gt;- Acho que vou com você.&lt;br /&gt;- Acho que sim.&lt;br /&gt;- Eu vou sofrer muito? Sentirei muita dor?&lt;br /&gt;- Não sei ao certo. Você descobrirá.&lt;br /&gt;Virei-me. Ela ainda estava com aquele véu branco, mas agora era mais espesso. Quando seus dedos tocaram a barra, eu me preparei para ver pela primeira vez a última coisa que eu viria. Ela então descobriu o rosto.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu ia dedicar à Alanna, porque foi ela que pediu uma continuação, mas achei meio mórbido XD Demorou, mas veio... espero que alguém goste. Continuações em geral são piores que a original e essa não foge à regra ^^ Não vou colocar o post do primeiro texto porque eu espero que dê pra ler esse indepentendemente dele. Espero... dá?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-1184018179797963678?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/1184018179797963678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=1184018179797963678' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1184018179797963678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1184018179797963678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/02/fim-de-tarde-na-praca.html' title='Fim de tarde na praça'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SZuP4eoRpKI/AAAAAAAAAF4/cGPhP1X_4Bg/s72-c/dente+de+le%C3%A3o.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5348090640295238276</id><published>2009-02-09T07:37:00.000-08:00</published><updated>2009-06-06T07:26:17.178-07:00</updated><title type='text'>O diário das madrugadas de Doidivano (ou a transfiguração do primeiro movimento da Sonata para Piano nº. 14, de Beethoven)</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SZBR-6iuP-I/AAAAAAAAAK4/2_LJf8Y4n6s/s1600-h/Bart+I.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SZBR-6iuP-I/AAAAAAAAAK4/2_LJf8Y4n6s/s320/Bart+I.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300826902723706850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;8 de fevereiro.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todo escritor está, potencialmente, fadado a se levar a sério demais. Lanço-me aqui na mais alta conjectura da generalização com o direito – perdão, a licença – da convicção. A persuasão é íntima, é minha. Gozo senti-la, ainda mais neste soberbo silêncio da madrugada. Ah, “a glória noturna de ser grande não sendo nada”(1)  . Preciso dizer mais alguma coisa?Digam vocês, que estão dormindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9 de fevereiro.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando pela sacada, um impulso de vagar por aí ameaça dar um tapa no meu juízo. O que me impede de sair são os doidivanas, os malandros, os assaltantes. O medo deles, para ser mais claro. O pleno juízo, que me vem como um corpo estranho nesses momentos, para ser ainda mais claro. &lt;br /&gt;Indago-me sobre esta reflexibilidade travestida de dicotomia. Prevejo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: Doidivanas... Reparando melhor no nome, que elegância, não? Gostei. Talvez se eu substituísse o “as” do final por um simples “o”...&lt;br /&gt;Doidivano. Melhor. Sim. Por que não?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10 de fevereiro. &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí e andei. Andei mesmo. A aflição de encontrar alguém, a idéia de encontrar outro... Na madrugada, veja só, e na rua! Na rua! O que relato, no entanto, foi um encontro diferente: ouvi um piano, um piano denso, cadenciado, melancólico. Mais cadenciado que denso, mais melancólico que cadenciado, mais denso que melancólico. Não me perguntem como. Perguntem o que faz uma pessoa tocar piano a essa hora e a esse volume. Ou não, perguntem não, deixem. Vão estragar a lembrança daquela translúcida madrugada. Eu pergunto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;11 de fevereiro.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Repeti a experiência do dia 10: saí novamente. Não sabia o nome da música e queria ouvi-la novamente. Ah! Já podia ouvir! Ela vinha daquele prédio baixo, de quatro andares, perto da esquina. Arrisco que vem mais precisamente do último andar. Ou quem sabe da cobertura...&lt;br /&gt;Sentei na calçada e fiquei contemplando meu êxtase. Um êxtase lânguido, fleumático, que superava o inato noir da madrugada e seu romantismo amarelo ocre, porém sem destruí-lo, temperando-o com uma apatia inebriante. Viciava, e por isso deixei o local antes que eu dormisse na rua e acordasse todo mijado por algum cachorro. Ou pior,não? A imaginação fica a cargo de vocês. Mas só esta. &lt;br /&gt;Subi uma ladeira e me deparei em frente a uma loja de conveniências. Sentei-me em um banco próximo e me pego observando a porta metálica fechada da loja. Reparo algo inusitado: nela o dono, ou sei lá quem, colocou um curto aviso: “O poeta não virá hoje”. Estranho, não? Droga, eu pergunto: que poeta? Estou esperando algum poeta? Ninguém espera poetas em lojas de conveniências!  Audácia de quem colocou o aviso do poeta! Fui lá e, sem ninguém ver, tiro o aviso e o rasgo! Ele não virá mesmo e ninguém precisa saber!&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;12 de fevereiro.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ela veio me visitar hoje. O som da capainha tocando 4 e pouca da manhã me veio como uma remitência. &lt;br /&gt;Servi água – o vinha tinha acabado. Tento puxar uma conversa comentando sobre aquele pianista que toca no meio da madrugada. Indago se algum vizinho já reclamou sobre este fato; a pergunta cai como um ultimato. Ela pára. O seu jeito lindo de pensar me fascina. Sublime. Seu ar duvidoso já valeu a pergunta. Volta-se para mim com aqueles olhos castanhos. Sorri (naquele momento, ali, minha vida é vê-la sorri) e responde a pergunta, ainda vacilante. Porra, que olhos! Eu não quis mais saber da pergunta, não quis mais saber da resposta. Queria esquecer que eu vou ter que dizer algo. Gozei o fato de todos estarem dormindo, e tão rápido quanto o pensamento me permite ser, imaginei-me acariciando seu rosto e como o ar pensativo dela iria reagir. Como aqueles olhos iriam me encarar. Como sua boca se comportaria.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto-me até hoje por que eu dei um tapa nela. Forte.  &lt;br /&gt;Lembro-me de ter ficado vermelhinha sua pele. &lt;br /&gt;Nossa...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;____________________________________&lt;br /&gt; (1) Frase de Fernando Pessoa, presente no "Livro do desassossego", atribuída a seu semi-heterônimo, Bernado Soares. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Postei novamente porque Fóssil ainda não está com o texto pronto. Domingo ele postará normalmente.&lt;br /&gt;Este texto com certeza foi melhor que o anterior, mas ainda não me satisfez completamente. Fazer o que? Que venham outras idéias...&lt;br /&gt;Aquela composição de Beethoven, citada no título (adoro títulos monumentais...), me ajudou muito a visualizar esta estória sem rumo nem nada. Gosto de narrativas desse jeito. Tentei pensar em mais alguma coisa, em mais algum acontecimento, mas não saiu nada. Fica assim mesmo.&lt;br /&gt;A foto é de minha autoria. O boneco também. Ele é dos tempos de minha infância e pensei que o clima burlesco que ele expressa cairia bem com uma áurea noir. Achei que tinha muito a ver com o personagem principal.&lt;br /&gt;Bem, é só isso. Espero que gostem.&lt;br /&gt;Até =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5348090640295238276?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5348090640295238276/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5348090640295238276' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5348090640295238276'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5348090640295238276'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/02/o-diario-das-madrugadas-de-doidivano-ou.html' title='O diário das madrugadas de Doidivano (ou a transfiguração do primeiro movimento da Sonata para Piano nº. 14, de Beethoven)'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SZBR-6iuP-I/AAAAAAAAAK4/2_LJf8Y4n6s/s72-c/Bart+I.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-6222254520200616614</id><published>2009-01-25T14:25:00.000-08:00</published><updated>2009-01-29T16:45:51.285-08:00</updated><title type='text'>O vendedor de tempo</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SXzrCOOLaII/AAAAAAAAAKw/Va2GNcdXY6M/s1600-h/sentado+II.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 203px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SXzrCOOLaII/AAAAAAAAAKw/Va2GNcdXY6M/s320/sentado+II.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295365685290690690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Vende - se tempo em todos os formatos: segundos, minutos, horas, semanas, meses, anos. Não é brincadeira. Preço a negociar. Tratar com Camus. Cel.: 99700000”. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Olhou satisfeito para seu anúncio no jornal. Agora era só esperar as ligações. Que maravilha! Tempo! Vender tempo! Daria uma fortuna! É só negociar o suficiente, nada de mais. Uns 10, 12 anos? Ok. Ainda daria para aproveitar a vida. E quem não daria uns 5.000 reais ou mais por um ano perdido? Aposto! Ele iria realmente enriquecer. &lt;br /&gt; Já tinha calculado tudo. Vejam, Camus estava com 29 anos. Não gostava tanto de beber assim. Se bebeu trinta e cinco copos de cerveja e três caipirinhas até aquela idade, ainda foi muito. Não fumava. Experimentou um pouco de maconha na adolescência, mas logo largou. Comia bem, até. Consumia regularmente frutas e legumes, como tomates (“é bom para prevenir câncer de próstata e de esôfago, por exemplo”, lembrava ele), maçã (“retarda o envelhecimento da pele”), muitas bananas (“potássio e energia!”), etc.; não exagerava na picanha, no sal, não comia muito doce, essas coisas. Fazia academia e lia com freqüência. Pronto! Sabia que iria viver pelo menos até a casa dos oitenta. Logo, poderia negociar uns anos, por que não?&lt;br /&gt;Vieram as ligações. “Mas como é que tu vai me vender teu tempo? Como vou sentir que terei um dia perdido de volta, por exemplo? Que diabo é isso? Isso é molecagem tua, rapaz!”, atacavam. “Confie e apenas venha. Não te arrependerás”, respondia Camus, com segurança. “Isto é vodu?”. “Apenas vem!”. E dava o endereço.&lt;br /&gt;Foram. As coisas começaram fracas no primeiro dia. Somente uns três gatos-pingados compareceram. Todos ficaram aguardando em uma sala a hora de serem atendidos, que nem uma consulta médica. Sentiam-se meio bobos, decerto. Afinal, foram no intuito de comprar tempo. “Nem me pergunte, nem me pergunte”, diziam. Estes eram os que estavam mais desesperados, vejam.&lt;br /&gt;- Senhor Ruy Casanovas, pode entrar. Camus lhe aguarda – disse a secretária.&lt;br /&gt;O homem levantou-se, abriu a porta e entrou. Suspense besta. Os dois que ficaram se olharam. Travaram um diálogo mental. &lt;br /&gt;- É... É isso aí. O primeiro já entrou...&lt;br /&gt;- É... Pois é...&lt;br /&gt;Diálogo de olhos...&lt;br /&gt;Consideráveis minutos depois, o senhor Casanovas sai.&lt;br /&gt;- E aí...? – perguntaram os dois que aguardavam – Como é o negócio? Comprou quanto tempo?&lt;br /&gt;- Os dias 17 e 18 de novembro de 2008. Só isso que posso lhes dizer. Recomendações do cara lá. Tudo lhes será dito por ele. &lt;br /&gt;- Humm... E o preço?&lt;br /&gt;- Negociei 2000 reais.&lt;br /&gt;- Porra! &lt;br /&gt;- Bem... Ele disse que, caso não dê certo, terei direito a reembolso. Ele garantiu que não irá fugir nem nada, que o negócio é sério. &lt;br /&gt;- Mas que negócio é esse, rapaz? O que ele faz lá? Tu receberás o tempo quando? Tu irás voltar no tempo, é?&lt;br /&gt;- Tudo será explicado por ele. Tenho que ir, boa tarde para vocês. &lt;br /&gt;Os dois sentaram-se novamente. Pareciam crianças reclamando.&lt;br /&gt;- Isso é estranho, isso é estranho! Não estou entendendo mais nada!&lt;br /&gt;- E não é, rapaz? Que loucura é essa? Ei, você! – chamou a secretária – Teu patrão não é louco não, né? Espero não chegar à conclusão de que estou perdendo mais tempo aqui...&lt;br /&gt;- Nem eu sei. Só estou aqui porque recebo meu salário. Mas aguarde, será a vez de vocês já, já.&lt;br /&gt;Minutos depois:&lt;br /&gt;- Senhor Plínio Casbá, Camus lhe aguarda. &lt;br /&gt;Desconfiado, ele foi. Seu companheiro de agonia tentou se distrair lendo umas revistas antigas lá oferecidas. Às vezes lançava umas espiadas à secretária. “Rapaz, ela sabe de algo...”&lt;br /&gt;Logo, logo a porta abre-se novamente. O senhor Casbá sai com um sorriso sutil, daqueles do canto do canto da boca, como se tivesse provado uma estranha satisfação.&lt;br /&gt;- Fala rapaz, e aí? – o outro se apressou. &lt;br /&gt;- Calma. É interessante, cara, sério! Por alguma razão confiei nele. Vamos aguardar para ver.&lt;br /&gt;- Aguardar o que? Diz!&lt;br /&gt;- Cara, é melhor tu ouvir dele. Relaxa e aguarda aí. Vou indo nessa, até.