Família reunida. Mãe, tia, pai, filho. Este último, uma criança. Uma criança de 5 anos.
- Lourdes, estava pensando em fazer uma recepção para a Glória. Um café, quem sabe?
- Hum... Almoço não seria melhor?
- Quem sabe uma orgia? – sugeriu a criança.
* * *
Dois homens estão conversando.
-Estamos em uma cena clássica. Repare. Eu apontando um revólver para você. Você apontando um revólver para mim. Classissíssimo. O que podemos fazer? Um pode sair vivo, os dois podem sair mortos, os dois podem sair vivos.
- É...
- Basicamente. Há as variantes interessantes. Veja também: eu posso me suicidar após matar você, eu posso me suicidar sem matar você, você pode se matar também...
- Bicho... Isso está parecendo diálogo de escritor sem assunto...
- Não, não, cara, se vamos potencialmente morrer, reflitamos um pouco sobre as coisas da vida...
- Honestamente, está chato. E eu só quero o dinheiro que você me deve, porra.
- O motivo! Outro clássico!
* * *
Um casal de jovens está jogando cartas. O rapaz, por deslize, peida. Risos; por parte da moça. O rapaz ri também, claro. Por que não ri?
- Desculpe, foi sem querer. Fiquei menos sexy por causa disso? – brinca ele.
- Hum... Com certeza te evidenciastes mais humano agora.
* * *
Uma pessoa olha uma mãe brincar com sua filha de quatro meses. Está relativamente perto, no canto da porta. A guria sorri lindamente por um instante. Durante 5 segundos e 67 centésimos, esta pessoa esquece suas idéias fixas. 67 centésimos. 66, 65, por aí.
- Foi menos tempo, creio.
- Mas esqueceu!
* * *
Alguém, mais tarde, deitado na cama, irá se remexer loucamente de ciúmes. Eu o entendo.
* * *
Os dois que estavam com as armas estão dançando. Juntos. E juntos, se beijam. E beijando-se, começam a transar. E no gozo, no gozo final, ambos, cada um com sua arma, se suicidam. Ambos iam morrer mesmo e quiseram morrer gozando.
* * *
- Esse menino disse orgia?!?!
* * *
Algumas cartaz misturam-se agora com o suor dos corpos de ambos...
* * *
A guria de quatro meses agora dorme tranquilamente. Sua mãe a embala lendo “O Anticristo”.
* * *
- Que barulho foi esse?
* * *
- Sim, eu disse.
.
.
.
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Mais uma vez um texto demora para sair aqui n'A Telha. Mas fazer o que.. Às vezes aparecem idéias boas, e muitas vezes idéias de merda. Isso sem contar no tempo para escrever. No meu caso, essas idéias colocadas neste pequeno texto vieram aos poucos. E eu fui anotando - ou deixando na memória. Umas duas delas devem ter vindo hoje. Deu nisso. Espero que gostem. Eu, estranhamente, - ou nem tanto - criei um carinho por esse texto em especial.
Até logo =)
Obs: Uma das idéias veio totalmente de uma fala de Kayla. Tenho que dar os devidos créditos =)
5 venetas:
eu gostei.
mas não sei o que dizer.
"esse menino disse orgia?"
xP
Cara, adorei o texto! Adoro esses textos que me parecem assim, sei lá, quase cubistas
(nossa que comentário mais 'Bienal' ¬¬" 'Um barrococó figurativo neo-expressionista').
Muito interessante a forma como tu construíste o edifício. Ao mesmo tempo em que são cenas do cotidiano, não se podem dizer que é coisa do dia-a-dia: é um cotidiano um tanto bizarro. Mas em verdade, qual cotidiano não o é? De perto, quem é normal? Adorei o narrador que se finge de observador, mas é bem onisciente x)
"esse menino disse orgia?"
Demais, Caio! Parabéns!
morrer gozando...
está aí algo que achei bem interessante uma vez que se vai morrer... ^^
cara... gostei de verdade. principalmente das idéias que estão passeando pelos diálogos "cotidianos"...
muito bom.
"esse menino disse orgia?" [2]
^^
fiquei triste pq acabou!
queria ler mais, muito bom!
"esse menino disse orgia?"
=O hsuahsuah
caleidoscópico!
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