João?
- João?
Os dois ficaram lívidos quando viram Pedro irromper pela porta da sala de estar.
- João veio jantar conosco, meu bem – disse Ruth, rápida.
- Aah... que bom... tudo bom, mano João?
- Beleza, mano Pedro! E tu, tudo beleza?
- Tudo. Bora jantar então?
- Espera, ainda não terminei! Sentem aí um pouco que não demora!
- Ainda não? Poxa, meu bem...
- Só um pouco de paciência, não vai demorar...
Ela correu para a cozinha. Pedro foi também desenterrar uma cerveja do congelador para ele e João molharem a garganta antes do jantar. Disputou espaço com Ruth, que tirava umas batatas da geladeira para lavar e descascar.
- Ainda nem começou a preparar?
- É que eu saí tarde do hotel...
- Não é melhor comermos em algum lugar?
- Imagina, isso é rápido!
Pedro foi para a sala beber com João. Uma hora depois, os três jantaram mas, por alguma razão, as risadas e conversas estavam sem gosto. Naquele dia, João não ficou para assistir TV depois de comer.
No domingo, a roda de samba era especial. Estavam comemorando o aniversário de Tomás, amigo querido de todos, e que ainda por cima estava bancando a cerveja, enquanto todos contribuíram para o churrasco. A carne, é claro, tinha acabado há muito tempo, mas cerveja não parava de descer. Pedro e Ruth pararam de beber cedo, porque tinham que trabalhar no outro dia e não queriam amanhecer de ressaca. João, contudo, não tinha essas restrições:
- Desce mais pro tocador não parar!
E continuava a animar a todos na roda. De repente, sem que ninguém esperasse, ele virou para Ruth:
- Essa aqui tu gosta, Rutinha!
A moça ficou um tanto desconcertada.
- Como?
- É, essa é pra ti! Canta aí, galera! “Água da minha sede”!
E começou a fazer dançar o pandeiro cantando a plenos pulmões. Pedro, que estava conversando com Tomás, parou para observar como João dançava e pedia que Ruth cantasse com ele.
“Quando você sambou na roda, fiquei a fim de te namorar...”
Ruth estava cada vez mais vermelha e fingia conversar com as amigas mais próximas sem conseguir disfarçar o mal estar.
“O meu amor é passarinheiro, ele só quer passarinhar...”
Pedro puxou mais um copo de cerveja, diante da surpresa de Tomás e Alváro, que se juntara aos dois. “Não tinha parado, companheiro?”
“Seu beijo é um alçapão, seu abraço é uma gaiola...”
Talvez pelo impulso do álcool misturado com a raiva, Pedro disse, sem tirar os olhos de João:
- Acho que Ruth tá me botando chifre.
- Deixe disso, rapaz! – cortou Tomás – Todo mundo sabe que Ruth te ama. Boa moça como essa tu não encontra em lugar nenhum.
- É boa moça, mas isso não garante que seja fiel – tornou Álvaro – Minha ex-mulher era muito prestativa, cuidava da casa, dos filhos... mas me traiu também. Dei uma coça que a miserável nunca esqueceu. Só não matei por causa das crianças. Mas tu, cumpadi! Tu não tem filho! E eu também to achando estranha essa amizade de João e Ruth...
- Como você sabe que eu to desconfiado é do João?
- Rapaz, tá muito na cara... tu tem é que resolver isso como macho... se tu quiser, te empresto meu revólver...
- Álvaro, para com isso! – interrompeu Tomás, assustado – Olha, Pedro, não vai pela cabeça dele. Nada se resolve assim e depois, tenho certeza que isso é coisa da tua cabeça.
- É sim. E é chifre! – debochou Álvaro.
Pedro nada disse a mais. Apenas terminou o copo de cerveja e foi pra casa, deixando que Ruth o seguisse depois.
Uns dias depois, Pedro chegou cedo do serviço e encontrou Ruth escrevendo algo. Não sabendo exatamente porque fazia isso, ele se escondeu atrás da parede do lado da casa. Ruth saiu com o papel dobrado na mão. Com o diabo lhe soprando aos ouvidos, Pedro correu para a segunda casa vizinha, a de Álvaro.
- Cumpadi, me empreste aquele teu revólver.
Perdera Ruth de vista, mas sabia exatamente aonde ela ia.
(Concluo no próximo post. Juro que não tô fazendo isso de propósito!)
quarta-feira, 13 de outubro de 2010
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2 venetas:
Porra, doido, posta logo isso que eu tô curioso!!!
PORRA CARLOS, posta logo isso!
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