&lt;br /&gt;- Espera! Só diz alguma coisa, uma dica!&lt;br /&gt;- Rapaz, é um lance curioso. Uma mistura de Física com macumba, o diabo! &lt;br /&gt;- É mesmo?&lt;br /&gt;- É, mas pode ir sem medo. Vou indo, boa tarde e boa sorte.&lt;br /&gt;Aquele boa sorte ficou ressoando na cabeça do outro. “O que será que ele quis dizer com isso? Bem, ele mesmo disse que eu não deveria ter medo, certo? Mas física e macumba? Calma, é melhor eu me sent...”&lt;br /&gt;- Osmar Franco, Camus lhe aguarda.&lt;br /&gt;“Vamos lá”&lt;br /&gt;Abriu a porta. Era um ambiente escuro, com poucos detalhes: uma cadeira logo na frente, um armário, uma mesa, um pequeno abajur, um incenso de cheiro inebriante (...), um telefone. Do outro lado da mesa, um homem de cabelo grande e bigodes o olhava com fraternidade, sentado em uma cadeira de encosto grande e elegante. &lt;br /&gt;- Saudações, meu amigo! Adentre, sente, relaxe.&lt;br /&gt;- Você deve ser o Camus...&lt;br /&gt;- Sim, sim.&lt;br /&gt;- Podes mesmo vender seu tempo? &lt;br /&gt;- Posso, é só me dizer se queres, por exemplo, meses ou anos, e negociaremos o preço.&lt;br /&gt;- Só quero recuperar um dia, um determinado dia.&lt;br /&gt;- Qual?&lt;br /&gt;- 9 de janeiro deste ano de 2009. Vai sair caro?&lt;br /&gt;- Só um dia? Por que queres recuperá-lo?&lt;br /&gt;- Por que?&lt;br /&gt;- Dependendo do motivo, o preço irá variar.&lt;br /&gt;- Humm... Digamos que eu vacilei e fiz outras coisas em vez de fazer outra.&lt;br /&gt;- Bem, você tem que ser mais claro.&lt;br /&gt;- Rapaz, é pessoal, entende? O máximo que posso dizer é que envolve uma pessoa...&lt;br /&gt;- Ok, ok, dá pra ter uma noção. Neste caso, vendo por 1.500 reais, o que achas?&lt;br /&gt;- Cara... Ok, tudo bem, contanto que dê certo...&lt;br /&gt;- Vai dar, sim. Dê-me sua mão.&lt;br /&gt;Osmar estendeu seu braço sobre a mesa, deitando-o com a palma da mão virada para cima. Camus pegou um pedaço de carvão e escreveu a data “nove de janeiro de 2009” nesta mesma palma. Depois, pegou um copo com um líquido um tanto esbranquiçado e derramou algumas gotas onde foi escrito a data.&lt;br /&gt;- Agora feche sua mão com força e pense neste dia e no seu acontecimento.&lt;br /&gt;Após falar isto, Camus entoou umas palavras estranhas e agarrou com suas mãos o punho fechado de Osmar.&lt;br /&gt;- Você acordará amanhã no dia nove de janeiro de 2009. Faça o que achar que tem que fazer! Isto é uma chance rara, reconheça! Ao dormir neste dia em questão à noite, você amanhecerá no dia vinte e dois de janeiro de 2009, ou seja, amanhã. Afinal, só lhe vendi um dia. Entenda que não há fluxo. Os eventos, ao ocorrerem, simplesmente existem. Se você fez certa coisa no dia nove, você ainda o está fazendo. O que eu faço é lhe dar a oportunidade de ir até lá, o “você do agora”, e modificar.&lt;br /&gt;- Isso é um poder incrível nas mãos de um insano. Não tem risco?&lt;br /&gt;- O risco que ocorrer irá acontecer na realidade paralela da pessoa em questão.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Ao modificar o seu passado, você fundará uma realidade alternativa sua. Eu e o resto do mundo continuaremos nesta nossa realidade.&lt;br /&gt;- Isso é ilegal?&lt;br /&gt;- Não sei. Mas funcionará, garanto. Só peço que não diga nada para as eventuais pessoas que estão lá fora. Eu quero pessoalmente explicar tudo a elas. E se não der certo, o que é muito difícil, você pode voltar. Será reembolsado. O dinheiro, por favor.&lt;br /&gt;-Ok. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                       * * *&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Osmar dormiu naquela noite e acordou cada vez mais longe de nove de janeiro de 2009. Acordou normalmente no dia vinte e dois de janeiro. Foi à tarde ao apartamento onde Camus fizera sua venda no intuito de reclamar e pedir seu dinheiro de volta. “Corno picareta!” Por coincidência, encontrou na porta do elevador os seus dois companheiros de espera do dia anterior.&lt;br /&gt;- Não deu certo, né? Esse filho da puta...&lt;br /&gt;Chegando lá,checaram a tranca da porta. Estava aberta. Entraram. Lá dentro repararam que a porta que dava acesso ao cubículo de Camus estava entreaberta. Entraram novamente. A sala deu medo; estava vazia e novamente encontrava-se iluminada apenas pelo abajur. A cadeira onde o vendedor de tempo estivera ontem estava sem ninguém. Em cima da mesa, no entanto, encontrava-se um pedaço de papel. Nele havia uma simples, direta pergunta: &lt;em&gt;“foi pior perder o tempo ou o dinheiro de vocês?” &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                        * * *                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não há fluxo. Os eventos independentemente de quando ocorram, simplesmente existem.Todos existem.Eles ocupam para sempre o seu ponto particular no espaço-tempo.Se você estava de divertindo a valer no réveillon, você ainda está lá, pois esta é uma das localizações imutáveis do espaço-tempo" (Brian Greene, físico americano da universidade de Colúmbia).&lt;br /&gt;Fonte: revista Super Interessante, edição 223, Fev/2006, pág. 40. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Eu encaro este texto como um dos mais chochos que eu já fiz. Mas como eu estava no meio dele e não tinha outra idéia, decidi terminá-lo mesmo com todas as minhas pequenas implicâncias. Achei divertido, todavia, elaborar aqueles três personagens abestados (e ricos, aparentemente). Abestados até demais, mas tudo bem. Sem eles, a estória não funcionaria. Eu tinha um outro final em mente, mas achei que talvez fosse ficar meio ingênuo e complicado. Gostei deste, seco!&lt;br /&gt;Bem, é só isso. Até logo =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-6222254520200616614?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/6222254520200616614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=6222254520200616614' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/6222254520200616614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/6222254520200616614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/01/o-vendedor-de-tempo.html' title='O vendedor de tempo'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SXzrCOOLaII/AAAAAAAAAKw/Va2GNcdXY6M/s72-c/sentado+II.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-4990855977144197787</id><published>2009-01-06T20:21:00.000-08:00</published><updated>2009-01-07T04:28:45.927-08:00</updated><title type='text'>O Rei de Vidro</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SWQ35dARsSI/AAAAAAAAAEM/fGyR45D12io/s1600-h/reidevidro.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288413322617663778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SWQ35dARsSI/AAAAAAAAAEM/fGyR45D12io/s320/reidevidro.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Como se jogar xadrez não fosse algo especial, aquele xadrez era de vidro. O embate se prolongava alheio ao mundo exterior. Mas não era um embate ordinário, como não era ordinário aquele xadrez de vidro. No tabuleiro, também de vidro, as peças não se moviam. Nenhuma das peças brancas saiu primeiro com o peão andando duas casas, nenhum cavalo andou em L. Aqueles homens sábios e caducos, assim que descobriram o xadrez, puseram-no em cima da mesa e puseram-se a observá-lo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A situação, convenhamos, era das mais ridículas. Ver dois homens parados em frente a um tabuleiro de xadrez era irritante. Contudo, todos naquele lugar estavam ocupados demais para olhar dois gagás filosofando sobre peças imóveis. Eles também, imóveis, não falavam, deixavam o embate transcorrer em suas mentes. Talvez não se conhecessem tão bem, mas um sabia o que o outro pensava, pois pensavam as mesmas coisas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"Os peões. São muitos e todos iguais. São colocados na frente, como o boi dispensável que é atirado às piranhas para que o resto do rebanho siga incólume. São massa de manobra, capazes apenas dos movimentos mais simples e só por um milagre derrubam peças mais fortes. Estão lá, sustentando oito peças nas costas, mas os holofotes só brilham pra eles quando são promovidos e trocadas por peças mais importantes".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"O bispo me intriga pela sua parecência com seus representantes reais. Não só os homens do clero, mas todos aqueles... eles olham, se mexem e até falam enviesado! Eles estão de um dos lados, mas não atacam de frente... como saber quando virarão para o outro lado?"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"E a rainha? Sempre há uma rainha. Alguém forte no comando, que faz tudo no lugar, mas permanece atrás de uma figura de proa. Alguém que não tem os pés no pedestal, mas não tem uma guilhotina pendendo sobre o seu pescoço. Alguém que reina, sem ser rei".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;"E o rei..."&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma explosão, um tremor e os dois levaram as mãos ao mesmo rei, que caiu. E o que era vidro, se quebrou. Os dois olharam os cacos uns instantes, até que um deles falou:&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- E o rei que derramou o sangue de seu povo e de seus soldados, o rei que ouve conselhos enviesados e furtivos, o rei que se deixa governar, o rei acomodado e incapaz acaba por ser consumido por sua própria ganância, ineficiência e estupidez.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O outro puxou um lenço e juntou os pedaços partidos do rei.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;- Vou jogá-lo no lixo pra se juntar aos outros reis do mundo. Que um dia estejam lá todas as coroas.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O embate terminara. Os dois homens caducos e sábios que não tinham mais que doze anos decidiram deixar o tabuleiro sobre a mesa. Saíram então para ver a pintura de poeira e fumaça que era a Faixa de Gaza.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pois é, escrevi e digitei ainda agora. O texto que fiz domingo na prova do vestiba considerei inadequado. Espero que ler esse daí não seja tão cansativo quanto foi escrevê-lo (hoje foi um dia puxado, embora não de trabalho =D). Acho que não há o que dizer sobre ele, é tudo bem evidente, né? Então, falou!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ah, só aproveitar essa oportunidade pra desejar a todos os meus amigos sucesso no vestibular (inclusive aos que farão em outros lugares, como Alanna e Minga!). Vocês merecem. Confiança que vai dar tudo certo!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-4990855977144197787?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/4990855977144197787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=4990855977144197787' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4990855977144197787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4990855977144197787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2009/01/o-rei-de-vidro.html' title='O Rei de Vidro'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SWQ35dARsSI/AAAAAAAAAEM/fGyR45D12io/s72-c/reidevidro.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-4546207610679843108</id><published>2008-12-28T20:00:00.000-08:00</published><updated>2009-04-23T15:24:01.736-07:00</updated><title type='text'>Metalinguagem desvairada</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SVhP4O9C7UI/AAAAAAAAAEE/of9ZFxeYdhc/s1600-h/espelho_costas_.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 234px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SVhP4O9C7UI/AAAAAAAAAEE/of9ZFxeYdhc/s320/espelho_costas_.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285061990224686402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O escritor não está conseguindo ter nenhuma idéia. Não sei descrever cena mais lamentável! Ele se levanta e vai lavar as mãos (o pretexto é se olhar no espelho). Senta. Levanta-se novamente. Vai à cozinha e se serve de uma taça (tinha que ser uma taça!) de água. Volta. Sentado novamente, ele olha para os lados, para cima, para suas revistas, para seus chinelos. “Quem sabe uma idéia com chinelos...” Olha para a taça. A água fora toda bebida. Levanta-se. Dirigi-se mais uma vez à sua cozinha e se serve de mais água. Volta. Senta. “Chinelos...” “Besteira!” O relógio acusa 2h, 43 minutos e 15 segundos, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25...&lt;br /&gt;- Merda!&lt;br /&gt;26, 27, 28. Foi o tempo para ir até ao banheiro. Mira-se no espelho. Orgulha-se dos olhos verdes. “Verdes...” “Besteira!” Lava as mãos. Volta. Senta. Bebe uma pouco d’água. “Água...” &lt;br /&gt;Eu avisei que era lamentável. &lt;br /&gt;39, 40, 41. Ele volta (!) ao banheiro. Apaga e acende a luz incessantemente. Faz caretas. Abre a torneira. Molha a cara. Fecha a torneira. “Você é muito sexy!”, enquanto aponta para o seu reflexo. “Você é muito sexy e as mulheres amam seus olhos verdes!”&lt;br /&gt;Eu não aviso mais (...)