domingo, 30 de maio de 2010

Nefelibata

À alguém que vive na América


Tu que colocaste espinhos e cacos de vidro em meu caminho, não sabe que sou feito nuvem.
Teus espinhos mal arranham meus pés.
Me faço e desfaço para atravessar teus obstáculos
E tomo a forma que quiser para afugentar teus cães.

E se me achas quieto, inofensivo,
Se me olhas buscando tranqüilidade
Se achas que sou calma e placidez
É porque ainda não me viste cumulonimbus.

Não me viste acinzentar de fúria,
Não ouviste as minhas trovoadas
Capazes de ensurdecer teu ego
Não conhece os meus relâmpagos,
Capazes de queimar até a tua soberba.
Não sentiste o fustigar da minha chuva,
Capaz de estilhaçar teu telhado de vidro.

Não, não me conheces em nada.
Mas um dia, em meio à tempestade,
Quando as águas carregarem tudo o que consideras tão caro,
Talvez venhas a reconsiderar.

Aqueles que te cercam
Aquilo que falas,
Aquilo que fazes,
E aonde pisas.
Vais olhar aquele rosto que um dia fingiu se curvar,
(e não é que é ele que te olhará de cima dessa vez?)
aquele que tu achavas inofensivo,
E aí tu talvez aprendas quão perigoso pode ser um homem feito de nuvem.
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Este texto é de autoria do Fóssil. Ele não conseguiu postar e pediu para eu fazer isso. Que bom. Eu tava com saudade de um texto novinho n'A Telha. Este veio em boa hora. Valeu, Fóssil \o/
PS: Brigado, Caio! xD Essa dedicatória poderia ir pra muita gente. Por isso mesmo, oculto-a. Abraços!

4 venetas:

Thi L. disse...

Texto muito interessante...
Vou passar a refletir se eu também sou um homem feito de nuvem!
=) Abraços, Caio e Fóssil.

Caio Carvalho disse...

Porra doido, pesado! Magnífica essa comparação com as nuvens e certas pessoas.Interessante como tão doce coisa pode esconder uma força avassaladora. Isso me lembrou um pouco o filme Rocky III. Um pouco, pois a pessoa que se revelou ser "feita de nuvem" no filme não desabafou suas trovoadas, como fez o eu lírico do teu poema, a uma pessoa que fez alguma sacanagem com ela. A Adrian, no filme, revelou ter força e determinação pra motivar o Rocky, que estava com medo de perder uma luta, a ganhar do Clubber Lang. Se revelou uma pessoa durona, logo ela que nos Rocky I e II parecia tão frágil.
Ótimo texto, Carlos!

Fóssil disse...

Eu pensei em uma epígrafe pra esse texto que acabei não usando. A música "Quando o carnaval chegar", do Chico Buarque...

Arnaldo Vieira disse...

Eu pensei na mesma música do Chico...
E pensei que às vezes eu sou o cara de pés no chão q atrapalha a nuvem...
=)
Vejo muitas formas nessa tua nuvem