domingo, 5 de outubro de 2008

Confissão do Dia


Há alguns dias eu estava assistindo mtv (confesso; embora eu não costume ver esse canal – pelo menos não mais, já há alguns anos) e vi um quadro em um programa em que um artista respondia a uma entrevista rápida (umA sentença bem indefinida, não?). Uma das perguntas era “confesso que gosto de...” e o entrevistado disse que gostava do último álbum da fergie (ex-vocal dos black eyed peas). Achei isso interessante e me pus a pensar qual seria a minha resposta. E ela me veio á cabeça quase imediatamente.
Avril lavigne. Não desse último álbum, “the best damn thing”, do qual só escutei “girlfriend” e achei completamente ridícula. Mas eu confesso que gosto da avril dos dois primeiros álbuns e confesso que não faço idéia do porquê. As melodias são ruins, as letras não dizem nada e a voz dela nem é lá essas coisas. Talvez porque me lembrem uma época da minha vida que eu teime em abandonar. Se a cantora tivesse sido lançada hoje e não quando eu tinha 11 anos, talvez eu torcesse o nariz para ela (como o fiz para o seu primeiro hit do novo álbum). Mas naquela época eu queria os cds, dvds, revistas-pôsters e toda sorte dessa parafernália midia´tica. Lembro que eu ficava irritado quando o meu irmão chamava a pobre de “avril chatinha” (hahahahaha). Quando lembro de tudo isso eu tento ser condescendente com essa minha fase de pré-adolescente insuportável.
Claro que avril não foi a única carne de terceira que eu já tomei por filé mignon. Não vou colocar evanescence nessas minhas confissões porque até hoje eu consigo ver motivos pra gostar da banda e ainda curto o som dela (sério!). mas eu vou além: já gostei de linkin park. Ruim? E até os 10 anos, mais ou menos? Adorava sandy e junior! Pelo menos eu posso dizer que esses dois últimos grupos se foram das minhas preferências sem deixar marcas. E isso tudo me fez pensar nas pequenas coisas do meu cotidiano que merecem ser confessadas.
Nunca gostei desse negócio de confissão. Fiz primeira comunhão e crisma porque minha família achou que eu devia (mas confesso que depois passei a gostar das reuniões), mas nunca falei nada que se aproveitasse pros padres. Claro, eu sei muito bem que isso foi invenção da Igreja pra fazer churrasco de hereges na idade média. Porém, como não estou diante de um padre e eu mesmo estou curioso para saber de mim, vamos lá.
Já comprei coisas por mero impulso. Principalmente dvds, cds, mangas e sorvetes ou chocolates. Esses dois últimos são os piores, porque além de me deixarem arrependido de ter gastado o dinheiro me deixam com a consciência pesada por ingerir calorias e açúcar desnecessariamente (é, tenho tendência a diabetes na família). Confesso que ainda morro de rir assistindo “chaves”, mesmo sabendo tudo o que vai acontecer. Pior: confesso que já ri vendo filmes como “miss simpatia” e “bridget jones”. Aliás, confesso que, apesar de achar romances UM SACO, achei “Doce novembro” e “casa do lago” realmente tocantes.
Confesso que, dependendo do caso, vejo novela e aqueles quadros da caldeirão do huck (nossa senhora, eu to mesmo confessando isso?) como o “lar, doce lar”. Confesso que, quando era pequeno, eu já gostava das músicas de raul seixas, mas achava que algumas não diziam nada (“eu sou a mosca que posou em sua sopa/eu sou a mosca no seu prato a zumbizar” “que merda! Mas é engraçado”).
Confesso que eu sou mesmo do tipo que desiste sem tentar, do tipo que deixa pra depois e até pra nunca. Confesso que minha boca é muito, mas muito maior que o meu cérebro e como diz renato russo, “fala demais por não ter nada a dizer”. Na verdade, eu falo tanto e tão alto que nunca deixo mais ninguém falar e quando eu percebo isso, é constrangedor (XP).
Confesso que sou hipócrita, mesmo um pouco dissimulado. Até que não minto mal. Confesso que não sou um bom ouvinte (como já disse, falo demais), muito menos um bom conselheiro. Não sou confiável. Eu recomendaria a você (seja lá você quem for) que não confie totalmente em mim porque eu provavelmente vou te deixar na mão em vários momentos.
Confesso que falo sozinho e sou mais dado à tristeza do que à raiva (mas se a raiva vem, eu fico irreconhecível). Não gosto de solidão, mas preciso dela ás vezes. Já deixei de fazer um ato de bondade por vergonha ou medo da reação das pessoas (sim, pois nesse mundo louco a bondade pode ser vista com uma estranheza incrível). Aliás, eu devo confessar dois traços marcantes da minha personalidade: sou egoísta e covarde.
E tenho medo da morte. Mas confesso, tenho muita curiosidade para saber qual é a sensação de morrer e também de como será o meu funeral. O inconveniente é que para isso eu teria que morrer (e nem sei se a gente vê as coisas depois de morto, mas confesso que acredito nisso). E eu confesso: adoro a vida.
Confesso que demoro a entender as coisas e tenho uma dificuldade enorme para interpretar qualquer coisa – um quadro, uma música, um filme, um texto. Confesso que às vezes me atrapalho com gramática, tenho uma letra feia e conheço um monte de palavras difíceis, mas não cedo à tentação de usá-las (capricho meu mesmo).
Não estou escrevendo nada disso para parecer melhor, para ser consolado ou para saber quais são os meus erros e defeitos – eu os tenho todos claramente na minha cabeça. Na verdade, confesso que escrevi tanta besteira pelo simples motivo de que estou com uma insônia martelante. E, como diria isabel allende, a insônia é muito conveniente para a escrita. São quase quatro da manhã e estou acordado, confesso, clandestinamente: amanhã eu deveria despertar cedo.
E agora, A derradeira mas não menos importante confissão: o título desse texto é um plágio de um título de Márcia Mileni (confesso que pensei em pelo menos dois títulos diferentes, mas achei que seria divertido fazer um plágio só para escrever isso aí). Minhas dissimuladas desculpas a você, guria. E a todos, que sejamos felizes, mesmo com todas as pequenas culpas que carregamos sobre nossos ombros.