&lt;br /&gt;Volta. Senta. Lembra-se do reflexo. Pára por um momento. “Hummm...”, como quem analisa um carro usado! &lt;br /&gt;“O escritor não consegue ter nenhuma idéia”, escreve. &lt;br /&gt;(...) &lt;br /&gt;“Que cena lamentável, vejam!”&lt;br /&gt;Ele tem bom senso, ao menos.&lt;br /&gt;“Não agüenta ficar sentado. Vai lavar as mãos!”&lt;br /&gt;Esqueceu de dizer que o pretexto é se ver no espelho!  &lt;br /&gt;“Volta e vai à cozinha para se servir de uma taça de água”.&lt;br /&gt;Uma taça, vejam!&lt;br /&gt;“Volta novamente. Senta e olha ao seu redor. Tenta filosofar”.&lt;br /&gt;Sobre chinelos. &lt;br /&gt;“Quando se espanta, vê que bebeu toda a água da taça. Retorna à cozinha e se serve de mais. ‘Água ainda vai valer mais do que ouro’, reflete”. &lt;br /&gt;Não nego...&lt;br /&gt;“Senta. Nenhuma idéia lhe parece boa. Seus olhos procuram as horas. Jó teria inveja da paciência daquele relógio, que arrasta o tempo morosamente: são 2h, 59 minutos e 57 segundos, 58, 59...”&lt;br /&gt;Céus, imaginem alguém com inveja de relógios! &lt;br /&gt; “3h! Os demônios estão soltos!”&lt;br /&gt;Menos, por favor! &lt;br /&gt;“Levanta e vai de novo ao banheiro”.&lt;br /&gt;Porra, ele gosta de ir para esse banheiro!  &lt;br /&gt;“Molhou a face. Enxugou-a. Olha-se no espelho. Sorri. Acha-se bonito. Admira seus olhos verdes”. &lt;br /&gt;Boiola...&lt;br /&gt;“Retorna ao seu assento. Nada de idéias, ainda. Idéias, idéias, idéias! Não vinha uma!”&lt;br /&gt;Que familiar. &lt;br /&gt;“Quando teve certa inspiração!”&lt;br /&gt;Vejamos. &lt;br /&gt;“‘O escritor não estava conseguindo ter nenhuma idéia’, escreveu ele. ‘Era uma cena lamentável’”. &lt;br /&gt;Lamentável!&lt;br /&gt;“Era mesmo”. &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Tive certa satisfação em perceber que este era o último post do ano. De um ano... Bem... Hummm... Impactante, na (humilhante) falta de um termo melhor. Embasbacantes acontecimentos e suas respectivas repercussões vieram ao lume em 2008: Barack Obama, crise mundial, a renúncia de Fidel, as olimpíadas de Pequim e uma amostra do poderio da China, o Grande Colisor de Hádrons, a Telha foi fundada (hehehe) etc., etc., etc.!&lt;br /&gt;Estou curioso para saber o que virá em 2009! Venha! Veremos o que nos aguarda!&lt;br /&gt;E não desejarei “feliz ano novo”! É a frase mais broxante que existe! Desejo um pasmoso, interessantíssimo, reflexivo e resolutivo ano novo!&lt;br /&gt;E, agora, ao texto:&lt;br /&gt;Ele é bem pequeno comparado aos que já publiquei aqui, mas abarcou muitos temas que me atraem profundamente. Além de abarcar um pequeno segredo também. Descubram.&lt;br /&gt;Interpretem, discutam, critiquem, falem bem, falem mal! Fiquem à vontade!&lt;br /&gt;Até logo! =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-4546207610679843108?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/4546207610679843108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=4546207610679843108' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4546207610679843108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4546207610679843108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/12/metalinguagem.html' title='Metalinguagem desvairada'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SVhP4O9C7UI/AAAAAAAAAEE/of9ZFxeYdhc/s72-c/espelho_costas_.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5356867113468057711</id><published>2008-12-21T20:50:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T05:30:26.874-08:00</updated><title type='text'>Faxina</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SU8gqB8ordI/AAAAAAAAADs/NGrc4PAd1OU/s1600-h/sanaman.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5282476794378235346" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 197px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SU8gqB8ordI/AAAAAAAAADs/NGrc4PAd1OU/s320/sanaman.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Trocou o pano por outro que ainda estava branco, esse já estava demasiado sujo. E continuou a lustrar todos os móveis da casa. Quantos panos já teria trocado? Sabe-se lá... Resolveu que precisava fazer aquela faxina neurótica. Era um dia especial, com certeza. Era preciso limpar cada vaso e pôr no seu lugar, limpar cada mesa e deixar no seu lugar, limpar cada cadeira e pôr no seu lugar, limpar cada lembrança e pôr no seu lugar. Queria que a casa ficasse do jeito que ela lembrava quando aconteciam ocasiões especiais. Ligou o rádio e navegou por várias estações até achar a ideal. Comprara flores que arranjou cuidadosamente num vaso bonito sobre a mesa. Distribuiu pratos de porcelana, copos de cristal e talheres de prata, garfos à direita e facas à esquerda - não gostava de convenções. As mantas no sofás eram indomáveis, mas naquele dia até elas resolveram cooperar e não demoraram tanto a ficarem no lugar que ela queria que ficassem. Trocou as roupas de cama, esticou as novas até que não ficasse uma ruga nos lençóis. Varreu a casa uma, duas, todas as vezes. Lavou o chão, enxugou, encerou, esperou. Escolheu na cozinha um tapete que trazia os dizeres "Bem-vindo" e colocou na porta da frente. Pendurou um sino de vento na porta da frente, espalhou naftalina pelo banheiro. Pintou o que podia pintar nas paredes e disfarçou o que não podia. Tirou teias de aranha. Varreu as folhas secas do quintal. Abarrotou sacos de lixo que levou para fora para serem coletados pelo caminhão. Trabalhou com tanto esmero, tanto cuidado, tanto rigor, de forma tal que nunca fizera em sua vida e nunca mais faria.&lt;br /&gt;Fez várias rondas fiscalizando o trabalho, consertando o necessário, até que aprovasse tudo. Foi até a dispensa e pegou a garrafa, cujo conteúdo espalhou por toda parte. Riscou um fósforo e atirou no chão. Depois sentou-se na velha cadeira de balanço e deixou que o fogo consumisse a casa. E ela também.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Feliz Natal pra todo mundo! Paz, saúde, alegria, seiláoquemais =D&lt;/p&gt;&lt;p&gt;À toda a minha família, aos meus amigos, especialmente os Guetto e os da UFMA (da sala ou do NAJUP): vocês fazem minha vida mais feliz, amo vocês ^^ &lt;/p&gt;&lt;p&gt;(Pois é, estou mais velho e o recesso chegou: até minha possível reposição, a vida é bela)&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5356867113468057711?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5356867113468057711/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5356867113468057711' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5356867113468057711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5356867113468057711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/12/faxina.html' title='Faxina'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SU8gqB8ordI/AAAAAAAAADs/NGrc4PAd1OU/s72-c/sanaman.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-4859613279746585496</id><published>2008-12-16T18:57:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T13:40:32.215-08:00</updated><title type='text'>Quatro janelas, duas véia</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SUhvIFmUMHI/AAAAAAAAADs/Xe3TUdi81ck/s1600-h/Casa.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 319px; height: 222px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SUhvIFmUMHI/AAAAAAAAADs/Xe3TUdi81ck/s320/Casa.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5280592747824427122" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Lá onde o longe se perdeu&lt;br /&gt;Dizem que ainda estão por lá&lt;br /&gt;Filhas do demo, só pode! &lt;br /&gt;Me benzo só de pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu irmão, não se aventure &lt;br /&gt;Pras bandas que eu vou dizer&lt;br /&gt;Fique aqui, me escute&lt;br /&gt;Tu já vai saber porque. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quatro janelas, uma casa&lt;br /&gt;Uma senda, duas véia&lt;br /&gt;Elas ficam só de olho&lt;br /&gt;Em quem passa em frente delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São irmãs ou namoradas?&lt;br /&gt;Isso ninguém vai saber&lt;br /&gt;Eu nem sei quando chegaram&lt;br /&gt;Elas nunca vão morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os seus olhos são de pinche&lt;br /&gt;Seus cabelos são de arame&lt;br /&gt;Triste, insano, tosco, feio!&lt;br /&gt;Alguém queime essas madame!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se passar pela primeira &lt;br /&gt;Ela grita seu passado&lt;br /&gt;Nunca busca coisa boa&lt;br /&gt;Não vai ser de teu agrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para alguns, o passado&lt;br /&gt;é intocado, nos inibe.   &lt;br /&gt;Essa véia gosta é mesmo&lt;br /&gt;De gente desse calibre.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Quando lá era uma vila&lt;br /&gt;Zombaria não faltava&lt;br /&gt;Escutar passado alheio&lt;br /&gt;Era um prazer que exaltava.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde a filha do tendeiro&lt;br /&gt;Que transou com seu irmão&lt;br /&gt;Até as artes do banqueiro&lt;br /&gt;Que roubou foi um milhão&lt;br /&gt;A véia lia sua alma&lt;br /&gt;Sem um pingo de perdão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra quem nada escondia&lt;br /&gt;Nem havia choradeira&lt;br /&gt;Mas se lembre que existe&lt;br /&gt;Outra véia janeleira!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se passar por essa outra&lt;br /&gt;Seu futuro será dito&lt;br /&gt;Não há reza que acanhe&lt;br /&gt;Nem chame Santo Expedito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falam que ela nunca mente&lt;br /&gt;“Isto vai acontecer!” &lt;br /&gt;Pode ser daqui há um ano&lt;br /&gt;Ou depois do amanhecer!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quer passar lá pelos fundos?&lt;br /&gt;Nem me venha com idéia&lt;br /&gt;Outra dupla de janelas&lt;br /&gt;Lá te espera com as véia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo, logo todo mundo&lt;br /&gt;Do outro tudo sabia&lt;br /&gt;O passado, o futuro&lt;br /&gt;Nada mais se escondia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O desgosto começou&lt;br /&gt;E a ira foi crescendo &lt;br /&gt;A revolta era clamada&lt;br /&gt;Na bênção do reverendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vamo punir aquelas véia&lt;br /&gt;Expulsá-las da morada&lt;br /&gt;Lapidá-las sem demora &lt;br /&gt;Pra ficar só a ossada”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se juntaram de uma vez&lt;br /&gt;E partiram pro assalto&lt;br /&gt;Bramindo que nem cachorro&lt;br /&gt;Na noite cor de asfalto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O barulho acompanhou&lt;br /&gt;A tomada do motim&lt;br /&gt;O silêncio, todavia,&lt;br /&gt;tomou tudo lá pro fim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois sumiu-se todo mundo&lt;br /&gt;Na casa da perdição&lt;br /&gt;Nunca mais se ouviu falar&lt;br /&gt;De toda a multidão! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se passa desde então&lt;br /&gt;Em frente à moradia&lt;br /&gt;O valente só protela:&lt;br /&gt;“Quem sabe um outro dia”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os guris ficam brincando&lt;br /&gt;Só pichando pelo muro&lt;br /&gt;“Lá só passa sem remorso &lt;br /&gt;Homem santo sem futuro”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto,banquei o cordelista! De tanto ouvir "Cordel do fogo encantado", me deu vontade de fazer um cordel!E eu já tinha uma estória na cabeça que se encaixava certinho nesta proposta. Foi divertido fazer, mas deu trabalho (e no término eu já não via mais tanto prazer em pensar no que eu ia escrever!). Eu lia e relia os versos, tentando achar a melhor forma de não quebrar a estrututa rítmica.  O pior foi que de tanto eu reler, as estrofes foram me parecendo cada vez mais bobas. Mas tudo bem! Terminei assim mesmo! E demorei pra terminar também porque eu estava ocupado com 10.000 coisas nestes últimos dias. Claro que este cordel não chega aos pés de criações tão incríveis como aquela letra da música "Bienal", de Zeca Baleiro e Zé Ramalho, mas a gente tenta! XD&lt;br /&gt;Bom, é isso, até =)&lt;br /&gt;Obs: me inspirei na estória ao ver as janelas da casa de minha vó...Mas achei perfeita esta imagem para ilustrar o clima do enredo. Eu só a escureci ainda mais para ficar um pouco mais sombria.&lt;br /&gt;Retirei a foto deste blog: http://minhaextrema.blogspot.com/2007/04/blog-post_13.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-4859613279746585496?