
O escritor não está conseguindo ter nenhuma idéia. Não sei descrever cena mais lamentável! Ele se levanta e vai lavar as mãos (o pretexto é se olhar no espelho). Senta. Levanta-se novamente. Vai à cozinha e se serve de uma taça (tinha que ser uma taça!) de água. Volta. Sentado novamente, ele olha para os lados, para cima, para suas revistas, para seus chinelos. “Quem sabe uma idéia com chinelos...” Olha para a taça. A água fora toda bebida. Levanta-se. Dirigi-se mais uma vez à sua cozinha e se serve de mais água. Volta. Senta. “Chinelos...” “Besteira!” O relógio acusa 2h, 43 minutos e 15 segundos, 16, 17, 18, 19, 20, 21, 22, 23, 24, 25...
- Merda!
26, 27, 28. Foi o tempo para ir até ao banheiro. Mira-se no espelho. Orgulha-se dos olhos verdes. “Verdes...” “Besteira!” Lava as mãos. Volta. Senta. Bebe uma pouco d’água. “Água...”
Eu avisei que era lamentável.
39, 40, 41. Ele volta (!) ao banheiro. Apaga e acende a luz incessantemente. Faz caretas. Abre a torneira. Molha a cara. Fecha a torneira. “Você é muito sexy!”, enquanto aponta para o seu reflexo. “Você é muito sexy e as mulheres amam seus olhos verdes!”
Eu não aviso mais (...)
Volta. Senta. Lembra-se do reflexo. Pára por um momento. “Hummm...”, como quem analisa um carro usado!
“O escritor não consegue ter nenhuma idéia”, escreve.
(...)
“Que cena lamentável, vejam!”
Ele tem bom senso, ao menos.
“Não agüenta ficar sentado. Vai lavar as mãos!”
Esqueceu de dizer que o pretexto é se ver no espelho!
“Volta e vai à cozinha para se servir de uma taça de água”.
Uma taça, vejam!
“Volta novamente. Senta e olha ao seu redor. Tenta filosofar”.
Sobre chinelos.
“Quando se espanta, vê que bebeu toda a água da taça. Retorna à cozinha e se serve de mais. ‘Água ainda vai valer mais do que ouro’, reflete”.
Não nego...
“Senta. Nenhuma idéia lhe parece boa. Seus olhos procuram as horas. Jó teria inveja da paciência daquele relógio, que arrasta o tempo morosamente: são 2h, 59 minutos e 57 segundos, 58, 59...”
Céus, imaginem alguém com inveja de relógios!
“3h! Os demônios estão soltos!”
Menos, por favor!
“Levanta e vai de novo ao banheiro”.
Porra, ele gosta de ir para esse banheiro!
“Molhou a face. Enxugou-a. Olha-se no espelho. Sorri. Acha-se bonito. Admira seus olhos verdes”.
Boiola...
“Retorna ao seu assento. Nada de idéias, ainda. Idéias, idéias, idéias! Não vinha uma!”
Que familiar.
“Quando teve certa inspiração!”
Vejamos.
“‘O escritor não estava conseguindo ter nenhuma idéia’, escreveu ele. ‘Era uma cena lamentável’”.
Lamentável!
“Era mesmo”.
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Tive certa satisfação em perceber que este era o último post do ano. De um ano... Bem... Hummm... Impactante, na (humilhante) falta de um termo melhor. Embasbacantes acontecimentos e suas respectivas repercussões vieram ao lume em 2008: Barack Obama, crise mundial, a renúncia de Fidel, as olimpíadas de Pequim e uma amostra do poderio da China, o Grande Colisor de Hádrons, a Telha foi fundada (hehehe) etc., etc., etc.!
Estou curioso para saber o que virá em 2009! Venha! Veremos o que nos aguarda!
E não desejarei “feliz ano novo”! É a frase mais broxante que existe! Desejo um pasmoso, interessantíssimo, reflexivo e resolutivo ano novo!
E, agora, ao texto:
Ele é bem pequeno comparado aos que já publiquei aqui, mas abarcou muitos temas que me atraem profundamente. Além de abarcar um pequeno segredo também. Descubram.
Interpretem, discutam, critiquem, falem bem, falem mal! Fiquem à vontade!
Até logo! =)