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Não era exatamente com esse texto que eu queria inaugurar minha participação nesse blog, mas o outro não ficou pronto. Então, aí está. Pra falar a verdade, é bom que as pessoas me conheçam antes de lerem meus textos, aí elas podem decidir se vão ler o que escrevo ou não (hehe). Só acho esse texto muito cansativo e pessoal XP
Cara, tô muito feliz com esse novo blog (e confesso um pouco nervoso). Quando surgiu a idéia de montá-lo, achei ótima a oportunidade de fazer essa parceria com o Caio, que além de de um amigão é um ótimo escritor. Então, espero que as pessoas gostem desse espaço =]

PS: você pode ler o texto da Márcia que eu citei no meu bem aqui, ó: http://casulofef.blogspot.com/2008/04/confisso-do-dia.html (eu queria saber como se posta links sem colocar os links, mas não sei T.T).

5 venetas:

Caio disse...

Extremamente pessoal sim, mas não é cansativo. Acho o auto-conhecimento uma ferramenta interessantíssima e essencial para todos nós. Acho curioso que o texto vai ficando pesado aos poucos, sabem? A criticidade a si mesmo no texto vai aumentando, fato que pode acenar para uma possível baixo-estima, como eu frisei a vc, Fóssil. Mas gostei da coragem da sinceridade =)

Alanna disse...

Eu comecei a ler e pensei: Já vi isso antes...
Aí eu lembrei ki Carlos já tinha me mostrado esse texto! xP
Ihhhh!
TALVEZ eu tenha sido a primeira a lê-lo. Lembro que isso se deu em uma de nossas madrugadas virtuais, quando nossa necessidade de auto-explicação e auto-entendimento (se isso existe o.O) nos fez confessar um pouco de nós mesmos um ao outro.
Palavras ditas são complicadas demais. Escritas no entanto falam por elas mesmas. Creio que as mãos sejam mais tagarelas que as bocas e menos orgulhosas e tímidas também.
E por que não nos criticar se talvez sejamos aqueles que melhor nos conhecemos né?
A necessidade de nos conhecer e uma possível vontade de mudar - tá aí nossa explicação.

Kayla DeLeo disse...

Acho muito bacana cofissões desse tipo. Num lugar cheio de pessoas "des-sinceras", uma sem medo da sinceridade e da honestidade, ainda que sobre si mesmo e para si mesmo, é tanto admirável quanto sofre certo tipo de rejeição. Gostei muito do texto. ;) E tb já gostei de Avril Lavigne, Sandy e Júnior e gosto dos primeiros cds do Linkin Park... fazer o quê? =P Mas, ao contrário de Caio, não acho que o texto acena para uma baixa auto-estima. Ele fica pesado porque auto-críticas costumam soar pesadas. Mas, particularmente, gosto disso. E gostei do texto. E quero ler o que escreveres daqui em diante, Fóssil (vulgo Carlos! =D). Abraço. ;)

Gabriella disse...

Ouvi hj de uma pessoa q todos nós temos defeitos, imperfeições, estamos em um mundo com o principal objetivo de aprender, aperfeiçoar e construir...reconhecer o q é bom e o q ñ é tão bom assim em nós, é o primeiro passo. Me identifiquei muito c o texto ( era fã da Avril antiga, ainda hj me pego cantando " I'm with you", hahah, hj em dia acho q ela é uma vendida cor-de-rosa; me confessei na eucaristia, morria de medo do padre, hahahha, ele tinha um olho suuuper azul, q metia medo, hahah). Queria saber escrever, mas acho q sou mais dada às dissertações, então lá vão algumas "exposições": o Carlos q eu conheço é alguém q sempre tá lá p me ouvir, ou ler(msn); conhece muitas músicas legais, e me explica q White Stripes ñ tem baixo; tá sempre lá p me encorajar, me dizendo q se eu tiver vergonha de falar c alguém vai " me matar", hahaha; é alguém c quem posso ficar falando de política, ou apenas falar besteira... é uma pessoa q quando tô triste, vem me falar da importância do meu sorriso, hahahah, enfim, um AMIGO, palavra linda!

Thaís Araujo disse...

confesso que gosto de Rihanna.


xD~


cara, metade das tuas confissões não são mais segredo pra mim xD~

mas tu sabe que tu é meu escritor favorito né Carlão? =)

luv yah, guy.


(ah, adorei a pessoalidade do texto, ficou tão legal!)