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/4859613279746585496/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=4859613279746585496' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4859613279746585496'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/4859613279746585496'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/12/quatro-janelas-duas-via.html' title='Quatro janelas, duas véia'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SUhvIFmUMHI/AAAAAAAAADs/Xe3TUdi81ck/s72-c/Casa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-3543058891111070592</id><published>2008-12-07T15:06:00.001-08:00</published><updated>2008-12-07T15:54:46.359-08:00</updated><title type='text'>Num banco de praça</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/STxdXpkfHnI/AAAAAAAAADU/cYWSXC9WLwo/s1600-h/banco-jardim-1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5277195524248641138" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 209px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/STxdXpkfHnI/AAAAAAAAADU/cYWSXC9WLwo/s320/banco-jardim-1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Quando me sentei naquele banco de praça, foi para pensar na vida (ou em qualquer outra coisa) e esperar o pôr-do-sol. Por isso, fiquei admirado quando ela chegou. Os casais nos bancos vizinhos (mas felizmente a uma distância considerável) não deram pela presença daquela estranha figura e eu desconfiei que não pudessem vê-la. Isso porque logo a reconheci, ainda que nunca a tivesse visto: era a morte.&lt;br /&gt;- Por que você está aqui? Chegou a minha hora?&lt;br /&gt;Ela não tinha lábios - nem rosto, na verdade-, mas adivinhei um sorriso naquele vulto de branco.&lt;br /&gt;- Eu não sei. Mas fique tranqüilo, não é por isso que estou aqui.&lt;br /&gt;- Não?&lt;br /&gt;- Claro que não. Eu não procuro ninguém, as pessoas que me procuram. Vim porque achei que você estava muito só.&lt;br /&gt;- É bom ficar só às vezes.&lt;br /&gt;- Você fala isso pra mim, a mais solitária das criaturas! Não sabes o que dizes... Nem as outras mortes eu conheço!&lt;br /&gt;- As outras...?&lt;br /&gt;- Claro! Toda pessoa tem a sua. A morte de cada um nasce com ele e o acompanha desde o berço até o leito fúnebre.&lt;br /&gt;- Até que vocês os levem.&lt;br /&gt;- Entenda como quiser! – ela pareceu zangada – Mas acredite, levá-los ou deixá-los está além da nossa capacidade. Se isso fosse possível, você já não estaria vivo há tempos! Tantas vezes que eu quis te levar embora...&lt;br /&gt;- Mas por quê?&lt;br /&gt;- Algumas vezes por pena. Do seu sofrimento, do seu cansaço... Eu queria te proteger das pessoas. Mas admito que na maior parte das vezes foi por raiva. Queria proteger os outros de você.&lt;br /&gt;- Eu não me considero tão perigoso assim... Que mal eu já fiz a alguém? Que mal eu poderia fazer?&lt;br /&gt;- Sugiro que você comece a se conhecer melhor.&lt;br /&gt;- Pelo jeito a sua idéia de mim não é nada boa!&lt;br /&gt;- Mais ou menos. É que a idéia que faço de mim mesma também não é lá essas coisas. E afinal, eu sou só um reflexo de você.&lt;br /&gt;- É?&lt;br /&gt;- Você já leu isso em algum lugar: “meu jeito de viver determina meu jeito de morrer”.&lt;br /&gt;- É verdade, já sim...&lt;br /&gt;- Eu sei, não foi uma pergunta.&lt;br /&gt;- Então, se eu entendi o que você disse... eu sou uma pessoa ruim?&lt;br /&gt;- Bem, no geral... É, acho que sim.&lt;br /&gt;- O que quer dizer que minha morte será horrível?&lt;br /&gt;Ela ficou um tempo em silêncio. Olhou para o chão e depois voltou o rosto para mim:&lt;br /&gt;- Olhe-me. O que você vê?&lt;br /&gt;- Minha morte.&lt;br /&gt;- Muito perspicaz. Diga-me, consegue dizer como é meu nariz? A cor dos meus olhos? A forma do meu cabelo?&lt;br /&gt;- Eu sequer enxergo seu nariz, seus olhos ou seu cabelo!&lt;br /&gt;- Exatamente. Eu sou apenas um vulto.&lt;br /&gt;- E daí?&lt;br /&gt;- Daí que você precisa ir embora.&lt;br /&gt;Verdade. Já estava escuro e eu estava atrasado. Ela se levantou.&lt;br /&gt;- Espere, por favor! O que você quis dizer com isso?&lt;br /&gt;Novamente, um sorriso no rosto sem lábios.&lt;br /&gt;- Na próxima vez que nos virmos, você será capaz de ver cada detalhe em mim. Espero que até lá você encontre a resposta.&lt;br /&gt;E sumiu. Havia nuvens demais no céu. Foi por causa delas ou da morte que eu não vira pôr-do-sol? Levantei-me, os casais ainda estavam lá. E uma das nuvens no céu tinha forma de foice.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro dia eu cheguei mais cedo pro curso de francês e resolvi sentar num banco da praça Gonçalves Dias. Eu fiquei lá sozinho esperando a hora e depois imaginei alguém conversando num banco com alguém que só essa pessoa pudesse ver. Olhei no céu e tinha uma nuvem em forma de foice (pelo menos eu achei) e pensei na morte. Toscão XD&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Ansioso pra terça-feira! Acho que essa minissérie "Capitu" promete. Luiz Fernando Carvalho adaptando Dom Casmurro... aposto várias fichas nisso! =]&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Sem mais no momento.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-3543058891111070592?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/3543058891111070592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=3543058891111070592' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3543058891111070592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/3543058891111070592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/12/num-banco-de-praa.html' title='Num banco de praça'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/STxdXpkfHnI/AAAAAAAAADU/cYWSXC9WLwo/s72-c/banco-jardim-1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-1757692877843015788</id><published>2008-11-30T16:03:00.000-08:00</published><updated>2009-04-22T08:51:45.513-07:00</updated><title type='text'>A cabeça feita de dor e a raiva roubada</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/STMx_3wFgAI/AAAAAAAAADI/coWK9u00JsE/s1600-h/Foto+I.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/STMx_3wFgAI/AAAAAAAAADI/coWK9u00JsE/s320/Foto+I.JPG" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5274614561948139522" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aviso I: &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este texto era bem mais enodoado e politicamente incorreto. Dei umas (grandes) cortadas “a la Fernando Meireles” nele e mudei seu rumo.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aviso II:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este texto é um tanto pessoal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei por que me prontifiquei a escrever esta experiência. Talvez fosse a última fonte de prazer que pude me lembrar. Fonte de pingos ralos e escassos. E sujos. Enquanto escrevo, a fera que está em minha cabeça dorme. Alívio. Antes ela não me deixava dormir! Não me deixava nem sentir pena de mim. Tudo bem, minto. Um pouco de pena senti (isso ela não pôde me tirar!). Mas a impossibilidade da raiva foi algo inédito. Estou sendo sincero, acredite: a fera na minha cabeça (localizada na parte frontal esquerda, para ser mais exato) não me deixou sentir raiva! A fera, meus leitores, para esclarecer, era a dor. Uma puta dor. Intensa,impetuosa, incansável, profissional! Tanto que até roubou minha raiva, como já havia dito! Ela só me permitia senti-la. Ela só queria que eu a sentisse! Clamava escandalosamente pela minha atenção. Estava me desejando. Um desejo doente, bizarro. Ela me queria só para ela! Vejam, leitores: ela estava disposta a se dar toda só para mim! Só faltou se matar para querer chamar meu tento! Antes tivesse feito isso! Eu a amaria, assim! Mas não. Se assim fosse, ela me obrigaria a ir junto. O que evidencia nela muito egoísmo... E sadismo, por que não? Ela adorou meu sofrimento, adorou toda a atenção que, forçosamente, dei, e adoraria com certeza minha reluta em morrer com ela. Minha cabeça ia rachar e a dor lambia os beiços. Nem gritar eu conseguia e ela se molhava de tesão por isso (que engraçado, o Microsoft Word diz para eu colocar no lugar a palavra “excitação” – perdoem, gente, ele tem vergonha, que gracinha!). E quando eu descobria um caminho para gritar, ela, maliciosa e receosa, se intensificava ainda mais e sussurrava em meu ouvido: “você é meu. Não é do grito. Nem da raiva. Nem seu. Meu!”. Caso parecido com o filme “Louca obsessão”. Quem viu, sabe! &lt;br /&gt;Com o pouco que ainda me restava, fui ao neurologista. Eu queria separação, um divórcio! Naquele momento o médico virou juiz – e ele nem se deu conta disso. Eles nunca se dão conta, na verdade. Não percebem que estão lá para separar casos de amores insanos e sádicos. De amor não! Isso não pode ser amor! De paixões! Paixões obsessivas e não correspondidas! As doenças têm tanta paixão por nós, querem tanto nossa atenção, que desejam que nós morramos com elas. Isso me faz lembrar, por acaso, um texto do nosso grande cronista Nelson Rodrigues. Um texto que ele relata um caso realmente de amor. Vamos a ele (perceberão que há uma grande relação com a paixão das doenças): era um casal jovem. Ele de dezessete e ela de dezesseis. As famílias aprovavam o namoro. Já iam ficar noivos (!). Estava tudo lindo. Certo dia, porém, o casal sai para visitar uma tia e lá não chega. Dia seguinte, encontraram os dois juntos e mortos em um determinado local. Ao lado, um vidro de desinfetante e um bilhete assinado por ambos, no qual estava escrito “morremos felizes”. Nesta hora, o cronista revela o espanto que sentiu quando viu esta matéria no jornal e solta uma genial conclusão: “quem nunca desejou morrer com o ser amado, não conhece o amor, não sabe o que é amar”. E encerra a crônica. Interessante. Muito parecido, repito, com o desejo ardente das doenças por nós. Que não é amor, insisto. Sei, no entanto, que alguns  torcem a cara e dizem que nem o próprio amor escapa de ser tão belo assim. “Todo amor é amor-próprio”, já dizia Nietzsche, lembram? Discordo. Diria que toda paixão é amor-próprio. Esta sim é centrada no eu e no que o outro pode me proporcionar de prazer. Amor é outra coisa. Raro, difícil, sim, mas nada impossível. Gosto desta frase que Liane Alves escreveu sobre o amor na revista Vida Simples: é “pedir licença e tirar a si mesmo da frente”, em favor do outro. Minha dor, que foi o cartão de visita de certa doença (que já direi qual é), não me amava, não queria morrer comigo. É diferente. Queria que eu morresse com ela. Por ela. Mesmo que fosse à base da marra! Mas deu para me separar! O divórcio foi concluído e pude resgatar minha raiva, minha gostosa, deliciosa raiva! Que grande satisfação! Duvido que consigam imaginar igual satisfação! Os “juízes” cumpriram seus papeis: o neurologista viu que se tratava, na verdade, de uma forte sinusite, e o otorrinolaringologista confirmou o diagnóstico deste, passando uma santa medicação. Hoje a fera está imobilizada e amordaçada e tenho certeza que vive ainda sonhando com sua paixão mórbida. Ainda bem. Não espero que tenha morrido. Seria uma saída muito suave para ela. Espero que esteja sendo carcomida por um mastodôntico sofrimento e por uma demente agonia! E que permaneça assim, na dor da falta de liberdade, na dor do silêncio, na dor do sonho impossível! &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, como eu havia dito, este texto é um tanto pessoal, baseado em uma forte dor de cabeça que tive por uns 3 dias. O texto era bem mais pesado, pelo fato de eu ter começado a escrevê-lo horas depois de ter tomado as primeiras medicações, fora de minha casa. A raiva estava voltando. Em casa, com a mente calma, o revisei melhor, tirando algumas partes um tanto sórdidas e o concluí. Há um elemento neste texto que não deu para tirar. O encarem como uma virada de bateria que eu tive que repetir para que a música pudesse funcionar.Se eu bolasse outra, só por bolar, a música estragaria, entendam.&lt;br /&gt;Bem, é só isso. Espero que gostem!&lt;br /&gt;Até mais =)&lt;br /&gt;Obs: a sugestão da imagem foi de Kayla! Ela disse que ficaria bom se eu fotografasse o texto manuscrito original. Adorei o resultado, valeu =D&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-1757692877843015788?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/1757692877843015788/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=1757692877843015788' title='17 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1757692877843015788'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1757692877843015788'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/11/cabea-feita-de-dor-e-raiva-roubada.html' title='A cabeça feita de dor e a raiva roubada'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/STMx_3wFgAI/AAAAAAAAADI/coWK9u00JsE/s72-c/Foto+I.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>17</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5742227817925342314</id><published>2008-11-23T19:30:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T19:53:16.383-08:00</updated><title type='text'>Meme</title><content type='html'>Esse meme me foi proposto pela Gerusa (&lt;a href="http://overboestar.blogspot.com/"&gt;http://overboestar.blogspot.com/&lt;/a&gt; esse é o blog dela, visitem que vale a pena, pessoas). Não vai ser fácil responder (nem aguentar as reclamações do Caio por postar questinoários em um blog - caham - "sério" como A Telha) mas vamos lá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Livro/Autor(a) que marcou sua infância: &lt;/strong&gt;A coleção do Sítio do Picapau Amarelo de Monteiro Lobato e Peter Pan de J. M. Barrie. Até hoje me fazem ver o quanto é bom ser criança e nunca hão de me deixar crescer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Livro/ Autor(a) que marcou sua adolescência: &lt;/strong&gt;pode parecer bobagem, mas Harry Potter (J. K .Rowling)  marcou minha adolescencência :D E também Jostein Gaarder, que me proporcionou algumas epifanias pré-adolescentes. Além deles, muitos outros, de Machado de Assis a Lygia Fagundes Telles. É difícil dizer porque não é uma coisa que eu vejo a distância (ora bolas, ainda sou adolescente! Oo')&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Autor(a) que mais admira: &lt;/strong&gt;Aí está uma questão que eu não sei responder. Tentativa: começando pelo final da anterior, Machado e Lygia, Clarice Lispector, Cecília Meirelles, José Saramago, C.S. Lewis, Carlos Ruiz Zafón, George Orwell, Mário Quintana, Fernando Pessoa, Vinicius de Moraes, Gabriel Garcia Marques... ah, cara, não dá! XD&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. Autor(a) contemporâneo: &lt;/strong&gt;Novamente Lygia, Adriana Falcão, Affonso Romano de Sant'anna, Marina Colasanti, Luis Fernando Verissimo, Suassuna, Chico Buarque...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Leu e não gostou: &lt;/strong&gt;José de Alencar! Meu Deus, não tem o que faça gostar de um livro desse cara! Ah, Senhor dos Anéis também terminei suando. E surpreendetemente, um de Machado: "Helena". Intragável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Lê e relê: &lt;/strong&gt;Todos os citados nas questões 3 e 4, contando com as reticências.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. Manias: &lt;/strong&gt;Muitas! Oo' Parei pra contar outro dia, acho que tenho alguns transtornos;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;Cheirar livros novos (pois é, Gerusa); fazer cócegas no meu próprio pé; apertar braços alheios; estalar o pescoço; tirar o cabelo da testa, mesmo quando não está lá; etc, etc e etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, no post que eu vi, dizia que isso aqui deveria ser passado adiante, então eu gostaria que respondessem também Caio (haha), Alanna, Anau, Kayla, Márcia e Thaís ^^ Divirtam-se.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5742227817925342314?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5742227817925342314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5742227817925342314' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5742227817925342314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5742227817925342314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/11/meme.html' title='Meme'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5979168710677330384</id><published>2008-11-09T14:02:00.000-08:00</published><updated>2009-06-06T08:07:29.779-07:00</updated><title type='text'>A fenomenologia do sexo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SRde2kxQqMI/AAAAAAAAACY/KUoSGIlCRLc/s1600-h/sexo.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 237px; height: 295px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SRde2kxQqMI/AAAAAAAAACY/KUoSGIlCRLc/s320/sexo.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5266782580909320386" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Só posso ser muito tarado mesmo. Estudando os pressupostos básicos do método fenomenológico (que consiste em um meio de apreensão dos fenômenos e objetos através da intuição de suas essências) no meu quarto, me pego logo tão naturalmente imaginando qual seria a essência do ato sexual. Claro, fenomenologicamente falando. Vale aqui, portanto, uma síntese deste método para um maior aprofundamento de minhas reflexões: o projeto de Edmund Husserl (1859 – 1938), seu elaborador, consiste, como eu já havia dito, na percepção eidética (relativo à essência) das coisas; àquilo que é imprescindível para a existência de qualquer objeto ou fenômeno. Segundo Husserl, para se chegar a esta essência, o único caminho era a redução, a purificação, por meio de um exercício mental, das coisas de tudo considerado desnecessário, inessêncial a elas, para fazer surgir aquilo de essencial. Em suma: se a partir daqui isto ou aquilo não é mais isto ou aquilo, beleza! Apresento-lhes sua essência. &lt;br /&gt; Mas não devia ser qualquer exercício mental. Se não esculhambava tudo! Há uma técnica que dá garantia à consciência de que se está filtrado só o essencial (calma, já vou chegar ao sexo). A procedência imaginativa deve funcionar se pautando na realidade: “o que não é separável realmente [...] para a percepção, não pode tampouco sê-lo para o pensamento puro” (DARTIGUES). Usando os exemplos de Berkeley: já viste uma cor sem extensão ou um movimento sem um corpo que se movimente? Pois é, este é o espírito da coisa (sem trocadilhos, por favor!). Imaginando todas as variações que algo pode sofrer sem que haja uma destruição deste algo, finalmente, indago a vocês: qual a essência do sexo? O que eu tiro do sexo que faz com o sexo não seja mais sexo? Bem, creio que esta resposta parece fácil e óbvia, mas o caminho que usei para chegar até lá achei interessante, e quero compartilhar com vocês, leitores.&lt;br /&gt;Logo de cara me vêem à mente quatro coisas: O coito, o desejo, o toque, o orgasmo. Irei por eliminação. Há sexo sem desejo. E como! Casais e mais casais fazem terapia reclamando disto em si e em seus parceiros! Não, definitivamente o desejo não é a essência do sexo. É o motivo (e dos bons) para se ter uma ótima relação sexual, mas não é sua essência. O orgasmo, portanto? Creio que também não. Caímos novamente neste mesmo problema: há pessoas (principalmente mulheres) que não conseguem atingir o tão esperado orgasmo no sexo. Digo mulheres porque “o prazer feminino é talvez mais contextual, implica uma série de premissas, ao nível da relação com o corpo, questões da vida, da casa, dos afetos; o que não significa que as mulheres só funcionem sexualmente quando estão muito apaixonadas, mas têm de se sentir bem na situação, são menos imediatas”, citando a sexóloga portuguesa Marta Crawford. Além do que, segundo Crawford, o orgasmo vaginal é um mito. Está certo que existem mulheres que sentem intenso prazer com a penetração, mas estas são a incrível minoria: grande parte não atinge o orgasmo só com o coito.  “O sexo não é só uma relação pénis/vagina”, diz a sexóloga. Beijos, abraço, estimulação clitoridiana, carinho, também contam para proporcionar prazer à mulher. A própria definição da OMS para o sexo nem sequer se refere a uma relação coital. E é neste ponto que eu queria chegar. Diante de tudo isso, diante de estabelecermos as mais possíveis variações à existência do sexo, tirando o orgasmo, o desejo e o coito, vimos que há um elemento por trás de tudo e que, sem ele, não há o prazer. Simplesmente o toque, a sensação de contato com o outro. Percebam que ele antecede a tudo. Conseguem conceber sexo sem isto? Eu não. Mas um caso interessante, ao me lembrar dele, quase quebra esta minha argumentação. Quase. Explico: um dia (isso faz tempo) li numa revista que tinham bolado um “coito virtual”. De um lado, o homem, com uma CPU com um buraco simulando a entrada do canal vaginal. Do outro, a mulher, com outra CPU que possuía um vibrador acoplado. Já deu para sacar a invenção: CPU’s genitais! Todos os movimentos que o cara faz repercutem numa vibração no aparelho da mulher. Não há contato físico, claro, e creio que você pode ver o outro pela webcam. Este aparelho foi só uma idealização, mas fico analisando se um dia essa moda pega. Pergunto-me: isto é sexo? Bem, talvez isto esteja em um nível maior que o da masturbação (afinal, você pode ver a pessoa pelo monitor e um pode ver o orgasmo – se houver – do outro). Não seria, portanto, mais o “gozo do idiota”, definição de Lacan ao prazer solitário. Mas creio que faltaria muito para ser sexo entre duas pessoas. No máximo, você estaria fazendo sexo com o seu computador. O contato físico, o toque com o outro, é essencial para se ter, de fato, o ato sexual.  &lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Falar de sexo é saudável e interessante. Tanto para o casal quanto para todos. Nada de tabus =) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs: Em meus próximos posts, para complementar a temática “sexo”, colocarei, TALVEZ,  um texto no qual tento reter um certo erotismo na obra “As quatro estações” de Vivaldi. Vai ser difícil... Até porque Vivaldi não compôs esta obra pensando naquilo, analiso eu. Mas como a música se apresenta para cada um de um jeito, quero pôr um pouco de minha visão!  &lt;br /&gt;Obs 2: a imagem que eu coloquei é clichezona, mas tá valendo!&lt;br /&gt;Até logo!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fontes: DARTIGUES, André. “O que é fenomenologia?” São Paulo, SP,Centauro editora.8º edição. 2003&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrevista completa com Marta Crawford (vale conferir): &lt;br /&gt;http://www.angolaxyami.com/Sexualidade/O-sexo-nao-e-so-uma-relacao-entre-o-penis-e-a-vagina-Marta-Crawford.html&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5979168710677330384?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5979168710677330384/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5979168710677330384' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5979168710677330384'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5979168710677330384'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/11/fenomenologia-do-sexo.html' title='A fenomenologia do sexo'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SRde2kxQqMI/AAAAAAAAACY/KUoSGIlCRLc/s72-c/sexo.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-948488199464518714</id><published>2008-11-03T19:25:00.000-08:00</published><updated>2008-11-04T04:31:09.364-08:00</updated><title type='text'>Ânsia</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SQ_HSxZH5pI/AAAAAAAAACc/eVOPvyfbers/s1600-h/picasso_cinq_femmes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5264645614729684626" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 250px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SQ_HSxZH5pI/AAAAAAAAACc/eVOPvyfbers/s320/picasso_cinq_femmes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Eu quero um lugar para mim, uma Shangri-Lá particular. Pra eu pisar no chão de pés descalços na terra fofa, meus pés livres dos calos, livres das pressas, sem medo de pisar cacos de um mundo destroçado. Quero meus dedos livres de anéis, meus pulsos livres de algemas, relógios ou facas. Quero minhas mãos enlaçadas com outras mãos amigas, quero minhas mãos afagando. Quero a garganta livre de cordões e gravatas, livre pra cantar, pra gritar, quero minha garganta desobstruída de angústias e tristezas, que têm o tamanho de um caroço de abacate entalado na goela. Quero ver sem precisar enxergar e enxergar tudo o que antes não via. Quero ouvir o sol. Quero as estrelas no céu, que é o lugar delas. Quero a lua, quero o vento, quero o mar. Quero ipês amarelos e roxos, quero jasmineiros. Quero árvores carregadas de frutas e as nuvens carregadas ás vezes para derramar sua chuva e descarregar meus ombros, minha alma. Quero um lugar em que não precise conter meu riso nem minhas lágrimas. Um lugar sem compromisso marcado, sem esperas, remas que sempre vai estar cheio de gente. De gente, não de fantasmas como aqui. Eu quero me lambuzar de mel e alegria até enjoar e sentir um pouco de tristeza pra não cair na rotina. Quero um lugar assim e não posso demorar a encontrar (estou sempre procurando). Não vou esperar pra viver quando minha vida estiver chegando ao fim (o ser humano adia demais as coisas para o fim da vida e esquece que cada segundo pode ser o fim da sua vida). É nesse lugar que eu vou viver até o fim da minha vida. E quando esse dia chegar, hão de me enterrar à sombra do mais frondoso ipê amarelo. Alguém vai usar o tronco forte como lápide e escrever a canivete o meu epitáfio: “Aqui jaz um homem que usou os lápis até o fim”.&lt;br /&gt;A cada dia sinto que esse tal lugar escorrega por entre meus dedos. Por isso mesmo, a cada dia posso senti-lo um pouco mais... Muito, muito perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Cara, não tenho o que comentar a respeito do texto. Francamente, ele tá muito sem-noção. Nem vocês precisam comentar. Só o que eu quero dizer é que depois que eu o li lembrei de um texto que durante muito tempo foi atribuído a Jorge Luís Borges e também da música "Casa no Campo", uma das minhas preferidas de Elis. E também dizer que a idéia pra esse texto surgiu no carro e as imagens que eu formei na hora eram muito legais. Pena que eu não consegui reter praticamente nenhuma pra suar no texto final, na minha cabeça seria bem melhor XD Mas postei enfim, porque senão Caio me demite do blog.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Boa noite a todos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;PS: Como se Caio tivesse moral pra isso! XD&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PPS: Não reparem, acabei de perder no Freecell e quando eu fico de mau-humor tenho tendência a fazer piadas sem graça.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;PPPS: Quem disser que então eu sempre estou de mau humor, murro virtual ¬¬"&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-948488199464518714?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/948488199464518714/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=948488199464518714' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/948488199464518714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/948488199464518714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/11/nsia.html' title='Ânsia'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SQ_HSxZH5pI/AAAAAAAAACc/eVOPvyfbers/s72-c/picasso_cinq_femmes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-5244231814524875760</id><published>2008-10-26T16:06:00.000-07:00</published><updated>2009-11-14T05:29:11.891-08:00</updated><title type='text'>O dia em que choveu pétalas de rosas na morada do diabo</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SQUQYLGsILI/AAAAAAAAACQ/3Kiv2ytLjO4/s1600-h/705f36ce.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 240px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SQUQYLGsILI/AAAAAAAAACQ/3Kiv2ytLjO4/s320/705f36ce.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5261629747136045234" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O inferno estava lá, já funcionando como tinha que funcionar. Nada de mais. Boa parte do pessoal já se encontrava de pé. Pois é: um novo dia no inferno começa! O telão do centro então avisava: o calor permaneceria. Sempre permaneceu o mesmo, e pelo jeito jamais irá mudar. Não sei por que anuciam ainda a temperatura! Deboche, tenho quase certeza. O Governo? Tirania. Do diabo, sabem? O regime nunca mudara. Imagine só uma revolução no inferno! De longe, curiosíssimo, convenhamos. Mas não dá. Policiamento pesado, aquele. Nem reclamar pode. Tentaram uma vez para nunca mais. Isto foi no começo, quando ainda não se tinha uma noção clara do lugar. Coitados. Tiveram que comer fezes por três anos. Merda de todos do inferno!E é muita merda. E se recusassem a comer, os guardas de lá lhes seguravam à força e enfiavam-lhes um arame pela uretra, sem piedade. Isso sem contar o sofrimento que já tinham que passar sem ter feito nenhuma reclamação (...). Houve um dia, se não me engano, que apelaram aos santos lhes enviando uma carta. Em vão. A resposta? “Sinto muito, mas isto já não está sob nossa jurisdição”. É... As coisas não são fáceis... Ainda mais se você for um condenado a passar uma eterna estada no inferno. Você literalmente come o que o diabo jogou fora, bebe somente sua saliva, dorme no chão sujo ao lado das labaredas que revestem este mesmo chão, é violado nasalmente pelo fétido cheiro de tudo quanto é coisa podre e infecta que pode haver naquele lugar, não há o que fazer, não há o que pensar, não há por que ter esperança. Esta é sua vida agora. Esta será sua sina. Jamais irá mudar. Jamais, ouviu? O inferno é a suma homenagem ao sofrimento, agüente. “Tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com minha dor”, escreveram certa vez nos muros decrépitos de lá, em letras rasgadas, esta frase de Guilherme de Brito. Pois é, tem gente no inferno que também curte MPB, ora. Mas justamente quem cometeria a insensatez de sorrir em um lugar desses? Pois sorriram. Mas de espanto, de estranheza; quase uma zombaria. É que viram uma pétala de rosa no chão. Sim, naquele chão imundo. Logo aquele chão imundo e infecundo. No entanto não demorou muito para que a frágil pétala fosse imediatamente consumida pelas labaredas, acabando-se, assim, a estranha novidade. Mas... Esperem! Engano. Logo mais adiante avistaram mais outra pétala, e mais outra, e outra, e outra, e outra, e outra... Meu Deus! Está chovendo pétalas de rosas! Do céu vermelho do inferno já se podia ver um batalhão colossal delas adentrando na atmosfera abafada e seca. Elas desciam graciosamente, sem preocupação, como se estivessem se divertindo, como se estivessem dançando. Brancas, avermelhadas e rosadas, iam de um lado ao outro, imitando as borboletas de Zé Ramalho e Alceu Valença. Rapidamente, elas foram preenchendo tudo o que a vista podia alcançar.  Uma onda de aroma doce, leve logo brigou com o fedor característico do lugar pela atenção olfativa dos condenados. As pétalas iam acariciando a pele queimada, suada e imunda destes últimos, em movimentos sutis, calmos, como se elas soubessem da dor que estes carregam nos corpos. O alívio e a estranheza, a contemplação e o medo (sim, por que não?), a gênese da alegria e a desconfiança trocaram olhares. “Que porra é essa?”, se indagavam. Os condenados viam aquilo sem entender nada. No entanto, à medida que o afago das pétalas foi alimentando os corpos de satisfação, muitos logo se renderam à situação. Sem nem pensar, fecharam os olhos e abriram os braços para as pétalas, deixando-as acarinhar e banhar ainda mais seus corpos, esquecendo instantaneamente do lugar de sua sina. Sorriam como nunca. Um sorriso sincero, espontâneo, de refrigério. Até se espantaram com o fato de ainda deterem a capacidade de sorrir... E de chorar, mas de alegria (...). Outros, no entanto, ainda se recusavam a acreditar no que estava acontecendo, olhando para tudo aquilo com os olhos arregalados de espanto, sem nenhuma reação, apenas perguntando um ao outro se o diabo tinha ficado doido. “Mas ora! Que tenha ficado!” E se juntaram ao primeiro grupo. Ainda houve aqueles cujo sofrimento enrugou profundamente a alma. “Pétalas nada irão fazer nada por mim”, e ficaram num canto. “Antes água do que isto”. Não os culpo.&lt;br /&gt;Logo que caiam no chão, as pétalas eram tragadas pelas labaredas, em um encontro voraz, esfomeado, de súbita combustão. Mas logo vinham mais outras de cima (da onde, afinal?), e o espetáculo nunca parava. De longe, o diabo via tudo, de cima de uma montanha. Não estava gostando nada disso. Já ouviram aquela máxima de que felicidade alheia incomoda os outros? Pois é, foi o que aconteceu com o capeta. Aquela situação o perturbava. Já ia mandar seus guardas darem uma surra naquela gente, quando as pétalas começaram a rarear. De trilhões, passaram à casa dos milhões. Dos milhões, às centenas. Das centenas, às dezenas. Das dezenas, a uma só. Uma. Que logo foi consumida pelo fogo. Não sobrou nenhuma. “Cadê? Acabou?" Pelo visto, sim. “Ainda vem mais?” Não sei, quem sabe. Deu pena (...). Para piorar, as feridas começaram a arder agudamente de novo, o cheiro escroto e nauseante voltou a reinar, o calor ignorante se fez ser sentido novamente, e a fome e a sede voltaram a berrar. O diabo imediatamente mandou um dos seus funcionários fazer um inquérito sobre aquilo que acabaram de presenciar. E, para não perder o costume, mandou seus guardas darem uma surra naquela gente. Com tudo o que têm direito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A chuva de pétalas não voltou a aparecer. &lt;br /&gt;O inferno contina funcionando como tem que funcionar.&lt;br /&gt;Os condenados continuam sofrendo. &lt;br /&gt;Mas, de vez em quando, alguém ainda arrisca olhar para cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me inspirei nesse texto ao ouvir "Ostia", faixa 8 do Álbum "Dante XXI" do Sepultura. Uma música que começa violenta e ignorante, com o vocal rasgado de Derrick Green e a guitarra brutal do Andreas Kisser, mas que , aos 01:19 min, nos apresenta um divino solo de violoncelo. Divino mesmo. Incrível. O interessante é que o solo não deixa jamais de ser acompanhado pela pesada guitarra. Este momento da música é tão único e fantástico que não consigo expressá-lo por meio de palavras. Falo "único", "fantástico", mas são expressões muito vagas, imprecisas. Tento passar um pouco da minha visão deste solo neste texto: uma chuva de pétalas de rosas no inferno! Primeiramente pensei em uma chuva de pétalas em cima de um vulcão, mas achei que "no inferno" soaria mais de acordo e até mais interessante.Creio, no entanto, que ainda não consegui passar nem 50% do que pretendia neste texto (até por que os 100% são &lt;strong&gt;impossiveis&lt;/strong&gt;), mas tudo bem...&lt;br /&gt;Ah! E ouçam essa música, aconselho =)&lt;br /&gt;Até a vista!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-5244231814524875760?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/5244231814524875760/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=5244231814524875760' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5244231814524875760'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/5244231814524875760'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/10/o-dia-em-que-choveu-ptalas-de-rosas-na.html' title='O dia em que choveu pétalas de rosas na morada do diabo'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_TW2ufUF_YNE/SQUQYLGsILI/AAAAAAAAACQ/3Kiv2ytLjO4/s72-c/705f36ce.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-2856653561235773755</id><published>2008-10-23T20:47:00.000-07:00</published><updated>2008-10-23T20:51:52.581-07:00</updated><title type='text'>Sobre cactos e homens</title><content type='html'>Há uns quatro anos, minha mãe ganhou um cacto no dia das mães. Era um daqueles cactos ornamentais, simples, não devia ter mais que oito centímetros no máximo. Lembro que ela adorou o presente, mas lamentou porque esse tipo de cacto não costuma durar muita coisa, até as flores enxertadas neles são artificiais. Na época minha casa passava por uma conturbada reforma (se a sua vida já ficou de cabeça pra baixo por um ano inteiro, você sabe como é. Senão, melhor nem imaginar) e estávamos morando na casa da minha avó. A reforma acabou, voltamos para casa e o cacto ficou por lá.&lt;br /&gt;Hoje por acaso eu vi o cacto lá. Depois que saímos, a minha avó cuidou dele. Ela disse pra minha mãe que a planta tinha crescido e pediu pra ela comprar um vaso maior. E pra minha surpresa, o cacto realmente vingou! Não deve ter menos que trinta centímetros agora! Achei aquilo incrível, a planta realmente tinha um desejo imenso de viver. E isso me levou a pensar que os homens talvez não sejam tão diferentes dos cactos.&lt;br /&gt;Quando penso no cacto, não vejo tanta beleza nele que o faça tão popular. É só algo verde e, pior, com espinhos. Uma planta pra áreas secas, como querem os livros de biologia. A maior beleza do cacto, talvez, seja aquela que não se pode ver. É uma planta resistente, forte e – chamem-me de louco ou não – ótima companheira. Nunca ouvi falar de ninguém que tivesse sido traído por seu cacto, a não ser que essa pessoa o tenha traído antes.&lt;br /&gt;Os seres humanos também são belos. Ou pelo menos eu acredito que sejam. Mas não em sua superfície, mas na essência, se é que existe a essência do ser humano. Eu acredito que nós, tão assustados com o mundo que nos cerca, guardamos o que temos de melhor a sete chaves em algum lugar dentro de nossas almas, um lugar que a maioria de nós sequer lembra que ainda existe, envolto por uma corrente de medo e selado por um cadeado de estupidez. Não compreendemos que ao tentar resguardar esse bem que nos é tão caro é que acabamos por destruí-lo O bem, como o amor, só se multiplica ao ser dividido.&lt;br /&gt;Há ocasiões, porém, em que esse bem vem à tona. É estranho, mas é em meio à “feiúra” que emerge a maior beleza do Homem. É em meio á dor, a tristeza, o ódio que a humanidade se mostra bela, ao pegar as mãos estendidas, ao enxugar lágrimas, ao dar um abraço ou um sorriso, ainda que amarelo. Acredito que nenhuma linguagem seja tão universal quanto a dor. Penso nos velórios e em todas as pessoas desconhecidas que entram porta adentro para rezar com os parentes e amigos que choram. Voyeurs do sofrimento alheio, diriam alguns. Talvez, mas não é o que eu percebo. Seja porque temem que o mesmo lhe ocorra, seja porque algo parecido aconteceu com alguém que lhes era caro ou até mesmo por um motivo desconhecido, mas enquanto repetem a ladainha em uníssono, a dor dos outros os tocou, tão forte e profundamente que foi capaz de libertar a beleza da sua prisão, ainda que por pouco tempo.&lt;br /&gt;A Humanidade pode, assim como o cacto, crescer forte e bonita, se acreditarem nela. Contudo, é preciso ter cuidado. Os espinhos dos homens são muito mais violentos e afiados que os do cacto. Além disso, enquanto o cacto não requer grandes cuidados, é preciso não descuidar sequer um minuto dos humanos. E nunca esperar dos outros o primeiro passo, ele nunca será dado. É preciso amar senhoras e senhores, porque só o amor nos põe no lugar da coisa amada e só ele nos permite enxergar a beleza de suas imperfeições.&lt;br /&gt;E foi assim, olhando um cacto, que eu descobri que sofro de um utopismo incorrigível. E de um platônico, talvez não-correspondido e irremediável amor pela raça humana.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Eu olho e olho e não sei de onde saiu esse texto nem o que eu quis dizer com ele exatamente. Não tem nada a ver com texto que eu tinha em mente, mas tudo mudou quando eu vi o tal do cacto (aliás, o post tá sem foto porque eu ainda vou tirar uma do dito cujo pra pôr aqui). Eu ultimamente tenho tido uma série dificuldade pra concluir meus raciocínos, como vocês hão de perceber (ou ter percebido) no texto. Paciência. Aliás, obrigado pela paciência e perdão pela demora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até a próxima!&lt;br /&gt;(merda XP)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-2856653561235773755?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/2856653561235773755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=2856653561235773755' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/2856653561235773755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/2856653561235773755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/10/sobre-cactos-e-homens.html' title='Sobre cactos e homens'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-2284556868437321527</id><published>2008-10-12T14:37:00.000-07:00</published><updated>2010-02-15T07:48:26.030-08:00</updated><title type='text'>Vontade</title><content type='html'>&lt;a href="http://www.acu.edu/img/assets/2363/ChessBackground.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 478px; height: 337px;" src="http://www.acu.edu/img/assets/2363/ChessBackground.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O Destino não conseguia dormir. Muitos pensamentos. Levantou-se e se pôs a refletir sobre sua conversa com o Bem que tivera dias antes. Conversa curiosa; O Bem fala muito bem, escolhe as palavras com maestria, e o Destino sempre desejou ter sua destreza oral. Aquele comentava seu relacionamento amoroso com o Mal. Não agüentava mais esse namoro. Não agüentava essa mediocridade. Não agüentava mais estas transas. Queria outras! Quem sabe com o Sentido, talvez. Sabia, no entanto, que não podia alterar a tão famosa ordem natural das coisas. Pediu, assim, ao Destino, que alterasse tudo. “Creio que alguém que dorme com o Azar e a Sorte na mesma cama e que os possui nas mãos pode realizar tal favor”, completou, maliciosamente (...). O Destino continuou olhando sofridamente para os olhos do Bem. Voltou-se novamente para seu jogo de Xadrez gigante, e, sem mover a cabeça, perguntou calmamente: “Pedes, então, que eu inverta a lógica do meu trabalho... Por que me pedes isto?”. “Ora. Que pergunta! Para o bem de todos. O seu bem, o meu, de todos”, respondeu quase rindo. “O meu?”, se espantou gentilmente. “Sim. Até pouco tempo dizia que estava farto de apontar a direção de cada ser!” “Falei por falar! Cansado qualquer um ficaria, mas eu agüento e sempre agüentarei isto!”, protestou. “Mesmo? E sua ânsia pelo amor correspondido do Acaso? Sei que tu dormes apenas com o pretexto de deixá-lo livre por algumas horas e espiá-lo de vez em quando em ação. Tu admiras a liberdade imprevisível dele! Deseja-a! Mas falta-lhe coragem de se declarar, tens medo! Pois aqui estou para isso. Quem sabe com meu empurrão não resolves meus sonhos e se inspira para realizar os teus?”, respondeu o Bem, energeticamente. “E quanto ao restante?”, questionou inabalável, o outro, com o peso da responsabilidade. “Os outros? Ficarão livres!”. “Eles não tem a macrovisão que tenho”, pontuou o Destino com sua gélida calma (e quem sabe com uma ponta de orgulho). O Bem disse que não era preciso pressa; ele viria mais tarde pra saber a decisão final.&lt;br /&gt;“Como o Bem sabe do meu amor pelo Acaso?” Achou melhor nem perguntar na hora. Teve medo da resposta. Dirigiu-se novamente ao seu jogo de Xadrez monumental. “Por que meu adversário demora tanto para jogar?”, pensou. “Por quê?”. Interrompendo suas reflexões, o Mal grita e bate na porta. &lt;br /&gt;- Quero conversar! Abra! E logo!&lt;br /&gt;Sem dizer nada, o Destino girou a chave e abriu o trinco. O Mal foi logo entrando.&lt;br /&gt;- Soube que o Bem esteve aqui. Estranho... Sobre o que conversaram?&lt;br /&gt;- Como soube disso? &lt;br /&gt;- Não importa! Sobre o que conversavam?&lt;br /&gt;- Por que não pergunta a ele?&lt;br /&gt;- SOBRE O QUE CONVERSAVAM?&lt;br /&gt;O Destino ficou incerto. Olhou para os lados. Soltou aquele ar cansado, impaciente. O Mal lá, bufando. O que se fala ao Mal?A verdade? Decidiu que sim, de qualquer jeito, ele iria saber mesmo...&lt;br /&gt;- Bem... O Bem não está tão satisfeito com o relacionamento de vocês...&lt;br /&gt;- E...? &lt;br /&gt;- Ele quer que eu altere tudo... Ele quer outros casos... Muito me espantou, se me permite comentar, essa natureza promíscua dele... &lt;br /&gt;- Ah! Era isso? E eu preocupado...&lt;br /&gt;- Acho que não entendi... Agora mesmo que ficas despreocupado?&lt;br /&gt;- O que pretendes fazer a respeito? &lt;br /&gt;- Sabes muito bem minha resposta...&lt;br /&gt;- Não irá atender ao pedido dele? Pois agora sou eu quem deseja também que tu alteres tudo!&lt;br /&gt;- Tu também?&lt;br /&gt;- Claro! Achas que só o Bem está insatisfeito? Achas que o quero? Achas que se eu pudesse, já não teria me separado dele? Nem sei como não tive esta idéia de lhe pedir este favor... Destino, eu não agüento mais!&lt;br /&gt;- Pedir este favor? O que me pedem não é um simples favor! &lt;br /&gt;- Você é medíocre! Tu sabes que pode mudar tudo com um simples bater de palmas!&lt;br /&gt;- Por isso mesmo não posso ficar mudando tudo a torto e a direito. – disse com sua habitual voz inflexível. &lt;br /&gt;- Tens medo! Covarde! Essa tua prudência totalitária me irrita! Liberta-me, liberta-te e liberta os outros! Seja justo com eles!&lt;br /&gt;- Vens tu me falar de justiça? Logo tu? &lt;br /&gt;- Destino, já estou perdendo minha paciência e... Que diabo é isso?&lt;br /&gt;O Mal aponta para o jogo de Xadrez gigante.&lt;br /&gt;- Ah... É meu jogo de Xadrez. Estou nesta partida há milênios!&lt;br /&gt;- Contra quem?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- Como?&lt;br /&gt;- Não sei quem é meu adversário. Não me lembro quando comecei a jogar; só sei que desde sempre jogo com alguém que não sei quem é.&lt;br /&gt;- Mas vejam... Quer dizer que há coisas que o próprio Destino não sabe... Há milênios, você disse? &lt;br /&gt;- Sim. – disse escondendo o desgosto pela zombaria - Demora porque ele demora a jogar. Chego há esperar 500 anos para ele mover uma peça. Ele sabe que sou melhor.&lt;br /&gt;- O que ganhas se ganhar?&lt;br /&gt;- Não sei.&lt;br /&gt;- E se perder?&lt;br /&gt;- Também não sei.&lt;br /&gt;- Perca!&lt;br /&gt;- Como é que é?&lt;br /&gt;- Perca logo de uma vez! Vou te contar: tu gostas de sofrer, credo!&lt;br /&gt;- Eu não! Acredito que esse jogo deva ter alguma importância!&lt;br /&gt;- Tem nada! Perca logo! Ali, bem ali, abra uma brecha para ele prender teu rei. Tire o cavalo da frente!&lt;br /&gt;- Por que queres que eu perca? &lt;br /&gt;- Tu queres continuar isso mesmo? Vá em frente, perca! Céus, tenha pena de si! Não vale a pena ficar neste jogo! &lt;br /&gt;- Estás blefando! &lt;br /&gt;- Imbecil! Pensa bem: não queres liberdade? Sei que queres! Leio em seus olhos que queres! Não me enganas com esse teu papo de certinho! O primeiro passo é renunciar este jogo tolo! Nem sabes contra quem joga e o porquê! Vale a pena? Já não estás cansado de decidir tudo?Então larga tudo!&lt;br /&gt;- Vá à merda! Vá embora daqui!&lt;br /&gt;- Se tu és aquele que escolhe, por que não escolhes por ti? &lt;br /&gt;“Essa foi no âmago! Droga! Dar uma de fraco na frente do Mal? O pior é que suas palavras me seduzem! Não posso me render a ele... Se bem que até o Bem quer isso... Onde já se viu ambos querendo algo igual? Intrigante. Quem sabe se eu tentasse... Não!Não!” Trepidou. Pensou em levantar a mão para tirar o seu cavalo do caminho. Por um momento acho que posso afirmar que o vi mexendo os dedos. Quando um homem acorda. Tonto, esfrega os olhos. Desliga o infeliz despertador que o acordara. “Filho duma puta!” Levanta e, cambaleando de sono, vai molhar sua cara na pia. “Sonho doido”, pensou. Leva a mão à fronte. “Que merda...”, com uma voz frouxa. E vai tomar banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo o filme "A máfia no divã", o protagonista , ao tentar interpretar o sonho do mafioso, enfatiza que Freud frisou que podemos ser qualquer um dentro dos nossos sonhos. Não sei se o cara que fez o roteiro realmente leu Freud (vou até pesquisar se Freud disse realmente isto), mas achei interessante. E arrisco uma possível extenção da afirmação: desconfio que podemos ser até todo mundo dentro do sonho!Mas quero saber também a visão de vocês, leiores!Fiquem a vontade! Sinto curiosidade em querer saber a interpretação de vocês sobre este sonho (o qual nunca sonhei; é apenas fictício). Viajai! =)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-2284556868437321527?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/2284556868437321527/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=2284556868437321527' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/2284556868437321527'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/2284556868437321527'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/10/vontade.html' title='Vontade'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-239845894442153180</id><published>2008-10-05T16:31:00.000-07:00</published><updated>2008-10-05T17:00:51.272-07:00</updated><title type='text'>Confissão do Dia</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SOlUxaBF4yI/AAAAAAAAABk/R1uqR0vB9jk/s1600-h/juramento_hipocrates_dedos_cruzados.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5253823648078619426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SOlUxaBF4yI/AAAAAAAAABk/R1uqR0vB9jk/s320/juramento_hipocrates_dedos_cruzados.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;           Há alguns dias eu estava assistindo mtv (confesso; embora eu não costume ver esse canal – pelo menos não mais, já há alguns anos) e vi um quadro em um programa em que um artista respondia a uma entrevista rápida (umA sentença bem indefinida, não?). Uma das perguntas era “confesso que gosto de...” e o entrevistado disse que gostava do último álbum da fergie (ex-vocal dos black eyed peas). Achei isso interessante e me pus a pensar qual seria a minha resposta. E ela me veio á cabeça quase imediatamente.&lt;br /&gt;           Avril lavigne. Não desse último álbum, “the best damn thing”, do qual só escutei “girlfriend” e achei completamente ridícula. Mas eu confesso que gosto da avril dos dois primeiros álbuns e confesso que não faço idéia do porquê. As melodias são ruins, as letras não dizem nada e a voz dela nem é lá essas coisas. Talvez porque me lembrem uma época da minha vida que eu teime em abandonar. Se a cantora tivesse sido lançada hoje e não quando eu tinha 11 anos, talvez eu torcesse o nariz para ela (como o fiz para o seu primeiro hit do novo álbum). Mas naquela época eu queria os cds, dvds, revistas-pôsters e toda sorte dessa parafernália midia´tica. Lembro que eu ficava irritado quando o meu irmão chamava a pobre de “avril chatinha” (hahahahaha). Quando lembro de tudo isso eu tento ser condescendente com essa  minha fase de pré-adolescente insuportável.&lt;br /&gt;            Claro que avril não foi a única carne de terceira que eu já tomei por filé mignon. Não vou colocar evanescence nessas minhas confissões porque até hoje eu consigo ver motivos pra gostar da banda e ainda curto o som dela (sério!). mas eu vou além: já gostei de linkin park. Ruim? E até os 10 anos, mais ou menos? Adorava sandy e junior! Pelo menos eu posso dizer que esses dois últimos grupos se foram das minhas preferências sem deixar marcas. E isso tudo me fez pensar nas pequenas coisas do meu cotidiano que merecem ser confessadas.&lt;br /&gt;              Nunca gostei desse negócio de confissão. Fiz primeira comunhão e crisma porque minha família achou que eu devia (mas confesso que depois passei a gostar das reuniões), mas nunca falei nada que se aproveitasse pros padres. Claro, eu sei muito bem que isso foi invenção da Igreja pra fazer churrasco de hereges na idade média. Porém, como não estou diante de um padre e eu mesmo estou curioso para saber de mim, vamos lá.&lt;br /&gt;             Já comprei coisas por mero impulso. Principalmente dvds, cds, mangas e sorvetes ou chocolates. Esses dois últimos são os piores, porque além de me deixarem arrependido de ter gastado o dinheiro me deixam com a consciência pesada por ingerir calorias e açúcar desnecessariamente (é, tenho tendência a diabetes na família). Confesso que ainda morro de rir assistindo “chaves”, mesmo sabendo tudo o que vai acontecer. Pior: confesso que já ri vendo filmes como “miss simpatia” e “bridget jones”. Aliás, confesso que, apesar de achar romances UM SACO, achei “Doce novembro” e “casa do lago” realmente tocantes.&lt;br /&gt;              Confesso que, dependendo do caso, vejo novela e aqueles quadros da caldeirão do huck (nossa senhora, eu to mesmo confessando isso?) como o “lar, doce lar”. Confesso que, quando era pequeno, eu já gostava das músicas de raul seixas, mas achava que algumas não diziam nada (“eu sou a mosca que posou em sua sopa/eu sou a mosca no seu prato a zumbizar” “que merda! Mas é engraçado”).&lt;br /&gt;             Confesso que eu sou mesmo do tipo que desiste sem tentar, do tipo que deixa pra depois e até pra nunca. Confesso que minha boca é muito, mas muito maior que o meu cérebro e como diz renato russo, “fala demais por não ter nada a dizer”. Na verdade, eu falo tanto e tão alto que nunca deixo mais ninguém falar e quando eu percebo isso, é constrangedor (XP).&lt;br /&gt;              Confesso que sou hipócrita, mesmo um pouco dissimulado. Até que não minto mal. Confesso que não sou um bom ouvinte (como já disse, falo demais), muito menos um bom conselheiro. Não sou confiável. Eu recomendaria a você (seja lá você quem for) que não confie totalmente em mim porque eu provavelmente vou te deixar na mão em vários momentos.&lt;br /&gt;               Confesso que falo sozinho e sou mais dado à tristeza do que à raiva (mas se a raiva vem, eu fico irreconhecível). Não gosto de solidão, mas preciso dela ás vezes. Já deixei de fazer um ato de bondade por vergonha ou medo da reação das pessoas (sim, pois nesse mundo louco a bondade pode ser vista com uma estranheza incrível). Aliás, eu devo confessar dois traços marcantes da minha personalidade: sou egoísta e covarde.&lt;br /&gt;               E tenho medo da morte. Mas confesso, tenho muita curiosidade para saber qual é a sensação de morrer e também de como será o meu funeral. O inconveniente é que para isso eu teria que morrer (e nem sei se a gente vê as coisas depois de morto, mas confesso que acredito nisso). E eu confesso: adoro a vida.&lt;br /&gt;              Confesso que demoro a entender as coisas e tenho uma dificuldade enorme para interpretar qualquer coisa – um quadro, uma música, um filme, um texto. Confesso que às vezes me atrapalho com gramática, tenho uma letra feia e conheço um monte de palavras difíceis, mas não cedo à tentação de usá-las (capricho meu mesmo).&lt;br /&gt;              Não estou escrevendo nada disso para parecer melhor, para ser consolado ou para saber quais são os meus erros e defeitos – eu os tenho todos claramente na minha cabeça. Na verdade, confesso que escrevi tanta besteira pelo simples motivo de que estou com uma insônia martelante. E, como diria isabel allende, a insônia é muito conveniente para a escrita. São quase quatro da manhã e estou acordado, confesso, clandestinamente: amanhã eu deveria &lt;em&gt;despertar&lt;/em&gt; cedo.&lt;br /&gt;              E agora, A derradeira mas não menos importante confissão: o título desse texto é um plágio de um título de Márcia Mileni (confesso que pensei em pelo menos dois títulos diferentes, mas achei que seria divertido fazer um plágio só para escrever isso aí). Minhas dissimuladas desculpas a você, guria. E a todos, que sejamos felizes, mesmo com todas as pequenas culpas que carregamos sobre nossos ombros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Não era exatamente com esse texto que eu queria inaugurar minha participação nesse blog, mas o outro não ficou pronto. Então, aí está. Pra falar a verdade, é bom que as pessoas me conheçam antes de lerem meus textos, aí elas podem decidir se vão ler o que escrevo ou não (hehe). Só acho esse texto muito cansativo e pessoal XP&lt;br /&gt;Cara, tô muito feliz com esse novo blog (e &lt;em&gt;confesso &lt;/em&gt;um pouco nervoso). Quando surgiu a idéia de montá-lo, achei ótima a oportunidade de fazer essa parceria com o Caio, que além de de um amigão é um ótimo escritor. Então, espero que as pessoas gostem desse espaço =]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: você pode ler o texto da Márcia que eu citei no meu bem aqui, ó: &lt;a href="http://casulofef.blogspot.com/2008/04/confisso-do-dia.html"&gt;http://casulofef.blogspot.com/2008/04/confisso-do-dia.html&lt;/a&gt; (eu queria saber como se posta links sem colocar os links, mas não sei T.T).&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-239845894442153180?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/239845894442153180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=239845894442153180' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/239845894442153180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/239845894442153180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/10/confisso-do-dia.html' title='Confissão do Dia'/><author><name>Fóssil</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15495330951879409292</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_NDqhE_a6Pnc/SOlUxaBF4yI/AAAAAAAAABk/R1uqR0vB9jk/s72-c/juramento_hipocrates_dedos_cruzados.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3752806426397295028.post-1077993788642984546</id><published>2008-09-28T19:12:00.000-07:00</published><updated>2009-01-16T07:23:06.770-08:00</updated><title type='text'>As simples peripécias um tanto originais de Dário</title><content type='html'>Parte I: música&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Dário sempre teve mania de originalidade. Odiava clichês. Já estava no final da casa dos 80 e decidira que viveria mais do que nunca em um combate fulminante contra tudo que era lugar-comum. Coisa de quem está a procura do que fazer? Quem sabe. O fato é que ele realmente levava essa guerra bem a sério. Começou a ouvir Blind Guardian, Red Hot Chilli Peppers, Satriani, Public Enemy, etc. ao pedir conselhos para seus netos a respeito de novos nortes musicais. Ouvir Bossa Nova e Jazz nessa idade era muito comum. Morte ao comum! Ficava vendo novelas e comparando seus roteiros. Anotava capítulo por capítulo. Tinha horas que pulava da cadeira e gritava colericamente: “Tudo igual!” Jurava que ainda iria escrever um livro. O nome? A questão da originalidade. Não é um tanto clichê esse nome? “Esta é a intenção!”, explicava com um ar triunfante. E continuava: “Consegue encontrar algo 100 % original hoje em dia? Quer algo raro? Eis tal coisa. Sobre isso meu livro irá falar”. Às vezes desconfio que jamais escreverá isso. O sonho do livro talvez seja mais interessante a ele.&lt;br /&gt;Outro dia, caminhando na beira-mar, ouvindo seu mp3, deparou-se com um estupendo pôr do sol. Aquilo pedia uma música para ser ouvida! E, mesmo já estando ouvindo “Kuolema Tekee Taiteilijan”, do Nightwish, fez uma cara feia. Não! Seria uma música muito previsível para se ouvir vendo tal espetáculo!Mudou a faixa. Veio “Far Way”, do Apocalyptica. Não de novo! Mudou. Dessa vez apareceu “Sing Sing Sing” da orquestra de Benny Goodman. Você mesmo não disse que era comum homem de tal idade ouvir Jazz? “É verdade”, pensou Dário. Mas achou interessante o efeito da música sobre o contexto. Não tinha muito a ver. E curtiu. Não era tão comum ouvir tal música vendo o pôr do sol. Era precisamente o que estava procurando. Mudou novamente a faixa. Veio “Give it way”, do Red Hot Chilli Peppers. Deu uma gargalhada. Estava se divertindo vendo os efeitos dessas músicas inusitadas para a ocasião. Parecia criança. E enquanto continuava caminhando, a idéia de começar a prestar atenção nessas diferentes conotações que a música proporcionava às situações foi tomando sua mente. Encontrara algo formidável. Não sabia precisamente o que, mas achou o gosto dotado de uma sutil doçura. "Quem sabe isso pode não parecer tão original, mas cada situação que este mecanismo cria é sim", consolou-se. Lembrou-se do filme “Laranja Mecânica”, de Stanley Kubrick. Gostou de como pensou.&lt;br /&gt;No caminho de volta, presenciou um assalto. Estava ouvindo “Take Five”, executada pelo Dave Brubeck Quartet. Na opaca realidade, tal ato com certeza pareceria brutal, rude, lamentável. Porém seu bom senso nessa hora simplesmente se fundiu. A cena ficou tão leve. Os ladrões pareceram leves. Terrivelmente estupendo. Escondeu-se para apreciar. O sax manhoso, quase preguiçoso (arriscaria dizer), o galanteador piano e a delicada bateria banharam de charme a cena. Um charme sujo. Uma elegante agressividade. Seu Dário surpreendeu-se consigo. Que estranho admirar isso! Passado o assalto, retirou os fones de ouvido. A vergonha aumentou. Baixou a cabeça, encostou-se, pensou. Se pega enfrentando a si mesmo. A recente paixão por essas novas visões falou mais alto. E conclui: “felizes são os cineastas”.&lt;br /&gt;Ao andar em direção à parada de ônibus, “Assim falou Zaratrusta”, de Richard Strauss ,começou a marcar seus passos. A placa com o desenho do ônibus pareceu-lhe dotada de uma incrível grandiosidade. Estremeceu. A cada passo sua figura ganhava uma magnitude ímpar. Vi ali um cavaleiro apontar para o outro lado. Virei. O ônibus estava se aproximando. Meu coração começou a bater violentamente. Comecei a suar. Era como ver chegar aos meus pés a carruagem de Deus. Vi os anjos. Vi os arcanjos. Ouvi suas cornetas anunciando sua chegada. Derrubo uma lágrima. Parada na minha frente, a porta se abriu. Uma ânsia, uma euforia toma conta de mim. Na minha frente, surge aquele que guia a carruagem do Todo-Poderoso. Vestido de azul e com um olhar decidido, acena para que eu entre. Ofegante, sento-me nas cadeiras da frente. Ao acabar a música, Dário volta a si. Coça a cabeça. "Meu Deus, que merda. É só um ônibus e um motorista".&lt;br /&gt;Já no seu prédio, esperando o elevador, a porta se abre. Começa a tocar “Whole Lotta Love”, do Led Zeppelin. Várias pessoas já estão lá dentro. Entra e aperta o número de seu andar. Olhando todos naquele lugar apertadinho, a música, sensual e energética, começa a envenenar sua mente. Dário sorri ao observar o olhar cansado dos seus companheiros de elevador. O que será que estão pensando? Aquelas guitarras injetavam uma idéia de libido. E havia clima de libido naquelas pessoas. Só que elas não sabiam, ou quase. Havia uma mulher lá. Uma linda mulher, para usar um eufemismo. E que eufemismo! Que mulher! E Dário era observador. Nos segundos que ficou no elevador, presenciou um bombardeio de olhadas masculinas para o corpo da senhorita em questão. Embaladas pela música, toda essa vontade sexual coletiva ganhou uma selvageria brutal. Os olhares ficaram mais famintos. Foi um show de lascividade. A natureza da sexualidade ficou tão escancarada ao som de Page, Plant, Bonham e Paul Jones que seria interessante se oferecessem para tocar isso em motéis. Um por um foi saindo de dentro do elevador. Só restou Seu Dário. E a mulher. Aquele riff orgástico empapava sua mente. Desregradas imagens lhe lambiam a cara. Cuspiam no seu rosto. Provocava-lhe a ponto de sentir uma gostosa raiva. Sentiu-se desafiado. Uma vermelha impaciência lhe moia. "Rebole para mim". E ele imaginava, imaginava...Corpo com corpo, no mesmo ritmo, num mesmo feeling. De repente, acabou a pilha do mp3. O elevador se abriu. "Até logo". "Boa noite", respondeu ele. E acompanhou o movimento do corpo dela saindo. Claro, repare novamente o eufemismo, por favor. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Saudações leitores!&lt;br /&gt;Há muito tempo vinha discutindo com Fóssil a possibilidade de fazermos um blog juntos. E aí está! A Telha, um blog destinado a todo tipo de reflexão! Seja sobre sexo, sobre maçãs, sobre calculadoras, sobre a mente humana, tudo estará aqui! Ao menos, tentaremos! XD&lt;br /&gt;E, para começar, eis esse texto! Está um pouquinho grande, mas espero que gostem! =)&lt;br /&gt;Obs: creio que esta prosa só funciona melhor se o leitor conhecer pelo menos 2/3 das músicas citadas!   &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;PS: (se é PS, é do Fóssil XD) Estamos muito felizes com esse blog, tá em gestação há tempos, e tudo nele ainda é proivsório, até mesmo o nome, então não se espantem com ocasionais mudanças. E esperamos os comentários de todos sempre ;). Falou.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3752806426397295028-1077993788642984546?l=atelhafb.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://atelhafb.blogspot.com/feeds/1077993788642984546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3752806426397295028&amp;postID=1077993788642984546' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1077993788642984546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3752806426397295028/posts/default/1077993788642984546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://atelhafb.blogspot.com/2008/09/as-simples-peripcias-um-tanto-originais.html' title='As simples peripécias um tanto originais de Dário'/><author><name>Caio Carvalho</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05261700268163116469</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/-7VVrdDm0wRg/TkU5baqg7SI/AAAAAAAAAV4/TNWAZQzJ-B4/s220/BDM.JPG'/></author><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
